sexta-feira, 20 de maio de 2011
TECNOLOGIA E DEMOCRACIA - HÁ RELAÇÃO?
Especialista defende que tecnologia é essencial para democracia
Max Milliano Melo
Publicação: 13/05/2011 11:37 Atualização:
Max Milliano Melo
Publicação: 13/05/2011 11:37 Atualização:
“A tecnologia é essencial para o desenvolvimento de um país plural e democrático”. Isso é o que defende o pesquisador canadense David Eaves, um dos principais expoentes do Open Data, movimento que defende a transparência nos dados públicos. Para ele, as democracias modernas, em especial aquelas mais jovens, como a do Brasil, só amadurecerão quando a tecnologia se tornar uma ferramenta ativa para a divulgação e democratização das informações governamentais e de interesse público.
Pós-graduado pela Universidade de Harvard e atualmente pesquisador do Centro de Estudos da Democracia, da Queen’s University, em Vancouver, no Canadá, Eaves defende que, do ponto de vista econômico e social, toda a sociedade pode se beneficiar da divulgação das informações públicas, o que para ele nada tem a ver com o vazamento de dados como o capitaneado pelo site WikiLeaks — que vem criando saias justas para boa parte dos governos ocidentais.
Antes de embarcar para Brasília para participar do Congresso Internacional Software Livre e Governo Eletrônica (Consei), promovido pela Escola de Administração Fazendária (Esaf) para debater os grandes problemas da governança eletrônica e que termina hoje, David conversou com o Correio. Defendeu a ideia de que o ativismo digital pode “salvar” os governos democráticos do que ele chama de retorno das “políticas orientadas por ideologias distantes dos dados concretos”.
Qual a razão de, mesmo com o desenvolvimento de ferramentas tecnológicas que possibilitam uma fácil e ampla divulgação das informações públicas, ainda ser tão difícil ter acesso a elas?
Há três respostas a essa pergunta. Muitos governos não compartilham dados porque não podem. Eles não sabem quais dados têm e suas informações estão trancadas em sistemas ultrapassados, que impedem o acesso público. Há ainda aqueles que não entendem a importância da divulgação, que são incapazes de entender como a tecnologia está mudando radicalmente não apenas a economia e a sociedade, mas a natureza do governo. No entanto, além dessas duas questões, existe uma barreira definitiva para a abertura dos dados. A principal razão para a falta de transparência é uma ideologia contrária a isso. Os governos veem no Open Data uma ameaça à sua legitimidade, quando na verdade se trata de uma maneira de reafirmá-la.
Isso quer dizer que os governos não divulgam suas informações porque não estão interessados?
A maior transparência permitirá aos cidadãos analisar melhor o seu governo. Inevitavelmente, isso significa que as ineficiências, as injustiças e os outros problemas serão vistos pelos cidadãos e por organizações. Os governos abominam qualquer crítica, e um sistema que permitirá o surgimento de críticas vai experimentar alguma resistência. Há ainda uma razão mais obscura que explica por que alguns governos se opõem aos dados abertos. Acho que estamos no meio de um ressurgimento da política orientada por ideologias, e não por dados. No fim do século 19, com o surgimento das ciências físicas e sociais, as políticas passaram a ser elaboradas a partir de dados concretos. Hoje, experimentamos um movimento inverso. No Canadá, por exemplo, o governo aboliu o recenseamento completo. Sem informações sobre uma série de questões sociais importantes, é difícil criar — e, principalmente, criticar — uma série de políticas para os marginalizados.
Então, de que forma a tecnologia poderia contribuir para o amadurecimento de jovens democracias como a brasileira?
Eu acho que a coisa mais importante que a tecnologia pode fazer para as jovens democracias é manter conversas políticas focadas nos dados. O que funciona? O que não funciona? Frequentemente, nas democracias (jovens e velhas) a conversa pode deslocar-se para valores baseados em questões ideológicas e distante dos dados concretos. Minha esperança é que a abertura dos dados públicos possa permitir a uma geração de eleitores e líderes manter seus olhos sobre o que é realmente importante — como tornar o governo mais eficaz — e evitar lutas devastadoras focadas na disputa ideológica entre as velhas noções de “certo” e “errado” que estão distantes da realidade moderna.
Neste sentido, como a internet 2.0 pode colaborar para uma sociedade mais transparente?
