quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

IMPRESSÕES SOBRE O AMIGO RÁDIO

A comunicação pelo rádio é incontrolável, parece um sonho

24/11/10
A singularidade do rádio como veículo de comunicação reside no fato de que é o ouvinte quem faz a cena. É o ouvinte quem cria, a partir do que ouve, o cenário do que está sendo dito, sugerido ou representado. O locutor, o repórter, o ator ou mesmo o cantor, são meros deflagradores de um processo que está na cabeça, na imaginação de cada um. Por isso, o resultado da comunicação pelo rádio é incontrolável. Ela é sempre mágica, volitiva, etérea, uma quimera – quase celestial. Essa característica imponderável do rádio entre nós brasileiros parece ter vindo das primeiras experiências com as transmissões de sinais – como o código Morse – e da voz humana. É bom lembrar que entre os inventores do rádio como ainda hoje o conhecemos consta a participação de um padre brasileiro: o padre Roberto Landell de Moura. O insólito é que ele pagou caro pelo “pecado” de ter inventado um equipamento, que embora rudimentar, levava a voz humana e outros sons a distâncias consideráveis sem ter nenhuma conexão física entre um ponto e outro.
A Igreja Católica e o governo Federal da época (final do século XIX), embora não oficialmente, em uníssonos manifestaram seu espanto ignorante atribuindo ao padre-cientista pactos ocultos como demônio. Com isso o governo retardou as patentes requeridas para reconhecimento das experiências para invenção do rádio e a igreja calou o padre.
Com a atitude refratária dos mentores da fé do religioso e do governo que deveria defender seus direitos, o Brasil perdeu a prioridade no reconhecimento da invenção do rádio que então foi atribuída ao pesquisador italiano Guglielmo Marconi por ter documentação referente às suas descobertas.
Landell de Moura com a pecha de louco e bruxo foi para os Estados Unidos onde finalmente conseguiu patentear suas descobertas. “Sendo morador de um país ainda essencialmente agrário, Landell acabou não conseguindo a projeção e o patrocínio necessários para fabricar comercialmente o seu invento. Desanimado com o resultado de seu esforço intelectual, acabou indo para os Estados Unidos a fim de patentear seus inventos transmissores de informação e voz. Em outubro de 1902, o jornal norte-americano “The New York Herald” falou de seus inventos e realizou uma entrevista com o clérigo brasileiro” (Site História do Mundo).
Ao voltar para o Brasil, o padre-cientista retoma os contatos com o governo Federal para financiar os protótipos que havia desenvolvido, mas uma vez mais foi vencido. “Em 1905 o Padre Roberto Landell soube que o presidente Rodrigues Alves disponibilizara dois navios da esquadra brasileira para publicamente demonstrar a transmissão de voz sem fios, porém mandou um de seus assessores que não pôs fé no seu invento, e ainda o caluniou de lunático. Um dia após o encontro, Landell recebe um telegrama do presidente Rodrigues Alves cancelando a demonstração sem maiores explicações”.(Site História da Comunicação no Brasil).
Roberto Landell de Moura abandonou a pesquisa e recolheu-se às atividades religiosas.
No dia 21 de janeiro de 2011 estaria fazendo 100. Por enquanto, o único ato público anunciado é a homenagem que um grupo de admiradores ligados ao radioamadorismo e à radiodifusão vão fazer ao inventor. Entre os organizadores está o radioamador e pesquisador “Ivan Dorneles Rodrigues, fundador do Memorial Landell de Moura. Ele reuniu em local de sua propriedade, no bairro Menino Deus, em Porto alegre, um vasto acervo sobre o religioso. Entre os itens em exposição estão jornais antigos, livros, documentos e uma réplica do transmissor de ondas patenteado por Landell de Moura no Estados Unidos”. (Site Caros Ouvintes).
Refletindo sobre a falta de reconhecimento ao pioneirismo de Landell de Moura e o pouco caso com que continuamos vendo o rádio, percebe-se que a comunicação por esse meio vai continuar sendo incontrolável, enquanto for tratada como um sonho incompatível com a realidade. 
Retirado do site www.carosouvintes.org.br

UM BOM NOME DO RÁDIO - BEM INFORMADO E HUMILDE ACIMA DE TUDO.

