quarta-feira, 13 de maio de 2009

notícia sobre o Congresso de Radiodifusão


Confecom é destaque no Congresso da Radiodifusão
Site ABERT 08.05.2009

A 25ª edição do Congresso Brasileiro de Radiodifusão, que acontece entre os dias 19 e 21 deste mês, em Brasília, promete ser um grande palco de debates sobre o atual cenário do rádio e da TV e as perspectivas dos meios no país. Organizado pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), o Congresso discutirá temas importantes como liberdade de expressão, novas tecnologias, marco regulatório do setor e gestão das empresas. Sob o tema central Radiodifusão: Compromisso com o Brasil, o evento terá sete conferências, oito painéis temáticos e quatro legislativos, e contará com a participação de especialistas, empresários e parlamentares, além de cerca de 1,5 mil radiodifusores de todo o país. Um dos destaques da programação, a Conferência Nacional de Comunicação (CNC) será discutida em uma plenária com a presença do vice-presidente de Relações Institucionais das Organizações Globo, Evandro Guimarães, e dos deputados Paulo Bornhausen (DEM-SC) e Luiza Erundina (PSB-SP), integrantes da Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara dos Deputados. Para Guimarães, que é consultor da Abert, as novas tecnologias e as possibilidades que elas trazem deverão nortear os debates no Congresso e também na CNC. “O essencial é que as discussões apontem para o futuro”, afirma. O executivo considera a CNC uma oportunidade para a “reflexão sobre modelos de comunicação social que valorizem o país, os brasileiros, as empresas brasileiras e, particularmente, o modelo federativo de prestação de serviços”. A deputada Luiza Erundina também acredita que a convergência será tema de destaque na CNC. “A convergência de plataformas tecnológicas exige uma nova legislação para o setor, e a Conferência será fundamental para a definição de novos rumos.” Para a deputada, será importante debater a realidade da comunicação, pela primeira vez, com a participação de governos, sociedade civil e setor empresarial. Na opinião de Bornhausen, a Confecom deverá discutir, por exemplo, a regulamentação do artigo 223 da Constituição, que trata da complementariedade entre os sistemas privado, público e estatal de radiodifusão. Presidente da Frente Parlamentar Mista de Radiodifusão, ele destaca o “equilíbrio” do Minicom ao organizar o comitê organizador da conferência. “A sociedade brasileira pode se sentir plenamente representada neste debate", avalia. A Conferência nacional acontecerá entre os dias 1 e 3 de dezembro, em Brasília, após as pré-conferências e plenárias programadas nos Estados e municípios.