A web é essencial para fornecer dados públicos, não só porque é um mecanismo pelo qual mais e mais pessoas têm acesso à informação, mas porque a internet é também o principal local onde os dados abertos são interpretados, transformados em ideias, serviços e visualizações mais facilmente compreensíveis pelas pessoas. A web permite que qualquer pessoa que usa dados abertos para criar um novo serviço e tenha alguma ideia brilhante, possa compartilhá-lo com o mundo. Sem a web, dados abertos seriam algo que interessa apenas a uma pequena elite, sem uma conexão profunda com a maior parte do público. Muitos especialistas defendem que os dados públicos sejam divulgados apenas para certos profissionais, como médicos, advogados e jornalistas. Vejo essa visão como bastante limitada. Em maior ou menor escala, as informações públicas interessam a toda a população.
Na prática, como isso acontece?
Não faltam casos concretos. Tomemos por exemplo o escândalo de despesas do Parlamento do Reino Unido. Foi por meio da web que as pessoas puderam analisar os gastos dos deputados e também foi por meio dela que as histórias sobre o escândalo puderam ser lidas e divulgadas. Os recursos multimídias dessa plataforma foram o que permitiu a visualização dos problemas e fez as pessoas entenderem o tamanho do escândalo. Outro caso é o da Morningstar, uma empresa de fundos de pensão. Ele usa dados abertos de segurança dos EUA e da Comissão de Valores Mobiliários para avaliar o desempenho dos fundos de investimento. Isso afeta como milhões de norte-americanos vão investir suas economias para a aposentadoria. Esse uso é totalmente inesperado e é uma forma muito interessante de utilização dos dados públicos.
E do ponto de vista econômico? A disponibilização de dados públicos também é economicamente vantajosa?
Existe uma enorme gama de grupos que podem se beneficiar desse tipo de ação. De ambientalistas, desenvolvedores de software e associações de bairro a grandes empresas. Veja o caso do Google. O Maps tem informações sobre o trânsito de centenas de cidades ao redor do mundo. Frequentemente, essas cidades compartilham suas planilhas de trânsito, num formato chamado GTSF. Com esses dados, empresas como o Google elaboram ferramentas de navegação. Centenas de milhões de pessoas agora podem planejar viagens em dezenas de idiomas. Se você vier a Vancouver, por exemplo, no site de planejamento local de trânsito não vai ser possível planejar uma viagem em português, mas usando o Google Maps você pode. Outro exemplo são as informações meteorológicas. No Canadá e nos EUA, todas essas informações são geradas por estações do governo, então o trabalho das empresas é traduzir isso para uma linguagem mais próxima do cidadão. Acredita-se que esses sistemas movam uma indústria de mais de US$ 2 bilhões.
A geração Y está chegando ao mercado de trabalho e aos cargos políticos. Esses jovens poderiam usar sua relação mais íntima com a tecnologia para dar mais transparência às informações de interesse público?
Talvez. Eu sou otimista, mas com certa cautela. Acho que estamos prestes a presenciar uma batalha entre a mudança trazida por uma geração e a cultura institucional já estabelecida. Muitos baby boomers (pessoas que nasceram nos anos imediatamente no pós 2ª Guerra), quando tornaram-se políticos ou funcionários de governos, acreditavam na transparência e em um governo aberto. Por que eles não conseguiram botar isso em prática? Porque o desejo das organizações de manter o sigilo é mais forte que o de um indivíduo em torná-la mais aberta. Então, tanto aqueles que estão do lado de dentro das organizações — os políticos e os funcionários públicos — como os de fora — os eleitores e cidadãos — têm um papel importante nesse processo. Nossa demanda por transparência é o que vai mudar o sistema, e não apenas a chegada de uma nova geração.
Os movimentos como o WikiLeaks não seriam uma forma forçada de dar mais transparência a esses governos que se recusam a divulgar dados?
Acho que uma coisa importante sobre o WikiLeaks é reconhecer que ele não tem nada a ver com transparência pública. O movimento transparência é sobre a criação sustentável, aberta e autorizada dos dados dos governos. É, além disso, um esforço para mudar o governo, aumentando a sua legitimidade, tornando-o mais transparente. Em contraste, o WikiLeaks é um método não autorizado que gera informações de maneira não sustentável. É um esforço para mudar o governo, mas tornando-o menos legítimo, por meio da divulgação de suas ações. Esse não é um julgamento moral sobre transparência pública ou Wikileaks, é um fato simples sobre as diferenças entre eles. Agora, se ela vai ser uma forma eficaz para cobrar dos governos? Ainda não é possível saber.
