quinta-feira, 12 de maio de 2011

uma pesquisa sobre rádio no Brasil

Dados sobre o Rádio no Brasil:
Pesquisa da equipe da Rádio2 , sobre o rádio e seus principais dados no Brasil. O estudo está disponível também no site "Rádio em Foco".
1 - Números:

- 83% dos veículos no Brasil possuem rádio.
- Nos últimos 5 anos a audiência média do rádio cresceu 44%.
- Pesquisa PROPEG aponta o rádio como a mídia com maior índice de satisfação do público: 73%.
- A participação da mídia rádio no bolo publicitário cresceu 25% nos últimos 5 anos.

2 - As Maiores redes de rádio:
(por Índice de Potencial de Consumo das praças onde atuam):

1. Jovem Pan Fm 43 emissoras - IPC: 34,7
2. CBN AM 21 emissoras - IPC: 31,7
3. Bandeirantes AM 30 emissoras - IPC: 30,2
4. Antena 1 FM 32 emissoras - IPC: 28,4
5. Transamérica FM 35 emissoras - IPC: 26,9
6. Bandeirantes FM 14 emissoras - IPC: 16,4
7. Jovem Pan AM 20 emissoras - IPC: 16,3
8. Rede Gaúcha 46 emissoras - IPC: 2,3
9. Rede Líder 08 emissoras - IPC: 2,1

3 - Região por Região:
No Brasil 90,2% dos domicícios possuem rádio, ou seja: 38.400.000 casas sintonizadas.. Confira a distribuição destes números por região:

Norte 2.050.000 aparelhos ou 78,6% dos domicílios.
Nordeste 8.802.000 aparelhos ou 81,8% dos domicícios.
Centro-Oeste 2.622.000 aparelhos ou 88,0% dos domicílios.
Sudeste 18.273.000 aparelhos ou 94,7% dos domicílios.
Sul 6.653.000 aparelhos ou 96,0% dos domicílios.








Nosso País tem 2986 rádios espalhadas por todo o território nacional. Veja como elas estão distribuidas:

Norte - 192 emissoras:

Rondônia - 40
Acre - 13
Amazonas - 48
Roraima - 05
Pará - 62
Amapá - 09
Tocantins - 15

Nordeste - 678 emissoras:

Maranhão - 62
Piauí - 67
Ceará -112
Rio Grande do Norte - 41
Paraíba - 62
Pernambuco - 85
Alagoas - 34
Sergipe - 30
Bahia - 185

Centro-Oeste - 244 emissoras:

Mato Grosso do Sul - 66
Mato Grosso - 59
Goiás - 97
Distrito Federal - 22

Sudeste - 1099 emissoras:

Minas Gerais - 369
Espírito Santo - 47
Rio de Janeiro - 135
São Paulo - 548

Sul - 773 emissoras:

Paraná - 275
Santa Catarina - 168
Rio Grande do Sul - 330





4 - Perfil do Ouvinte de rádio no Brasil:
Sexo

53% mulheres (90% das mulheres ouvem rádio regularmente)
47% homens (91% dos homens ouvem rádio regularmente)

Faixa Etária

10 a 14 anos: 13% (92% ouvem rádio regularmente)
15 a 19 anos: 12% (97% ouvem rádio regularmente)
20 a 29 anos: 24% (95% ouvem rádio regularmente)
30 a 39 anos: 21% (91% ouvem rádio regularmente)
40 a 49 anos: 13% (87% ouvem rádio regularmente)
50 a 64 anos: 12% (84% ouvem rádio regularmente)
+ de 65 anos: 5% (74% ouvem rádio regularmente)

Classe Econômica

A1: 2% (93% ouvem rádio regularmente)
A2: 6% (91% ouvem rádio regularmente)
B1: 13% (90% ouvem rádio regularmente)
B2: 15% (91% ouvem rádio regularmente)
C: 36% (91% ouvem rádio regularmente)
D: 24% (89% ouvem rádio regularmente)
E: 4% (84% ouvem rádio regularmente)


5 - Penetração do rádio em alguns mercados:
(percentual de consumidores dos produtos ou serviços listados que ouviram rádio nos últimos 15 dias).

Refrigerantes tipo cola: 93%
Outros refrigerantes: 91%
Cerveja: 91%
Vinho: 88%
Móveis: 97%
Viagens nacionais: 90%
Lanchonetes: 94%
Restaurantes: 94%
Auto-peças: 93%







6 - os maiores anunciantes do rádio em 1997:
(valores em US$ mil).