a responsabilidade da mídia



A responsabilidade social da mídia

Venício Lima - Agência Carta Maior 31.03.2009

No Brasil, os empresários de mídia continuam a defender seus interesses como se estivéssemos nos tempos da velha doutrina liberal (que, de fato, nunca vivemos). O discurso da liberdade de imprensa e da autoregulação praticado no Brasil é historicamente anterior ao trabalho da Hutchins Commission, de 1947.Há 62 anos, em 27 de março de 1947, era publicado nos Estados Unidos o primeiro volume que resultou do trabalho da Hutchins Commission – “A free and responsible press” (Uma imprensa livre e responsável). A Comissão, presidida pelo então reitor da Universidade de Chicago, Robert M. Hutchins, e formada por 13 personalidades dos mundos empresarial e acadêmico, foi uma iniciativa dos próprios empresários e foi por eles financiada.Criada em 1942 como resposta a uma onda crescente de críticas à imprensa, a Comissão tinha como objetivo formal definir quais eram as funções da mídia na sociedade moderna. Na verdade, diante da crescente oligopolização do setor e da formação das redes de radiodifusão (networks), se tornara impossível sustentar a doutrina liberal clássica de um mercado de idéias (a marketplace of ideas) onde a liberdade de expressão era exercida em igualdade de condições pelos cidadãos. A saída foi a criação da “teoria da responsabilidade social da imprensa”. Centrada no pluralismo de idéias e no profissionalismo dos jornalistas, acreditava-se que ela seria capaz de legitimar o sistema de mercado e sustentar o argumento de que a liberdade de imprensa das empresas de mídia é uma extensão da liberdade de expressão individual.Em países europeus, com forte tradição de uma imprensa partidária, no entanto, a teoria da responsabilidade social enfrentou sérias dificuldades e a doutrina liberal clássica teve que se ajustar à implantação de políticas públicas que regulassem o mercado e estimulassem a concorrência.Responsabilidade SocialA responsabilidade social tem sua origem associada à filosofia utilitarista que surge na Inglaterra e nos Estados Unidos no século XIX, de certa forma derivada das idéias de Jeremy Bentham (1784-1832) e John Stuart Mill (1806-1873).Nos anos pós Segunda Grande Guerra, a responsabilidade social se constituiu como um modelo a ser aplicado às empresas em geral e às empresas jornalísticas estadunidenses, em particular, e começou a ser introduzido através de códigos de auto-regulação estabelecidos para o comportamento de jornalistas e de setores como rádio e televisão. O modelo está, portanto, historicamente vinculado aos interesses dos grandes grupos de mídia.A responsabilidade social se baseia na crença individualista de que qualquer um que goze de liberdade tem certas obrigações para com a sociedade, daí seu caráter normativo. Na sua aplicação à mídia, é uma evolução de outra teoria da imprensa – a teoria libertária – que não tinha como referência a garantia de um fluxo de informação em nome do interesse público. A teoria da responsabilidade social, ao contrário, aceita que a mídia deve servir ao sistema econômico e buscar a obtenção do lucro, mas subordina essas funções à promoção do processo democrático e a informação do público (“o público tem o direito de saber”).Para responder às críticas que a imprensa recebia, a Hutchins Commission resumiu as exigências que os meios de comunicação teriam de cumprir em cinco pontos principais:(1) propiciar relatos fiéis e exatos, separando notícias (reportagens objetivas) das opiniões (que deveriam ser restritas às páginas de opinião);(2) servir como fórum para intercâmbio de comentários e críticas, dando espaço para que pontos de vista contrários sejam publicados;(3) retratar a imagem dos vários grupos com exatidão, registrando uma imagem representativa da sociedade, sem perpetuar os estereótipos;(4) apresentar e clarificar os objetivos e valores da sociedade, assumindo um papel educativo; e por fim,(5) distribuir amplamente o maior número de informações possíveis.Esses cinco pontos se tornariam a origem dos critérios profissionais do chamado 'bom jornalismo' – objetividade, exatidão, isenção, diversidade de opiniões, interesse público – adotado nos Estados Unidos e “escrito” nos Manuais de Redação de boa parte dos jornais brasileiros.Liberdade de imprensa vs. responsabilidade da imprensaAnalistas estadunidenses consideram que a Hutchins Commision talvez tenha sido a responsável por uma mudança fundamental de paradigma no jornalismo: da liberdade de imprensa para a responsabilidade da imprensa. Teria essa mudança de paradigma de fato ocorrido?No Brasil, certamente, os empresários de mídia continuam a defender seus interesses como se estivéssemos nos tempos da velha doutrina liberal (que, de fato, nunca vivemos). O discurso da liberdade de imprensa e da autoregulação praticado no Brasil é historicamente anterior à Hutchins Commission. Basta que se considere, por um lado, a concentração da propriedade e a ausência de regulação na mídia e, por outro, as enormes dificuldades que enfrenta até mesmo o debate de temas e projetos com potencial de alterar o status quo legal.Um exemplo contemporâneo são as resistências – que já se manifestam – em relação à realização da 1ª. Conferência Nacional de Comunicações. As recomendações da Hutchins Commission, se adotadas pelos grupos de mídia no Brasil, representariam um avanço importante. Para nós, a teoria da responsabilidade social da imprensa permanece atual, mesmo 62 anos depois.

ELES SÃO ASSIM MESMO...E NÓS???