Eliomar de LimaEliomar de Lima

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

POR QUE O RÁDIO É BOM...

O Rádio tem grandes contribuições para um processo de formação dos indivíduos e para a discussão dos problemas reais e imediatos da população. Assim, os programas de rádio devem ter em sua essência momentos que oportunizem a discussão real dos problemas da comunidade e fortalecer plenamente a formação e concretização da cidadania ativa.
Nesse processo é preciso que haja sempre uma programação pautada em visões plenas de melhoria da sociedade evocando temas que estejam de acordo com as necessidades do povo e fortaleça suas demandas. O rádio tem papel primordial na concretização de idéias que tenham como ponto de partida a satisfação dos interesses dos ouvintes dando – lhes oportunidades de discutir a realidade e tentar transforma – la. 

rádio e Gonzagão.

RÁDIOS NO INTERIOR RELEMBRAM GONZAGÃO

veja esta opinião - importãncia do rádio na educação

THIAGO 08.12.10 | 09:48
os professores não podem se limitar ao ensino baseado somente nos livro didáticos, outras fontes de informação devem ser exploradas, como os meios de comunicação, onde o rádio desenvolve um importante papel.
Publicado originalmente no blog educação do povo on line.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

para lembrar o grande poeta e músico NOEL ROSA

iDEIAS

Noel Rosa

13/12/2010Neste dezembro, completa-se e se contempla o primeiro centenário de Noel Medeiros Rosa. Um meu quase colega. Um viajador de sonho. Um verso suave. De moldura fácil. Lírico como o riso ou como o acalanto. De prosa mais elevada que o Lupicínio. Mais barroca e mais bem burilada. Porém de quase chão. Terno. Simples. Deixava-se ir pela poesia que debruçava-se sobre si. Nasceu ao Natal achegar-se. Daí o nome Noel (Natal é Noel em francês). Oriundo de uma família de classe média alta, foi aluno do Colégio São Bento do Rio de Janeiro.

Enquanto tinha a poesia escorrendo, líquida, veio de um doloroso nascimento. De um curso pleno de tropeços. Ao nascer teve como assistente, um estudante de medicina, que temeu pela sua vida. Temeroso da vida da mãe e do nascituro, apressadamente se valeu do seu professor. Mesmo assim, Noel, teve um fórceps alto, extremamente complicado. Teve sua mandíbula esmagada. E levou consigo a tortura do nascimento. O livro de João Máximo e Carlos Didier, uma preciosidade, insiste no Noel desatento aos seus estudos. Gênio não precisa estudar tanto.

Talentoso, divinizou e qualificou o canto maior nosso: o samba. O samba desceu do morro, e foi para o asfalto com a genialidade do feitiço da vila. Noel navegou na poesia, na musica e na crônica, como diz Sergio Cabral. Parceiro de Lamartine Babo, passeou do carnaval à dor machucada de cotovelo. Mas quando Noel insiste em anatomia é um desastre. Fala de veia aorta. Fala de coração, órgão propulsor e transformador de sangue venoso para sangue arterial. Noel jamais seria brilhante na medicina. Ciente disto, abandonou a faculdade, para desgosto de seus pais. Fez bem. Teríamos um médico medíocre e perderíamos um compositor fantástico. Talentoso. Criativo. Harmonioso. Verso doce. Naufraga com suavidade, embelezando uma poesia simples e maviosa.

Abatido pela tuberculose, Noel, morreu tão precocemente. Golfadas de sangue, o levaram a se valer de Belo Horizonte. Anos depois a poesia musical viu nascer Chico Buarque. Chico, o celebre, Noel é imensamente encantador.