01. DM Farmacêutica 16.941
02. Casas Bahia 13.075
03. Bradesco 5.223
04. Cerveja Kaiser 4.110
05. Ponto Frio 3.734
06. Casas Sendas 3.160
07. General Motors 3.044
08. Antártica 3.005
09. Brahma 2.987
10. S.N.Babolin 2.945
11. Grupo Bandeirantes 2.751
12. Lojas Copel 2.223
13. Luper Farmacêutica 2.055
14. Supermerc. Mundial 2.038
15. TAM 1.777

O rádio é o veículo que oferece a melhor relação entre investimento publicitário e mercado que atinge. Veja abaixo a relação entre investimento e consumo de alguns meios de comunicação:

Rádio 1: 22,75
Revista: 1: 5,95
Jornal 1: 2,44
TV 1: 1,62



Fonte:
Elvio Mencarini - Diretor Geral da Rádio2. Roberto Mencarini - Profissional de Marketing da Rádio 2. Alfredo Nastari - Publicitário do Escritório de Comunicação. Instituto de Pesquisas Mídia Dados. Instituto de Pesquisas Ibope.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Abertura Clube Dos Teteus Colombo Sá

UMA REFLEXÃO SOBRE COMUNICAÇÃO

RELAÇÕES PÚBLICAS
A comunicação: um novo papel
Por Paulo Nassar em 10/5/2011


Reproduzido do Terra Magazine, 7/5/2011; texto debatido no Seminário "Século McLuhan" na mesa "McLuhan e a comunicação de empresas e instituições", realizado nos dias 2 e 3 de maio, no Teatro Vivo, em São Paulo
O economista escocês Adam Smith (1723-1790), em seu clássico livro A Riqueza das Nações, descreve o funcionamento de uma oficina fabricante de alfinetes, lugar onde o artesão impunha o seu jeito de produzir, livre de qualquer compromisso com o tempo e com metas de produtividade em alta escalam, e propõe um modelo de controle das etapas de produção e do artesão, com objetivo de racionalizar a produção e aumentar exponencialmente os resultados daquelas protoempresas.
O método proposto por Smith foi aperfeiçoado quase 150 anos depois por Frederick Winslow Taylor (1856-1915), em sua revolução científica do trabalho centrada no controle de tempos e movimentos. Com esse tipo de metodologia de trabalho o mundo artesanal foi enterrado. Todos perderam com a instauração de um mundo centrado no trabalho desumanizado: as pessoas e a natureza, que foi degradada.
O século 20 só aprofundou os estragos com as reengenharias e as políticas de downsizing. O resultado deste frenesi produtivo é um mundo sem fraternidade em que o tempo e as relações sociais e culturais viraram outros nomes do dinheiro.
Implicações sobre a comunicação nas empresasNo que tange à comunicação nas empresas, implantou-se uma narrativa autoritária e pobre, constituída de ordens, voltada para controle da informação nas linhas de produção e nos escritórios, que se afastou da autoria. O narrador, lembrando Walter Benjamin, deixou de marcar as suas histórias com a sua voz, o seu ritmo, o seu jeito de contar. Os discursos dentro das empresas ficaram um padrão só e afastado dos relatos mais míticos que incorporam ritos, rituais, mitos, ritos, heróis e anti-heróis. A narrativa interesseira, voltada apenas para os propósitos empresariais, empobreceu o ambiente de trabalho e também as relações entre as pessoas.
Um dos momentos de mudança desse pensamento rasteiro foi a incorporação, no início do século 20, nos Estados Unidos, de preocupações quanto à melhoria das relações do empresariado (denominados na época como os "barões ladrões") com os trabalhadores, imprensa e uma massa de pequenos acionistas, estes, público fundamental para capitalizar as empresas, por meio da bolsa de valores, para os novos desafios trazidos pela expansão do capitalismo nos Estados Unidos e no mundo. Um processo de abertura de capital, que lembra o movimento atual de entrada de grandes empresas brasileiras no universo acionário. Um processo que dá origem às Relações Públicas.
O relações-públicas surge, no ambiente das relações humanas e da comunicação, então, como o apontador de fábrica, no seu caso como padronizador da comunicação e dos relacionamentos. Ivy Lee (1877-1934) fez para as relações públicas o que Adam Smith e Taylor fizeram para a economia: deu início à padronização. O jornalismo do século 20 também foi pela mesma seara e procurou estruturar as suas narrativas em regras e manuais do como relatar. Neste contexto, do que se denominou sociedade de massas industrial, as relações públicas e o jornalismo se transformaram em feitores de diálogos e relacionamentos. Todos a serviço apenas dos grandes poderes organizacionais: o estado, a empresa, a escola e a igreja.
Repensar a comunicação e os relacionamentosA tecnologia digital e um trabalhador que é inquirido, na atualidade, a trabalhar cada vez mais conhecimentos e uma realidade indutora de controvérsias e inúmeros pontos de vista, em questões que envolvem um novo social, impactado por questões ambientais, sociais e econômicas, tiraram dos poderes do mundo, entre eles a empresa, a centralidade produtora de conteúdos. Agora todos produzem e veiculam as suas opiniões, nem sempre convergentes com as das empresas. É uma sociedade de muitas vozes.
Um universo autoral, que não deixa de ser uma retomada do caráter artesanal da comunicação, que deve procurar se assentar em narrativas mais ricas e abertas (míticas). A grande questão parece ser de como o comunicador se posicionará numa época de grande vontade democrática e articulação entre os chamados públicos sociais.