MÍDIA & LEGISLATIVO


Deputado se lixa para o povo e para a imprensa
Por Ubiratan Pires Ramos em 12/5/2009
O relator do processo por quebra de decoro parlamentar contra o deputado Edmar Moreira (sem partido-MG), deputado Sérgio Moraes (PTB-RS), afirmou à imprensa que seu parecer vai defender o arquivamento do processo. Essa precipitada e, acima de tudo, inconveniente declaração, motivou indagações da imprensa em busca de esclarecimentos do deputado sobre seu posicionamento. Respondendo aos jornalistas, o deputado Sérgio Moraes disse que sustentaria o arquivamento em face da consistência da defesa entregue pelo deputado. A defesa do deputado Edmar Moraes consiste basicamente na seguinte argumentação: "Inexistia à época qualquer norma que proibisse o uso da verba indenizatória para ressarcir gastos em empresas do próprio parlamentar. Como também não existia regulamentação para transferência das passagens aéreas a familiares."
Ao ser questionado se não temia a repercussão de seu parecer no seio da opinião pública, o relator reagiu de forma destemperada: "Estou me lixando para a opinião pública. Até porque parte da opinião pública não acredita no que vocês escrevem. Vocês batem, mas a gente se reelege."
Percebendo a mancada que dera no dia anterior (06/05), o relator, discursando no plenário da Câmara, disse que suas declarações não eram contra a opinião pública, mas sim, contra a manipulação da mídia, que usa seu espaço de forma tendenciosa e que no caso do deputado Edmar Moreira quer que ele avalize as mentiras por ela veiculadas. Justificando suas desconfianças da lisura do noticiário da imprensa, chamou a atenção do presidente da sessão para o fato de que o "castelo Monalisa" já existia antes de o deputado Edmar Moreira passar a fazer parte da Câmara dos Deputados. Quando da entrevista, já insinuara ser a imprensa tendenciosa: "O bonito para a imprensa é o Fernando Gabeira que, quando pegaram ele com passagens, ele chamou vocês para pedir desculpas e todos se emocionaram."
"Boi de piranha"
A imprensa está colhendo o que plantou. Nesse imbróglio todo – verbas indenizatórias, cotas de passagens aéreas etc. –, a mídia vem sendo complacente com certas personalidades. No meio político, não existem ingênuos. Não podemos, pois, deixar de dar razão ao deputado Sérgio Moraes nesse particular. Não há por que se emocionar pelo fato de deputados e senadores devolverem cotas de passagens aéreas e verbas indenizatórias que só hoje reconhecem ter usado indevidamente. Não estão promovendo qualquer gesto de nobreza. Estão, sim, devolvendo o que não lhes pertencia e se apropriaram indevidamente. Portanto, não se justifica que se dê tratamento diferenciado a quem não é diferente.
Volta e meia, a imprensa divulga nomes de políticos que nem pelo alto imaginaríamos terem incorrido nos mesmos erros em que incorreu o deputado Edmar Moreira. Divulgados seus nomes, tomam espaço e, quando não se valem dos mesmos infundados argumentos da defesa do deputado Edmar Moreira, se comprometem, sob tímido protesto, a devolverem o que usaram indevidamente. Nada mais do que esses parlamentares cometeram cometeu o deputado processado. Pesou em seu desfavor o fato de ser proprietário do "castelo Monalisa", o qual omitiu em sua declaração de renda, e que, a princípio, ensejaria discussões no âmbito fiscal.
Mas a imprensa, diante da suntuosidade da construção, deu a dimensão que deu ao fato, provocando uma verdadeira comoção social. Forçados, pois, somos a concordar com o deputado Sérgio Moraes: querem transformar o deputado Edmar Moreira em "boi de piranha".
Vantagens indevidas
A imprensa carrega consigo uma enorme responsabilidade social. É ela a interlocutora do povo; a ele, povo, deve informações fidedignas. Essa condescendência da mídia com certas figuras políticas pode levá-lo a crer que essas pessoas são diferenciadas, quando na realidade são iguais.
Ao povo a justiça impõe o conhecimento da regra básica de direto de que "a ninguém é dado o direito de desconhecer a lei". Não se admite, pois, que aos deputados e senadores se conceda o direito de desconhecer a Carta Legal Maior do País. O presidente da Câmara, deputado Michel Temer, disse o seguinte impropério: "Não houve prática ilícita no passado porque as normas não eram claras." Seguiram-no tantos e tantos outros parlamentares. O deputado Michel Temer foi constituinte de 1988. Inimaginável, pois, é que ele desconheça o texto que ajudou a elaborar. Só se pode admitir como argumento "pilantropista". A imprensa a tudo assistiu e acatou como se verdade fosse. E no seu silêncio o povo absorve essa excrescência como expressão da verdade. Peca a imprensa. Deveria se fazer municiar de argumentos para rebater essas falsas afirmações.
