quinta-feira, 14 de maio de 2009

novidades ...

Estúdio da Tamoio vai ser instalado no CE
Li na coluna do jornalista Macário Batista, no O Estado: "A Rádio Tamoio do Rio de Janeiro, uma emissora associada há anos comprada pelo saudoso Edson Queiroz vai ter estúdio em Fortaleza. O Rio vai ouvir o Ceará, macho véi".
Post do blog gentedemidia.blogspot.com

O RÁDIO SEMPRE AJUDOU


O rádio cearense sempre esteve à frente de campanhas de solidariedade e este momento é vital para que todos se unam para a melhoria da situação por que passam muitos irmãos nossos que estão sentindo na pele os efeitos de um problema que é ao mesmo tempo natural e social.

É importante nesse momento que locutores, proprietários de rádio e ouvintes desenvolvam ações no sentido de minorar o sofrimento das vítimas das enchentes em nosso Estado. A solidariedade deve ser um ato de todos os cidadãos e a comunicação é decisa para este aspecto.

O papel do rádio neste momento é de incentivar as pessoas a ajudar a quem passa por problemas e sofre com a chuva nos nossos municípios. Em tempos antigos era o rádio que fazia campanhas, divulgava atividades, esclarecia o povo e dava sempre sua ajuda companheira e solidária. O que mudou ? o Rádio ou os interesses de seus supostos proprietários?

UM TEXTO QUE MERECE REFLEXÃO


Se não fosse a imprensa...
Wanderley Pereira

14 Mai 2009 - 01h39min
Depois de muita luta, o Supremo enterrou o entulho autoritário que restava da ditadura contra a imprensa, revogando a Lei de Imprensa, criada há 40 anos pelo regime militar. Um dos juízes que votaram pela revogação, Celso de Mello, disse: “Nada mais nocivo, nada mais perigoso do que a pretensão do estado de regular a liberdade de expressão. O pensamento há de ser livre, permanentemente livre, essencialmente livre.” Para se ter uma ideia da importância dessa liberdade, basta lembrar que foi Deus que deu ao homem o livre-arbítrio, para que tenha a liberdade de pensar, inclusive diferente de Deus, ou mesmo contrariamente. Muita gente não gostou da decisão do Supremo. São os intolerantes, os que têm a imprensa por incômodo, porque precisam do silêncio dela, corrompido ou imposto, para as práticas fraudulentas, lesar o cidadão e a sociedade, usurpar direitos e negligenciar deveres para tirar vantagens. Não fosse a imprensa, os fraudadores e omissos já tinham tomado conta do país. A situação é tão grave que não se adota mais uma providência do interesse público se não for antes denunciada pela imprensa. A imprensa é que está administrando. Para tapar um simples buraco, é preciso que a comunidade recorra à imprensa. Um remédio que o Estado tem o dever de fornecer só o faz por denúncia na imprensa ou ação judicial. Mas os tribunais estão lotados de processos contra a imprensa e jornalistas que denunciam concursos fraudulentos, desvios de dinheiro público, calotes oficiais e todo tipo de corrupção. São recursos à intimidação para calar a imprensa. A julgar pela conivência e omissão das oposições e a mudez do parlamento submisso aos governos, a imprensa ainda é a única tribuna da sociedade. É uma lástima, mas até os buracos que a chuva descobre e agrava, os políticos e maus gestores atribuem a Deus, enquanto recolhem os impostos das populações indefesas para gastar nas próximas eleições.