domingo, 8 de maio de 2011

BELA CAPA JORNAL O POVO

Veja esta entrevistra sobre o mundo da tecnologia

Ser e estar no mundo da Cultura Tecnológica. Entrevista especial com Eduardo Vizer

06/05/2011 |
Redação
IHU - Instituto Humanitas Unisinos
“A Cultura Tecnológica é, hoje, nosso novo meio natural, nossa natureza domada e dominante”, comenta o pesquisador argentino Eduardo Vizer. Em entrevista à IHU On-Line, realizada por e-mail, ele fala sobre como a Cultura Tecnológica intervém em nossa vida social, em nossa compreensão quanto a ser e estar no mundo de hoje. “Toda tecnologia tem dois lados: um pode nos liberar, nos potencializar e nos projetar mais além de nossos limites físicos tradicionais. No outro lado, nos fazemos dependentes desses dispositivos. E mais ainda: as Tecnologias da Informação e Comunicação – TICs podem registrar e transformar qualquer ação humana em informação. E quem tem acesso a essa informação pode controlar ou incidir – direta ou indiretamente – sobre nossas ações e nossos movimentos”, analisou.
Eduardo Andrés Vizer é graduado em Sociologia pela Universidad de Buenos Aires (UBA) com especialização em Teorias da Comunicação Linguística e Semiologia pelo Instituto Di Tella e em Psicodrama Terapêutico e Pedagógico Grupal pela Associação Argentina de Psicodrama e Psicologia de Grupo. É doutor em Sociologia pela Universidade de Belgrano (Argentina). Realizou pós-doutorado pela Universidade de Bonn (Alemanha), University of Massachusetts (EUA) e Universidade do Vale do Rio dos Sinos. Atualmente, é professor na UBA e na Universidade Federal da Integração Latino-Americana. É autor de A trama (in) visível da vida social: comunicação, sentido e realidade (Porto Alegre: Sulina, 2011), Mídia e movimentos sociais: linguagens e coletivos em ação (São Paulo: Paulus, 2007), entre outros.
Confira a entrevista:
*
IHU On-Line – Como as ciências da comunicação podem servir de aporte à intervenção social?
Eduardo Vizer –
A comunicação já é uma intervenção na vida social. Estamos permanentemente “intervindo” nos contextos sociais. Porém, acredito que a pergunta é sobre uma intervenção “profissional”. Neste sentido, há várias metodologias e técnicas desenvolvidas pelos saberes comunicacionais.
Por exemplo, em minha disciplina de Comunicação Comunitária e Promoção Social na Universidade de Buenos Aires – UBA desenvolvemos a socioanálise como um método para pesquisar, diagnosticar problemas e intervir nas comunidades e instituições. A pesquisa-ação é um exemplo específico de intervenção da comunicação.