Não é verdade que inexistia norma que proibisse o uso indevido de verbas indenizatórias e cotas de passagens aéreas. E se verdade fosse, é mais certo que inexistia norma que autorizasse disposição do dinheiro do contribuinte de forma indevida. O mais leigo dos brasileiros sabe que o invocado Regimento Interno da Câmara dos Deputados é diploma legal hierarquicamente muito inferior à Constituição da República Federativa do Brasil – nossa Lei Maior (o mesmo se aplica ao Regimento Interno do Senado Federal). Reza o art. 55 da nossa Carta Magna: "Perderá o mandato o deputado ou senador: ...; II – cujo procedimento for declarado incompatível com o decoro parlamentar; ... § 1º – É incompatível com o decoro parlamentar, além dos casos definidos no regimento interno, o abuso das prerrogativas asseguradas a membro do Congresso Nacional ou a percepção de vantagens indevidas" (grifo nosso).
Uma Faculdade de "Pilantropia"
Entendem-se como vantagens indevidas aquelas não autorizadas por lei. O dinheiro público é para ser gasto no interesse público. Mas o "ilustre" relator, a quem acompanha o presidente da Câmara, com isso não comunga. Em flagrante desrespeito ao contribuinte-eleitor, que recolhe tributos aos cofres públicos à custa de muito suor – suor que eles, parlamentares, só despendem quando se vêm acuados, obrigados a justificar suas falcatruas perante a opinião pública – asseverou: "O que não é proibido, podia até ser permitido. A verba indenizatória é dele, ele faz o que quiser com ela...."
Ledo engano do deputado-relator conivente com as pilantragens do deputado Edmar Moreira. A verba indenizatória não é propriedade do parlamentar. É quantia que lhe é posta à disposição para se ver ressarcido, "na justa medida", dos gastos por ele efetivamente despendidos na defesa dos interesses dos eleitores-contribuintes. Portanto, se o quanto despendeu é de valor inferior, a sobra da verba deve ser restituída a quem de direito, para ser empregada em novas ações de interesse público. Quando a Constituição veda a percepção de vantagens indevidas está, ao mesmo tempo, dizendo que só é permitida a percepção de vantagens legalmente autorizadas.
Partindo da linha do perverso e mal intencionado raciocínio do deputado Sérgio Moraes, não poderíamos deixar de concluir que se o parlamentar quiser dispor das verbas indenizatórias para a consecução de fins ilícitos poderia muito bem fazê-lo, e sem que ninguém pudesse a isso se opor. Mas o povo não lhe outorga mandato para isso, mas, sim – na presunção de ser ele idôneo –, para em seu nome agir em defesa de seus lídimos interesses. Soubessem os eleitores que certos parlamentares eram possuidores dos predicados que agora afloram, certamente não lhes confeririam o direito de representá-los. Ingênuos, já dissemos, esses parlamentares que se defendem com esses inconcebíveis argumentos não são. Só podemos admitir que sejam moralmente deformados. Lamentavelmente, somos obrigados a reconhecer que o Parlamento brasileiro é uma verdadeira Faculdade de "Pilantropia".
"E os outros 512?"
O quanto aqui dizemos com relação à verba indenizatória se aplica, sem qualquer restrição, às quotas de passagens aéreas. As quotas não utilizadas no exercício do múnus que cabe ao parlamentar devem ser devolvidas a quem de direito para serem aproveitadas oportunamente; tudo pelo recomendado zelo pelo patrimônio público. No campo do Direito Público não cabe o princípio "pilantropicamente" invocado pelo senhor relator de que "o que não é proibido é permitido". A disponibilidade de direito público exige expressa autorização legal.
A decisão do deputado-relator, acreditamos, não surpreende nem os mais incautos. Agora só esperamos que apareça um antiético que tenha hombridade (hombridade em antiético?), não, melhor dizendo, que tenha coragem de propor a mudança do nome do grupelho para Conselho Antiética, isso só para satisfazer o ego daqueles que se sentem prestigiados, honrados, em fazer parte de um conselho, mesmo que este só sirva para referendar atos incompatíveis com o decoro parlamentar, que é o que temos visto, tanto no "senado" como na "câmara". Assim não ficaríamos na esperança de algum dia ver uma decisão ética.
A bem da verdade, hoje, na sua atual composição, o que já não se justifica é a existência da própria Câmara dos Deputados. Não estamos fazendo afirmação leviana. Vejam o que disse, na entrevista retro referida, o deputado Sérgio Moraes: "Se temos 513 deputados e só um é investigado, então ele é boi de piranha. E os outros 512 deputados, além do Edmar? Tem muita gente [deputados] dona de posto de gasolina que até a semana passada abastecia nos seus postos. Eu acho que isso é moral, sim. Qual o problema de você usar sua verba em um posto de gasolina, se ele cobra preço da tabela?"