Wanderley Pereira - Jornalista

uma leitura para análise

Imprensa no limite da credibilidade
Venício A. de Lima e Liziane Guazina (*)
A perda de credibilidade tem sido a causa mais mencionada por analistas de vários matizes teóricos para explicar, em países como os Estados Unidos, a queda continuada na leitura (circulação) da mídia impressa. Condutas antiéticas que vieram à tona contribuíram para isso: a descoberta de reportagens inventadas e a cobertura "oficialista" da invasão do Iraque são dois exemplos emblemáticos.
Dados do Instituto Verificador de Circulação (IVC) e da Associação Nacional de Jornais (ANJ), recentemente divulgados, indicam que, no Brasil, a circulação dos grandes jornais mantém a curva descendente dos últimos anos [ver artigo "O mercado andou de lado", remissão abaixo]. Quais seriam as razões para esse problema entre nós? A competição com outros meios, sobretudo a internet, ao lado da carência de bons profissionais e da falta de novos investimentos – conseqüência da crise financeira que teve origem na década de 1990 – têm sido algumas das razões apresentadas pelas empresas. Apesar das séries históricas das pesquisas de opinião indicarem perda relativa de credibilidade da mídia impressa em relação à mídia eletrônica, poucos a mencionam como outra causa da queda de circulação.
É preciso, todavia, avançar a hipótese de que a perda de credibilidade está se transformando em uma das razões determinantes para a queda de circulação de jornais e revistas também no Brasil. E por que isso acontece?Ironia supremaO tratamento que alguns de nossos principais veículos impressos têm dado a certas questões está tão distante dos padrões mínimos, tanto das técnicas como da ética jornalística, que a hipótese da perda de credibilidade torna-se incontornável. São inúmeros os exemplos que se sucedem a intervalos cada vez mais curtos.
Pesquisa conduzida pelo Observatório Brasileiro de Mídia e pela Universidade de São Paulo, ao longo do processo eleitoral para a Prefeitura de São Paulo em 2004, revelou como a cobertura dos candidatos realizada pelos jornais Agora, Diário de S.Paulo, Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo e o Jornal da Tarde foi desequilibrada, favorecendo de maneira inequívoca a apenas um deles – por coincidência (?), o vencedor.Agora, a revista Veja (edição 1896, de 16/3/2005), com a matéria de capa "Tentáculos das Farc no Brasil", oferece uma contribuição definitiva à coleção de exemplos. Em oito páginas sob o título "Laços explosivos", ilustradas com fotos do exército de "guerrilheiros, terroristas e narcotraficantes", Veja insinua – mas não comprova – uma associação criminosa das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) com o Partido dos Trabalhadores (PT) nas eleições de 2002. Vejamos como isso foi feito.
Os principais trechos graficamente destacados da matéria afirmam:** Documentos secretos guardados nos arquivos da Abin informam que a narcoguerrilha colombiana FARC deu (sic) 5 milhões de dólares a candidatos petistas em 2002.
** Os 5 milhões de dólares saíram de Trinidad e Tobago e entraram no Brasil por intermédio de cerca de 300 empresários amigos do PT, que, por sua vez, doaram o dinheiro aos comitês regionais do partido como se fossem contribuições suas.Na seqüência, uma nova matéria descreve o que são as Farc. A primeira frase afirma:
** A Abin descobriu que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) deram dinheiro para militantes petistas.A se tomar por esses trechos, qualquer leitor acreditou que os "pilares" da objetividade jornalística – que não implica imparcialidade, mas o ritual estratégico de uma apuração independente dos fatos – teria sido preservado intacto. Houve apuração, fontes foram ouvidas e se chegou à conclusão presumida na capa e nos títulos. A aparência formal do que constitui uma matéria jornalística séria estava assegurada.No entanto, apesar das afirmações de Veja destacadas acima – todas estabelecendo uma relação aparentemente lógica entre as Farc e o PT – o corpo da matéria revela uma outra realidade. As citações que se seguem são auto-explicativas:
** A doação financeira é dada como realizada pelos documentos da Abin, mas a investigação de Veja não avançou um milímetro nesse particular.
** A revista não encontrou elementos consistentes para que se faça uma afirmação sobre esse aspecto [se a doação foi apenas uma bravata do padre Olívio Medina].
** Apesar da verossimilhança e da aparência lógica do esquema, é vital ressaltar que, fora os registros feitos pelos espiões da Abin, não foram encontradas evidências sólidas da ajuda financeira da guerrilha da Colômbia.
** Os documentos arquivados na Abin, sucessora do velho SNI do regime militar, são célebres por seus erros e equívocos, motivados em geral pela paranóia anticomunista de seus agentes na época da ditadura. Os papéis que relatam a transação em que as Farc prometem ajuda financeira a candidatos esquerdistas no Brasil também não são imunes a erros.E, por fim, a suprema ironia:
** As suspeitas em torno de ligações do PT com as Farc costumam servir para manipulações políticas, com o objetivo de envolver o partido com um grupo terrorista.Nesse ponto, cabe perguntar: seriam as afirmações da revista reproduzidas acima apenas a explicitação do ponto de vista contraditório que toda matéria jornalística deveria contemplar?
Chamadas sem sustentaçãoGaye Tuchman, velha conhecida dos que estudam a produção de notícias, diz que o uso de certos procedimentos característicos da chamada objetividade jornalística (como o recurso das aspas para uma citação, a apresentação de possibilidades conflitantes ou a estruturação da informação em uma seqüência apropriada) não passa de uma rotina para proteger o jornalista dos riscos da atividade e das críticas.