Encontro
Congresso Internacional Software Livre e Governo Eletrônico (Consegi 2011)
Data: 11 a 13 de maio
Local: Escola de Administração Fazendária (Esaf)
Inscrições gratuitas no local ou pelo site www.consegi.gov.br
Pós-graduado pela Universidade de Harvard e atualmente pesquisador do Centro de Estudos da Democracia, da Queen’s University, em Vancouver, no Canadá, Eaves defende que, do ponto de vista econômico e social, toda a sociedade pode se beneficiar da divulgação das informações públicas, o que para ele nada tem a ver com o vazamento de dados como o capitaneado pelo site WikiLeaks — que vem criando saias justas para boa parte dos governos ocidentais.
Antes de embarcar para Brasília para participar do Congresso Internacional Software Livre e Governo Eletrônica (Consei), promovido pela Escola de Administração Fazendária (Esaf) para debater os grandes problemas da governança eletrônica e que termina hoje, David conversou com o Correio. Defendeu a ideia de que o ativismo digital pode “salvar” os governos democráticos do que ele chama de retorno das “políticas orientadas por ideologias distantes dos dados concretos”.
Qual a razão de, mesmo com o desenvolvimento de ferramentas tecnológicas que possibilitam uma fácil e ampla divulgação das informações públicas, ainda ser tão difícil ter acesso a elas?
Há três respostas a essa pergunta. Muitos governos não compartilham dados porque não podem. Eles não sabem quais dados têm e suas informações estão trancadas em sistemas ultrapassados, que impedem o acesso público. Há ainda aqueles que não entendem a importância da divulgação, que são incapazes de entender como a tecnologia está mudando radicalmente não apenas a economia e a sociedade, mas a natureza do governo. No entanto, além dessas duas questões, existe uma barreira definitiva para a abertura dos dados. A principal razão para a falta de transparência é uma ideologia contrária a isso. Os governos veem no Open Data uma ameaça à sua legitimidade, quando na verdade se trata de uma maneira de reafirmá-la.
Isso quer dizer que os governos não divulgam suas informações porque não estão interessados?
A maior transparência permitirá aos cidadãos analisar melhor o seu governo. Inevitavelmente, isso significa que as ineficiências, as injustiças e os outros problemas serão vistos pelos cidadãos e por organizações. Os governos abominam qualquer crítica, e um sistema que permitirá o surgimento de críticas vai experimentar alguma resistência. Há ainda uma razão mais obscura que explica por que alguns governos se opõem aos dados abertos. Acho que estamos no meio de um ressurgimento da política orientada por ideologias, e não por dados. No fim do século 19, com o surgimento das ciências físicas e sociais, as políticas passaram a ser elaboradas a partir de dados concretos. Hoje, experimentamos um movimento inverso. No Canadá, por exemplo, o governo aboliu o recenseamento completo. Sem informações sobre uma série de questões sociais importantes, é difícil criar — e, principalmente, criticar — uma série de políticas para os marginalizados.
Então, de que forma a tecnologia poderia contribuir para o amadurecimento de jovens democracias como a brasileira?
Eu acho que a coisa mais importante que a tecnologia pode fazer para as jovens democracias é manter conversas políticas focadas nos dados. O que funciona? O que não funciona? Frequentemente, nas democracias (jovens e velhas) a conversa pode deslocar-se para valores baseados em questões ideológicas e distante dos dados concretos. Minha esperança é que a abertura dos dados públicos possa permitir a uma geração de eleitores e líderes manter seus olhos sobre o que é realmente importante — como tornar o governo mais eficaz — e evitar lutas devastadoras focadas na disputa ideológica entre as velhas noções de “certo” e “errado” que estão distantes da realidade moderna.
Neste sentido, como a internet 2.0 pode colaborar para uma sociedade mais transparente?