José Maria Bonfim de Morais - cardiologista

O HOMEM DO BAÚ

Silvio Santos – 80 anos

“Fortaleza nem bem tinha conhecido a televisão quando São Paulo viu, pela primeira vez, na TV Paulista (atual Rede Globo), a imagem do locutor que desde os 14 anos de idade entoava sua voz nas rádios cariocas e paulistas. Em 1961, Silvio Santos iniciava sua história na televisão brasileira apresentando o programa Vamos brincar de forca, que em pouco tempo viraria uma febre televisiva. Era o primeiro passo de uma relação que tomaria dimensões, ate então, inimagináveis e que duraria até os dias de hoje. Chegando aos 80 anos neste domingo, a história de vida do apresentador batizado Senor Abravel se mistura à própria história da televisão brasileira e confunde o telespectador sobre o que é o homem e o que é personagem.
Até tornar-se o homem que faz aviõezinhos de dinheiro, o caminho foi longo e marcado por um dom especial para os negócios encontrado em poucos. Nascido em 12 de dezembro de 1930, no boêmio bairro da Lapa, no Rio de Janeiro, Senor Abravanel é o filho primogênito de Rebeca e Alberto Abravanel, um casal de imigrantes que se conheceu na capital carioca. Pai de seis filhas, o hoje Silvio Santos está casado pela segunda vez. Da primeira relação, com Maria Aparecida (Cidinha) – que morreu de câncer em 1977 – vieram Cíntia e Sílvia. Com a segunda esposa, Íris Abravanel, com quem é casado há mais de 30 anos, teve Daniela, Patrícia, Rebecca e Renata.
O codinome Silvio, segundo conta na biografia A fantástica história de Sílvio Santos, de Arlindo Silva, surgiu depois que o pai tentou registrá-lo com o nome de Dom, que para seu Alberto significava “senhor”. O nome, no entanto, não foi permitido e o pai decidiu pelo Senor Abravanel, que parecia com senhor. A mãe nunca aceitou esse nome e só lhe chamava de Sílvio. Um dia, durante a inscrição para um show de calouros, perguntaram-lhe o nome e ele respondeu “Silvio”. E sobrenome? “Santos, porque os santos ajudam”. A previsão estava certa.
Das ruas aos estúdios
Silvio cresceu vendo o pai tentar comercializar bugigangas para sustentar a família. E viu também quando ele perdeu tudo no jogo. Foi aí que o já falante e inquieto rapaz, então com 14 anos, se afastou da Escola de Contabilidade Santo Amaro Cavalcanti e foi “se virar”pela avenida Rio Branco, no Centro do Rio. Começou vendendo capinhas para título de eleitor. Viu um ambulante mais velho com os objetos e decidiu imitá-lo. Comprou duas capinhas e saiu dizendo que era a última. Vendeu. Repetiu a tática e voltou a vender tudo. “Dizem até que a moeda de 2 cruzeiros com a qual comprei a minha primeira carteirinha foi a moeda do Tio Patinhas”, brinca o apresentador.
Mas o dinheiro de verdade veio com a venda de canetas. Até números de mágica com moedas e baralhos ele passou a fazer para chamar atenção dos clientes. Em pouco tempo, Sílvio ganhava, por dia, o referente a cerca de cinco salários mínimos da época, trabalhando apenas das 11h ao meio-dia, horário de almoço do funcionário que fiscalizava os ambulantes. Um dia, ele perdeu a hora e o rapa bateu. Ao invés de levá-lo preso, o diretor de fiscalização da prefeitura entregou-lhe um cartão para que procurasse emprego de locutor na Rádio Guanabara. Ele foi, deu certo, mas um mês depois voltou a ser camelô.
A saída definitiva das ruas só viria com o ingresso no exército, com 18 anos, pois se o “rapa pegasse”, a cana militar seria mais dura. Na mesma época, voltou a ser locutor, desta vez, na Rádio Continental, em Niterói, para onde se dirigia de barca. Começava ali uma nova e promissora fase da vida do futuro empresário e apresentador, que, saído do comércio das ruas, construiu um império de mais de 30 empresas, entre as quais está o famoso Sistema Brasileiro de Televisão (SBT).
Aos 80 anos e com uma vitalidade invejável, Silvio Santos carrega uma história de superação e coragem que desde o mês passado vem sendo posta à prova de fogo. O empresário tenta reverter um rombo de R$ 2,5 bilhões causado por fraudes no banco PanAmericano, pertencente ao Grupo Silvio Santos. O empresário deu como garantia para obter empréstimo do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) praticamente todo seu patrimônio empresarial. Entraram 44 empresas subordinadas à holding SS Participações, entre elas o SBT, sua participação no banco PanAmericano, a Jequiti, a Liderança Capitalização e o Baú da Felicidade. Muitos acreditam que desta vez seja a falência definitiva do empresário. Mas, hoje é um novo ano que começa para Silvio.”
(O POVO – Vida & Arte) - RETIRADO DO BLOG DO ELIOMAR