Estaria a revista apenas tentando evitar processos e acusações em uma matéria sobre tema polêmico? Na verdade, Veja vai muito além. Suas próprias afirmações sobre a inexistência de provas do recebimento do dinheiro; as suspeitas sobre os documentos produzidos pela Abin e até mesmo a confissão de que "a investigação (...) não avançou um milímetro" sobre a existência da doação, colocam em xeque a própria reportagem como texto jornalístico.
Na edição nº 1897 (de 23/3/2005), Veja volta ao assunto. Agora no espaço de seu editorial – "Carta ao leitor" – e em matéria sob o título "Eles sabem tudo". O editorial vangloria-se de ter "forçado" (sic) os petistas a explicitarem sua posição contra as Farc e promete mais sobre o tema. A nova matéria diz que a Abin mente; continua sem revelar a identidade da fonte da informação (o espião) e publica o nome de um coronel ex-funcionário da Abin que teria descumprido um acordo de conceder nova entrevista a Veja após a publicação da primeira reportagem. O espião afirma: "Não sei se o dinheiro foi pago". E o coronel é citado dizendo: "Não podemos afirmar que era o dinheiro da guerrilha mesmo. Eram indícios. Indícios fortes, mas a investigação parou quando o PT ganhou as eleições e eu saí da Abin".Que tipo de jornalismo é esse?
No jargão profissional trata-se de uma "cascata", isto é, os títulos e as chamadas são afirmativas, mas não há nada que as sustente. A matéria foi "esquentada". Não houve qualquer comprovação das afirmações e insinuações do texto. E mais: os supostos documentos relacionados à matéria de Veja exibidos em redes de televisão ao longo da semana – que, aliás, nada comprovariam – tiveram sua autenticidade tecnicamente negada pela própria Abin em nota oficial divulgada na quinta-feira (17/3). A Abin reconhece possuir documentos sobre o suposto envolvimento do PT com as FARC, arquivados porque "sua credibilidade desautorizava sua difusão" (sic).
Princípios básicosA grande mídia deu discreta repercussão à "denúncia" e uma reunião da Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência no Congresso Nacional, pela voz de seu presidente, considerou o assunto encerrado. Os jornalistas norte-americanos Bill Kovach e Tom Rosenstiel, em livro popular no Brasil (Os elementos do jornalismo – O que os jornalistas devem saber e o público exigir, Geração Editorial, São Paulo, 2003), sintetizam, dentro dos padrões liberais da profissão vinculada ao interesse público, alguns elementos constitutivos do fazer jornalístico. Dentre eles estão a obrigação com a verdade, a lealdade para com os cidadãos e a disciplina de verificação, isto é, de apuração da verdade dos fatos. Na apuração, enquanto técnica, deveria se impor a transparência na relação com as fontes; a revelação do interesse delas em fornecer as informações; a comprovação dos fatos e a resistência em acrescentar ilações que não podem ser sustentadas.
Estivesse Veja comprometida com os elementos identificados por Kovach e Rosenstiel seria publicada uma reportagem de capa como essa que estamos discutindo aqui? Será que a revista supõe que seus mais de um milhão de leitores não percebem as contradições da matéria? Ou será que acredita ser este o tipo de jornalismo procurado por seus leitores? Seria essa a Veja "imparcial e apartidária" celebrada nas campanhas publicitárias do final da década de 1990?
Luis Weis, em artigo publicado neste Observatório [edição 320, remissão abaixo], colocou bem a questão. Diz ele:"(...) por que publicar uma antimatéria dessas, ainda mais como capa? Essa pergunta traz de volta [uma outra]: como se deve chamar a matéria de capa da Veja (...)? Para jornalistas sérios, as respostas podem ser várias – algumas delas impublicáveis, talvez. Mas nunca será esta: jornalismo."Por essas e outras é que parte da grande mídia impressa no Brasil, ao ignorar não só as regras elementares do bom jornalismo mas, sobretudo, os princípios básicos da ética jornalística, caminha a passos largos para o limite de sua própria credibilidade. E está inevitavelmente perdendo aquilo que a imprensa deveria prezar, acima de todos os seus inconfessáveis interesses.
(*) Respectivamente, pesquisador sênior do Núcleo de Estudos sobre Mídia e Política (NEMP) da Universidade de Brasília e autor, entre outros, de Mídia: Teoria e Política (Editora Fundação Perseu Abramo, 2ª ed., 2004); e jornalista, pesquisadora do NEMP-UnB e doutoranda em Comunicação pelo PPGCOM da UFRGS
OBSERVATÓRIO DE IMPRENSA n. 321 22/03/2005
SOCIEDADE DE LEITORES