IHU On-Line –
O senhor aponta que temos deixado de viver em ambientes naturais. Em que tipos de ambientes estamos hoje?
Eduardo Vizer –
Basta ver onde e como vivemos: os lugares em que vivemos, nossos bairros e cidades. Não vivemos mais “na” natureza, mas “dentro das” nossas culturas marcadas pela ciência, tecnologia, cálculos, dispositivos técnicos que controlam e organizam a infraestrutura física (material) de acordo com os centros e fluxos de energia e dispositivos tecnológicos (ou seja, uma cultura tecnológica).
O que acontece com nossas cidades e nossas vidas quando há cortes de energia e apagões? A humanidade tem cultivado e desenha constantemente a natureza e nossos entornos físicos, como faz um urbanista com as cidades, um arquiteto com os edifícios e o agricultor com a terra. Brasília é um exemplo perfeito: nos espaços verdes que existem é proibido construir. Esses espaços verdes são para exercitar a memória e apreciar culturalmente quem sobreviveu ao espaço natural anterior.
IHU On-Line – A Cultura Tecnológica atual é de controle, como Deleuze afirmava há 20 anos?
Eduardo Vizer –
A Cultura Tecnológica é, hoje, nosso novo meio natural, nossa natureza domada e dominante. A genialidade de MCLuhan foi a de conceber visionariamente esta nova cultura moldada como uma ecologia que associa uma infraestrutura "hard" (dispositivos eletrônicos e os fluxos de energia elétrica) com uma “superestrutura soft”: informação, percepção humana, as linguagens digitais, as projeções subjetivas associadas a redes e representações virtuais.
Toda tecnologia tem dois lados: um pode nos liberar, nos potencializar e nos projetar mais além de nossos limites físicos tradicionais. No outro lado, nos fazemos dependentes desses dispositivos. E mais ainda: as Tecnologias da Informação e Comunicação – TICs podem registrar e transformar qualquer ação humana em informação. E quem tem acesso a essa informação pode controlar ou incidir – direta ou indiretamente – sobre nossas ações e nossos movimentos.
É o caso das denúncias contra a telefonia móvel que registra nossos movimentos no espaço. Esses “mapas espaciais virtuais” adquirem um enorme valor econômico. A informação obtida por esses meios pode “desenhar” mapas espaciais que revelam nossos interesses e preferências de circulação e de consumo. Sustento que o valor econômico na nova economia surge mais dos processos de circulação do que da própria produção, como correspondeu à economia industrial. Por outro lado, vemos a proliferação das câmeras nas ruas e nos edifícios que registram tudo o que se passa desde um ponto fixo durante 24 horas por dias e certos celulares podem fazer isso a partir de um sujeito em movimento.
IHU On-Line – Como o senhor descreve esse ambiente tecnológico no qual estamos vivendo hoje?
Eduardo Vizer –
Em primeiro lugar, temos que reconhecer que há ao menos três níveis diferentes, talvez três etapas correspondentes a um processo universal. Primeiro, a maior parte da humanidade – ao menos no mundo pré-industrial – ainda vive em ambientes pré-tecnológicos, ainda que o rádio e a telefonia móvel estejam penetrando e modificando as formas de vida tradicionais.
Numa segunda instância, temos uma maioria que migra das cidades e passa a viver em ambientes tecnológicos correspondentes à era industrial. É a cultura dos meios de massa que paulatinamente cria padrões de modernização social e cultural: o cinema, a televisão, o telefone, etc. É o ambiente tecnológico da emissão que obriga o receptor a prestar atenção de forma fisicamente passiva, ainda que subjetivamente não seja percebido assim no “ambiente escuro” de um cinema ou na intimidade da casa.
Por último, temos setores ainda minoritários que estão começando a viver em ambientes hipermidiatizados pelas TICs. Quando pensamos em rótulos como “Sociedade da Informação” ou “do Conhecimento”, estamos apontando para esses setores “de ponta” onde a digitalização tem se transformado na palavra mágica do ingresso de novas realidades que fundem o virtual com o real, e que, além disso, o realizam.
IHU On-Line – Como esse ambiente vai alterar os modos de ser e estar no mundo?
Eduardo Vizer –
Está é a pergunta de um milhão de dólares. O que sabemos é que as TICs são capazes de construir e redefinir nossas percepções sobre o tempo e o espaço. E sempre vivemos no tempo e no espaço, mas já não são naturais: são construídos por meios e dispositivos técnicos dos quais nos apropriamos para colocá-los a nosso serviço, ainda que, ao fazer isso, também estamos modificando nossas percepções, nossas ações, nossos modos de ver e estar no mundo.
Nossos modos de “estar” no mundo irremediavelmente modificaram nossos modos de “ser”, já que se virtualiza a própria realidade (pensemos no exemplo do Avatar e, por outro lado, pensemos em como se redefine a proposição fenomenológica dos “mundos da vida”). Nossos mundos da vida passam a estar cada dia mais “midiatizados” por dispositivos tecnológicos, pelo processamento da informação, pelos processos de percepção conformados pelo uso e pelos rituais de operação e manipulação dos dispositivos técnicos.