A web é essencial para fornecer dados públicos, não só porque é um mecanismo pelo qual mais e mais pessoas têm acesso à informação, mas porque a internet é também o principal local onde os dados abertos são interpretados, transformados em ideias, serviços e visualizações mais facilmente compreensíveis pelas pessoas. A web permite que qualquer pessoa que usa dados abertos para criar um novo serviço e tenha alguma ideia brilhante, possa compartilhá-lo com o mundo. Sem a web, dados abertos seriam algo que interessa apenas a uma pequena elite, sem uma conexão profunda com a maior parte do público. Muitos especialistas defendem que os dados públicos sejam divulgados apenas para certos profissionais, como médicos, advogados e jornalistas. Vejo essa visão como bastante limitada. Em maior ou menor escala, as informações públicas interessam a toda a população.
Na prática, como isso acontece?
Não faltam casos concretos. Tomemos por exemplo o escândalo de despesas do Parlamento do Reino Unido. Foi por meio da web que as pessoas puderam analisar os gastos dos deputados e também foi por meio dela que as histórias sobre o escândalo puderam ser lidas e divulgadas. Os recursos multimídias dessa plataforma foram o que permitiu a visualização dos problemas e fez as pessoas entenderem o tamanho do escândalo. Outro caso é o da Morningstar, uma empresa de fundos de pensão. Ele usa dados abertos de segurança dos EUA e da Comissão de Valores Mobiliários para avaliar o desempenho dos fundos de investimento. Isso afeta como milhões de norte-americanos vão investir suas economias para a aposentadoria. Esse uso é totalmente inesperado e é uma forma muito interessante de utilização dos dados públicos.
E do ponto de vista econômico? A disponibilização de dados públicos também é economicamente vantajosa?
Existe uma enorme gama de grupos que podem se beneficiar desse tipo de ação. De ambientalistas, desenvolvedores de software e associações de bairro a grandes empresas. Veja o caso do Google. O Maps tem informações sobre o trânsito de centenas de cidades ao redor do mundo. Frequentemente, essas cidades compartilham suas planilhas de trânsito, num formato chamado GTSF. Com esses dados, empresas como o Google elaboram ferramentas de navegação. Centenas de milhões de pessoas agora podem planejar viagens em dezenas de idiomas. Se você vier a Vancouver, por exemplo, no site de planejamento local de trânsito não vai ser possível planejar uma viagem em português, mas usando o Google Maps você pode. Outro exemplo são as informações meteorológicas. No Canadá e nos EUA, todas essas informações são geradas por estações do governo, então o trabalho das empresas é traduzir isso para uma linguagem mais próxima do cidadão. Acredita-se que esses sistemas movam uma indústria de mais de US$ 2 bilhões.
A geração Y está chegando ao mercado de trabalho e aos cargos políticos. Esses jovens poderiam usar sua relação mais íntima com a tecnologia para dar mais transparência às informações de interesse público?
Talvez. Eu sou otimista, mas com certa cautela. Acho que estamos prestes a presenciar uma batalha entre a mudança trazida por uma geração e a cultura institucional já estabelecida. Muitos baby boomers (pessoas que nasceram nos anos imediatamente no pós 2ª Guerra), quando tornaram-se políticos ou funcionários de governos, acreditavam na transparência e em um governo aberto. Por que eles não conseguiram botar isso em prática? Porque o desejo das organizações de manter o sigilo é mais forte que o de um indivíduo em torná-la mais aberta. Então, tanto aqueles que estão do lado de dentro das organizações — os políticos e os funcionários públicos — como os de fora — os eleitores e cidadãos — têm um papel importante nesse processo. Nossa demanda por transparência é o que vai mudar o sistema, e não apenas a chegada de uma nova geração.
Os movimentos como o WikiLeaks não seriam uma forma forçada de dar mais transparência a esses governos que se recusam a divulgar dados?
Acho que uma coisa importante sobre o WikiLeaks é reconhecer que ele não tem nada a ver com transparência pública. O movimento transparência é sobre a criação sustentável, aberta e autorizada dos dados dos governos. É, além disso, um esforço para mudar o governo, aumentando a sua legitimidade, tornando-o mais transparente. Em contraste, o WikiLeaks é um método não autorizado que gera informações de maneira não sustentável. É um esforço para mudar o governo, mas tornando-o menos legítimo, por meio da divulgação de suas ações. Esse não é um julgamento moral sobre transparência pública ou Wikileaks, é um fato simples sobre as diferenças entre eles. Agora, se ela vai ser uma forma eficaz para cobrar dos governos? Ainda não é possível saber.