quarta-feira, 13 de maio de 2009

notícia sobre o Congresso de Radiodifusão


Confecom é destaque no Congresso da Radiodifusão
Site ABERT 08.05.2009

A 25ª edição do Congresso Brasileiro de Radiodifusão, que acontece entre os dias 19 e 21 deste mês, em Brasília, promete ser um grande palco de debates sobre o atual cenário do rádio e da TV e as perspectivas dos meios no país. Organizado pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), o Congresso discutirá temas importantes como liberdade de expressão, novas tecnologias, marco regulatório do setor e gestão das empresas. Sob o tema central Radiodifusão: Compromisso com o Brasil, o evento terá sete conferências, oito painéis temáticos e quatro legislativos, e contará com a participação de especialistas, empresários e parlamentares, além de cerca de 1,5 mil radiodifusores de todo o país. Um dos destaques da programação, a Conferência Nacional de Comunicação (CNC) será discutida em uma plenária com a presença do vice-presidente de Relações Institucionais das Organizações Globo, Evandro Guimarães, e dos deputados Paulo Bornhausen (DEM-SC) e Luiza Erundina (PSB-SP), integrantes da Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara dos Deputados. Para Guimarães, que é consultor da Abert, as novas tecnologias e as possibilidades que elas trazem deverão nortear os debates no Congresso e também na CNC. “O essencial é que as discussões apontem para o futuro”, afirma. O executivo considera a CNC uma oportunidade para a “reflexão sobre modelos de comunicação social que valorizem o país, os brasileiros, as empresas brasileiras e, particularmente, o modelo federativo de prestação de serviços”. A deputada Luiza Erundina também acredita que a convergência será tema de destaque na CNC. “A convergência de plataformas tecnológicas exige uma nova legislação para o setor, e a Conferência será fundamental para a definição de novos rumos.” Para a deputada, será importante debater a realidade da comunicação, pela primeira vez, com a participação de governos, sociedade civil e setor empresarial. Na opinião de Bornhausen, a Confecom deverá discutir, por exemplo, a regulamentação do artigo 223 da Constituição, que trata da complementariedade entre os sistemas privado, público e estatal de radiodifusão. Presidente da Frente Parlamentar Mista de Radiodifusão, ele destaca o “equilíbrio” do Minicom ao organizar o comitê organizador da conferência. “A sociedade brasileira pode se sentir plenamente representada neste debate", avalia. A Conferência nacional acontecerá entre os dias 1 e 3 de dezembro, em Brasília, após as pré-conferências e plenárias programadas nos Estados e municípios.