IHU On-Line –
Quais são as ordens e as desordens presentes na trama social atual?
Eduardo Vizer –
Devemos pensar que as tramas, os vínculos sociais são somente um sistema ou domínio semiautônomo. Uma comunidade, um bairro, uma organização, estão inseridos dentro de tramas e relações sistêmicas: físicas, políticas, econômicas e culturais. De modo que a ideia de ordem e desordem são sumamente relativas. Associamos “ordem” à organização, estabilidade, previsibilidade. E é precisamente a entrada em crise de todas essas ideias que nos levam a entender nossas realidades presentes no outro extremo do conceito de ordem: vivemos cada dia em meio de sistemas, contextos e processos marcados pela falta de ordem, de previsibilidade e de estabilidade.
A ordem econômica e financeira, a ordem política, a ordem geopolítica do pós-guerra estão sendo constantemente desafiadas por novas forças: desde os derivativos financeiros que multiplicam a forma virtual por quase 50 o movimento da economia real, às demandas das instituições democráticas mais participativas e o surgimento dos novos centros de poder mundial.
Tudo isto incide sobre a “ordem das tramas sociais”. A vida urbana com suas novas práticas e sociabilidades tendem a instalar a desordem na vida cotidiana como novas formas de lidar com o imprevisível (no trabalho, por exemplo). A desordem e a insegurança passam a ser o preço que pagamos por novas possibilidades e liberdade que temos ganhado. Para conviver com a desordem, precisamos gerar sentido, significados mentais, ideias e certos saberes que nos ajudem a gerar certa previsibilidade, certa estabilidade emocional. Se aplica perfeitamente ao princípio dos construtivistas radicais como Von Foerster [1] ou Maturana [2]: nos vemos na necessidade de gerar formas de ordem a partir da desordem.
IHU On-Line – Podemos dizer que os novos modos de comunicar transformaram a cidadania?
Eduardo Vizer –
Em meu livro A trama (in) visivel da vida social: comunicação, sentido e realidade", abordo precisamente as questões de como se “instituem” as redes, as relações e as práticas produtivas e as políticas (como a questão do poder), a apropriação (e o cultivo) dos espaços e dos tempos na vida cotidiana; como se constituem os vínculos e as representações sociais e culturais nas comunidades e as instituições.
Os modos de viver e comunicar, de cultivar espaços e lugares, de regular os tempos para as diferentes atividades, os modos de construir – e de se opor – ao poder constituído, a absoluta necessidade de estabelecer vínculos, de ser como aranhas numa teia (como mundo da vida). E como essa trama se constitui pela linguagem, pela ação, pelos rituais, pelos imaginários e pelas experiências vividas. As TICs vão aceleradamente estabelecendo-se como mediadoras entre e dentro das redes, entre os atores sociais e entre todas as instâncias mencionadas anteriormente.
Os novos modos de nos comunicarmos são também os novos modos de “ser e estar” no mundo. O conceito de cidadão se refere, sobretudo, à dimensão política do ser e estar no mundo, ao modo de relacionarmos com o Estado e as novas formas de institucionalização dos coletivos sociais. Com o avanço da midiatização social, paulatinamente se vai aceitando a noção do e-Government, as exigências de transparência pública e novas formas institucionalizadas de participação cidadã. Mas não devemos esquecer que a comunicação pública é, sobretudo, um campo de luta de interesses e não um lugar bucólico de inocentes indivíduos que buscam dialogar simetricamente entre eles para chegar à verdade. Lamentavelmente, essa é uma visão ingênua e “habermasiana” de constituição do público. O paradigma subjacente aos discursos “politicamente corretos” de uma visão da democracia como um diálogo entre iguais esconde uma realidade muito mais “darwinista” de constituição do público.

Notas:

[1] Heinz von Foerster foi um cientista austríaco-americano que combinava física com filosofia. Juntamente com Warren McCulloch, Norbert Wiener, John von Neumann, Lawrence J. Fogel, Gregory Bateson, Humberto Maturana, Francisco Varela e outros, von Foerster foi um dos arquitetos da cibernética.
[2] Humberto Maturana é um neurobiologista chileno crítico do Realismo Matemático e criador da teoria da autopoiese e da Biologia do Conhecer, junto com Francisco Varela. Faz parte dos propositores do pensamento sistêmico e do construtivismo radical.

FONTE: SITE www.fndc.org.br

sábado, 7 de maio de 2011

linda homenagem que merece registro

perguntar não ofende

  • Por que tanto rapa pé na tal reinauguração do PV?
  • Por que o preço do ingresso ficou tão caro. O povo não tem direito a futebol?
  • Por que vão fechar o acesso às proximidades do PV. Por que a gente tem carro? 
  • Por sumiram as meias, mesmo com a tal bilhetagem eletrônica?
  • Por que cadeirantes , deficientes e idosos tem acesso limitado? Também não são gente?