Encontro
Congresso Internacional Software Livre e Governo Eletrônico (Consegi 2011)
Data: 11 a 13 de maio
Local: Escola de Administração Fazendária (Esaf)
Inscrições gratuitas no local ou pelo site www.consegi.gov.br
fonte: www.correioweb.com.br
quinta-feira, 19 de maio de 2011
MAGIA DO CIRCO - UMA BOA PEDIDA
magia do picadeiro
Mais que um circo
Publicado em 19 de maio de 2011
O Circo Tihany, de passagem pela Capital, aposta em tecnologia e no talento de artistas de diversas partes do mundo para cativar o público e manter viva a magia do picadeiro
Conhecido como o "mago dos magos", Richard Tihany não se cansa de dizer: "O Tihany não é um circo, é mais que um circo, é onde a fantasia acontece". A tenda, o picadeiro, os artistas, o público e até os tambores rufando nos momentos de tensão. De fato, está tudo lá, mas parece diferente. A começar pelo tamanho. Há 54 anos na estrada, no Tihany, os números são astronômicos: são 20 toneladas de equipamento, um palco de 900 metros, 76 artistas de 25 países, 500 toneladas de aparelhos de ar-condicionado e uma frota de mais de 130 veículos, incluindo trailers e um helicóptero.
Foi num deles que Richard recebeu a equipe do Caderno 3 para uma conversa, entre os dois atos do espetáculo "AbraKadabra", em cartaz, em Fortaleza, até o próximo mês. "A magia do circo está em qualquer lugar, não é preciso luxo para que ela aconteça, mas o público está cada vez mais exigente e somos obrigados a acompanhar as tendências", comenta o herdeiro de Franz "Tihany" Czeisler, o húngaro visionário que fundou o circo em Campinas, interior de São Paulo.
Exemplo das adaptações pelas quais passou está na ausência de animais nos números do Tihany. Com exceção de uma galinha num número de mágica e dos pombos que são soltos ao fim do show, o circo apóia-se nos seus artistas e no glamour para prender a atenção do público. Modesto, Richard não admite, mas seu carisma também conta muito.
São duas horas e meia - com um intervalo de 20 minutos - de entretenimento puro, em 18 atos. Os números de magia, acrobacia, malabarismo e contorcionismo são intercalados ou misturados com coreografias. No comando das 24 bailarinas está a coreógrafa inglesa Tracey-Lee Edwards. De família circense e há 15 anos na trupe do Tihany, ela resume a vida no circo: "O melhor é fazer o que se gosta. O pior, estar sempre num lugar diferente, não criar raízes". Apesar de gostar de viajar, ela diz que, com o tempo, a rotina extenuante vai cansando. "Ainda mais quando se tem filhos".
O palhaço venezuelano Henry Zambrano, no ofício desde os 11, inspira-se em Charles Chaplim e rouba a cena sem dizer uma só palavra. "Fazer rir com mímicas é mais fácil que falando. Gestos são universais", declarou.
O time de quatro contorcionistas vem da Mongólia. Mesmo com 13 anos de circo, Tseco Lkhagva afirma que elas ainda precisam ensaiar até três vezes por semana. A filha dela, Kelly, de quatro anos, nasceu em Chicago, nos Estados Unidos. "Olha o que eu sei fazer!", gritou ela, fazendo uma abertura, enquanto a Tseco conversava com a reportagem. "Desse jeito, o circo nunca vai morrer".
Em tempos de videogame e internet, Richard Tihany concorda e diz que o circo apenas se renova. "Enquanto houver criança, o circo existirá, já dizia o mestre Orlando Orfei", declarou o mágico. "Meu estímulo para continuar é ver as pessoas se cutucando ao fim de cada número".
FILIPE PALÁCIOREDATOR
MAIS INFORMAÇÕES
Circo Tihany - montado no estacionamento do Iguatemi, de terça a domingo, com sessões duplas nos fins de semana. Contato: (85) 3033.1001
Conhecido como o "mago dos magos", Richard Tihany não se cansa de dizer: "O Tihany não é um circo, é mais que um circo, é onde a fantasia acontece". A tenda, o picadeiro, os artistas, o público e até os tambores rufando nos momentos de tensão. De fato, está tudo lá, mas parece diferente. A começar pelo tamanho. Há 54 anos na estrada, no Tihany, os números são astronômicos: são 20 toneladas de equipamento, um palco de 900 metros, 76 artistas de 25 países, 500 toneladas de aparelhos de ar-condicionado e uma frota de mais de 130 veículos, incluindo trailers e um helicóptero.