a responsabilidade da mídia



A responsabilidade social da mídia

Venício Lima - Agência Carta Maior 31.03.2009

No Brasil, os empresários de mídia continuam a defender seus interesses como se estivéssemos nos tempos da velha doutrina liberal (que, de fato, nunca vivemos). O discurso da liberdade de imprensa e da autoregulação praticado no Brasil é historicamente anterior ao trabalho da Hutchins Commission, de 1947.Há 62 anos, em 27 de março de 1947, era publicado nos Estados Unidos o primeiro volume que resultou do trabalho da Hutchins Commission – “A free and responsible press” (Uma imprensa livre e responsável). A Comissão, presidida pelo então reitor da Universidade de Chicago, Robert M. Hutchins, e formada por 13 personalidades dos mundos empresarial e acadêmico, foi uma iniciativa dos próprios empresários e foi por eles financiada.Criada em 1942 como resposta a uma onda crescente de críticas à imprensa, a Comissão tinha como objetivo formal definir quais eram as funções da mídia na sociedade moderna. Na verdade, diante da crescente oligopolização do setor e da formação das redes de radiodifusão (networks), se tornara impossível sustentar a doutrina liberal clássica de um mercado de idéias (a marketplace of ideas) onde a liberdade de expressão era exercida em igualdade de condições pelos cidadãos. A saída foi a criação da “teoria da responsabilidade social da imprensa”. Centrada no pluralismo de idéias e no profissionalismo dos jornalistas, acreditava-se que ela seria capaz de legitimar o sistema de mercado e sustentar o argumento de que a liberdade de imprensa das empresas de mídia é uma extensão da liberdade de expressão individual.Em países europeus, com forte tradição de uma imprensa partidária, no entanto, a teoria da responsabilidade social enfrentou sérias dificuldades e a doutrina liberal clássica teve que se ajustar à implantação de políticas públicas que regulassem o mercado e estimulassem a concorrência.Responsabilidade SocialA responsabilidade social tem sua origem associada à filosofia utilitarista que surge na Inglaterra e nos Estados Unidos no século XIX, de certa forma derivada das idéias de Jeremy Bentham (1784-1832) e John Stuart Mill (1806-1873).Nos anos pós Segunda Grande Guerra, a responsabilidade social se constituiu como um modelo a ser aplicado às empresas em geral e às empresas jornalísticas estadunidenses, em particular, e começou a ser introduzido através de códigos de auto-regulação estabelecidos para o comportamento de jornalistas e de setores como rádio e televisão. O modelo está, portanto, historicamente vinculado aos interesses dos grandes grupos de mídia.A responsabilidade social se baseia na crença individualista de que qualquer um que goze de liberdade tem certas obrigações para com a sociedade, daí seu caráter normativo. Na sua aplicação à mídia, é uma evolução de outra teoria da imprensa – a teoria libertária – que não tinha como referência a garantia de um fluxo de informação em nome do interesse público. A teoria da responsabilidade social, ao contrário, aceita que a mídia deve servir ao sistema econômico e buscar a obtenção do lucro, mas subordina essas funções à promoção do processo democrático e a informação do público (“o público tem o direito de saber”).Para responder às críticas que a imprensa recebia, a Hutchins Commission resumiu as exigências que os meios de comunicação teriam de cumprir em cinco pontos principais:(1) propiciar relatos fiéis e exatos, separando notícias (reportagens objetivas) das opiniões (que deveriam ser restritas às páginas de opinião);(2) servir como fórum para intercâmbio de comentários e críticas, dando espaço para que pontos de vista contrários sejam publicados;(3) retratar a imagem dos vários grupos com exatidão, registrando uma imagem representativa da sociedade, sem perpetuar os estereótipos;(4) apresentar e clarificar os objetivos e valores da sociedade, assumindo um papel educativo; e por fim,(5) distribuir amplamente o maior número de informações possíveis.Esses cinco pontos se tornariam a origem dos critérios profissionais do chamado 'bom jornalismo' – objetividade, exatidão, isenção, diversidade de opiniões, interesse público – adotado nos Estados Unidos e “escrito” nos Manuais de Redação de boa parte dos jornais brasileiros.Liberdade de imprensa vs. responsabilidade da imprensaAnalistas estadunidenses consideram que a Hutchins Commision talvez tenha sido a responsável por uma mudança fundamental de paradigma no jornalismo: da liberdade de imprensa para a responsabilidade da imprensa. Teria essa mudança de paradigma de fato ocorrido?No Brasil, certamente, os empresários de mídia continuam a defender seus interesses como se estivéssemos nos tempos da velha doutrina liberal (que, de fato, nunca vivemos). O discurso da liberdade de imprensa e da autoregulação praticado no Brasil é historicamente anterior à Hutchins Commission. Basta que se considere, por um lado, a concentração da propriedade e a ausência de regulação na mídia e, por outro, as enormes dificuldades que enfrenta até mesmo o debate de temas e projetos com potencial de alterar o status quo legal.Um exemplo contemporâneo são as resistências – que já se manifestam – em relação à realização da 1ª. Conferência Nacional de Comunicações. As recomendações da Hutchins Commission, se adotadas pelos grupos de mídia no Brasil, representariam um avanço importante. Para nós, a teoria da responsabilidade social da imprensa permanece atual, mesmo 62 anos depois.