Foi num deles que Richard recebeu a equipe do Caderno 3 para uma conversa, entre os dois atos do espetáculo "AbraKadabra", em cartaz, em Fortaleza, até o próximo mês. "A magia do circo está em qualquer lugar, não é preciso luxo para que ela aconteça, mas o público está cada vez mais exigente e somos obrigados a acompanhar as tendências", comenta o herdeiro de Franz "Tihany" Czeisler, o húngaro visionário que fundou o circo em Campinas, interior de São Paulo.
Exemplo das adaptações pelas quais passou está na ausência de animais nos números do Tihany. Com exceção de uma galinha num número de mágica e dos pombos que são soltos ao fim do show, o circo apóia-se nos seus artistas e no glamour para prender a atenção do público. Modesto, Richard não admite, mas seu carisma também conta muito.
São duas horas e meia - com um intervalo de 20 minutos - de entretenimento puro, em 18 atos. Os números de magia, acrobacia, malabarismo e contorcionismo são intercalados ou misturados com coreografias. No comando das 24 bailarinas está a coreógrafa inglesa Tracey-Lee Edwards. De família circense e há 15 anos na trupe do Tihany, ela resume a vida no circo: "O melhor é fazer o que se gosta. O pior, estar sempre num lugar diferente, não criar raízes". Apesar de gostar de viajar, ela diz que, com o tempo, a rotina extenuante vai cansando. "Ainda mais quando se tem filhos".
O palhaço venezuelano Henry Zambrano, no ofício desde os 11, inspira-se em Charles Chaplim e rouba a cena sem dizer uma só palavra. "Fazer rir com mímicas é mais fácil que falando. Gestos são universais", declarou.
O time de quatro contorcionistas vem da Mongólia. Mesmo com 13 anos de circo, Tseco Lkhagva afirma que elas ainda precisam ensaiar até três vezes por semana. A filha dela, Kelly, de quatro anos, nasceu em Chicago, nos Estados Unidos. "Olha o que eu sei fazer!", gritou ela, fazendo uma abertura, enquanto a Tseco conversava com a reportagem. "Desse jeito, o circo nunca vai morrer".
Em tempos de videogame e internet, Richard Tihany concorda e diz que o circo apenas se renova. "Enquanto houver criança, o circo existirá, já dizia o mestre Orlando Orfei", declarou o mágico. "Meu estímulo para continuar é ver as pessoas se cutucando ao fim de cada número".
FILIPE PALÁCIOREDATOR
MAIS INFORMAÇÕES
Circo Tihany - montado no estacionamento do Iguatemi, de terça a domingo, com sessões duplas nos fins de semana. Contato: (85) 3033.1001
Fonte: www.diariodonordeste.com.br
quarta-feira, 18 de maio de 2011
HISTÓRIA DO RÁDIO
NHÔ TOTICO |
![]() |
POR ONDE ANDA ? Saudades... Faleceu no dia 4 de abril de 1996. Foi velado na Assembléia Legislativa de São Paulo e sepultado no cemitério da Consolação, zona oeste da capital paulista. BREVE HISTÓRICO: Vital Fernandes da Silva, nasceu em Belém do Descalvado, interior do Estado de São Paulo, no dia 11 de maio de 1903. Seu maior sonho era ser artista. Deu voz a "Nhô Totico", matuto com sotaque interiorano que narrava as aventuras dos personagens da “Vila do Arrelia” na Rádio Cultura de São Paulo, nos anos 30. Era um personagem para o público infantil, mas seu sucesso logo atingiu também adultos de várias camadas sociais. De forma criativa ele mudava a voz para fazer as diversas etnias que compunham a cultura da cidade como o italiano, o sírio, o japonês, o português, entre outros. Surpreendentemente não havia texto, nem um roteiro definido para programa. Tudo dependia da imaginação de um só homem que se desdobrava diante dos microfones para entreter e educar as crianças e suas famílias. Este homem foi um dos grandes profissionais e marcou a História do Rádio paulistano. Infelizmente não há nenhum registro sonoro de seus personagens e após mais de 100 anos de seu nascimento, Nhô Totico passou a ser uma vaga lembrança nos registros da história radiofônica paulista. |
homenagem merecida
Vereador homenageia Padre Landell de Moura
17/05/2011 - terça-feira


O vereador Eliseu Gabriel (PSB-SP) entregará o Título de Cidadão Paulistano ao Padre Roberto Landell de Moura, in memoriam, nesta terça-feira, dia 17 de maio de 2011, às 19 horas, no Salão Nobre da Câmara Municipal de São Paulo.
A honraria será recebida por Zemo José Almeida de Moura, hoje com 82 anos, sobrinho-neto do homenageado, nascido em 1928, exatamente no ano em que o Padre Landell de Moura faleceu. Zemo reside no Rio Grande do Sul, de onde virá exclusivamente para a homenagem.
Landell de Moura:
Assim como registros históricos assinalam Alberto Santos Dumont como o Pai da Aviação, você sabia que o inventor do Rádio foi o padre-cientista brasileiro Roberto Landell de Moura, e não Marconi? Além do Rádio, Landell também projetou a televisão, no início do século XX, muitos anos antes da referida invenção ser anunciada ao mundo.
Ele patenteou inventos nos Estados Unidos e no Brasil, mas, por uma série de infortúnios, não conseguiu nenhum apoio para o desenvolvimento dos artefatos. Landell chegou ser taxado de maluco e de ter algum pacto com o demônio. Além de não ser reconhecido em sua época, poucas pessoas, atualmente, conhecem sua história, embora tudo esteja devidamente documentado. Historicamente, o Brasil entrou na era do Rádio com importação de tecnologia.
O Movimento Landell de Moura nasceu para corrigir um erro histórico e valorizar a ciência nacional. O Governo Brasileiro deve e precisa reconhecer oficialmente o pioneirismo do Padre Roberto Landell de Moura no desenvolvimento das telecomunicações (precursor das invenções do Rádio, da televisão e do teletipo, além da recomendação do uso das ondas curtas e da utilização em seus aparelhos do princípio do laser e das fibras ópticas).
Colaboração: Emilcio Rogério Zuliani
FONTE: www.bastidoresdoradio.com
17/05/2011 - terça-feira

O vereador Eliseu Gabriel (PSB-SP) entregará o Título de Cidadão Paulistano ao Padre Roberto Landell de Moura, in memoriam, nesta terça-feira, dia 17 de maio de 2011, às 19 horas, no Salão Nobre da Câmara Municipal de São Paulo.
A honraria será recebida por Zemo José Almeida de Moura, hoje com 82 anos, sobrinho-neto do homenageado, nascido em 1928, exatamente no ano em que o Padre Landell de Moura faleceu. Zemo reside no Rio Grande do Sul, de onde virá exclusivamente para a homenagem.
Landell de Moura:
Assim como registros históricos assinalam Alberto Santos Dumont como o Pai da Aviação, você sabia que o inventor do Rádio foi o padre-cientista brasileiro Roberto Landell de Moura, e não Marconi? Além do Rádio, Landell também projetou a televisão, no início do século XX, muitos anos antes da referida invenção ser anunciada ao mundo.
Ele patenteou inventos nos Estados Unidos e no Brasil, mas, por uma série de infortúnios, não conseguiu nenhum apoio para o desenvolvimento dos artefatos. Landell chegou ser taxado de maluco e de ter algum pacto com o demônio. Além de não ser reconhecido em sua época, poucas pessoas, atualmente, conhecem sua história, embora tudo esteja devidamente documentado. Historicamente, o Brasil entrou na era do Rádio com importação de tecnologia.
O Movimento Landell de Moura nasceu para corrigir um erro histórico e valorizar a ciência nacional. O Governo Brasileiro deve e precisa reconhecer oficialmente o pioneirismo do Padre Roberto Landell de Moura no desenvolvimento das telecomunicações (precursor das invenções do Rádio, da televisão e do teletipo, além da recomendação do uso das ondas curtas e da utilização em seus aparelhos do princípio do laser e das fibras ópticas).
Colaboração: Emilcio Rogério Zuliani
FONTE: www.bastidoresdoradio.com
Assinar:
Comentários (Atom)