Óleo de peroba

Ao nobre deputado-relator-"jurisconsulto" assiste razão se os deputados proprietários de postos de combustíveis estiverem comprando o produto comedidamente, ou seja, na medida de suas necessidades. Não só é moral, como legal. Mas ele deixa transparecer que os deputados empresários de postos se conduzem da mesma forma que seu cliente, melhor dizendo, que seu colega Edmar Moreira, ou seja, no mínimo, abastecendo mais do que o suficiente para suprir as necessidades normais, fazendo não sabemos o que do combustível excedente, ou, no máximo, não abastecendo e pegando nota fria. Em ambos os casos, pois, obtendo vantagens indevidas. Se destas últimas formas procedem, estão, como seu coleguinha, incorrendo em quebra do decoro parlamentar, pelo que não mereceriam, também, melhor sorte do que a perda do mandato.
Diante disso tudo, o que temos a lamentar é que nossas Forças Armadas não estão sob o comando de quem tem interesse na observância do nosso ordenamento jurídico. Se tivéssemos, estariam elas autorizadas a fechar imediatamente a Câmara dos Deputados. Reza o art. 142 da nossa Lei Maior: "As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do presidente da República, e destinam-se à defesa da pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem" (grifo nosso).
Não só o deputado Sérgio Moraes deve se lixar; os demais caras-de-pau também. E que tenham o bom senso de comprar bastante óleo de peroba, o que poderão fazer com sobejo de verba indenizatória, pelo que não estarão cometendo qualquer ilegalidade, pois será dinheiro do povo para a satisfação do povo.

enchentes e mídia

Veja o texto que capturamos do site www.observatoriodaimprensa.com.br
Por que a grande mídia tratou de dois problemas com ação diferenciada?
Por que nós do nordeste continuamos a ser consumidores e não somos tratados como cidadãos?


Enchentes no Nordeste e o descaso da mídia
Por Romulo Viana em 12/5/2009
Lembro com tristeza das imagens e das centenas de reportagens sobre a catástrofe que ocorreu em Santa Catarina. Vi, no entanto, como o brasileiro pode ser solidário com os irmãos. Logo, inúmeras iniciativas de ajuda apareceram com grandes campanhas na mídia de todo o Brasil, e, como não podia deixar de ser, milhares de pessoas ajudaram como puderam. Lembro de ter visto sair de Fortaleza caminhão carregado de roupas e alimentos para socorrer os atingidos pelas enchentes catarinenses.
Hoje vejo problema semelhante acontecer no meu Nordeste. Cidades inteiras debaixo d´água, famílias que já sofriam o ano inteiro com a falta de amparo secular. Por que não vemos o Brasil se mobilizar para socorrer o Nordeste pobre e sofrido que hoje está debaixo d´água? Por que as campanhas na mídia pelos "cabeças-chatas" não invadiram nossa programação? Será que nossa cota anual de solidariedade foi toda gasta com Santa Catarina, que sem dúvida alguma mereceu? Será que para a grande mídia existe diferença no sofrimento de nordestinos e sulistas? Será que o Nordeste, tão acostumado ao sofrimento, pode enfrentar este sem ajuda.
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terça-feira, 12 de maio de 2009

uma notícia importante...


Comissão do Senado proíbe outorgas a parlamentares
Mariana Martins - Observatório do Direito à Comunicação 20.04.2009

Um novo capítulo na história das relações entre parlamentares e concessões públicas de rádio e TV entrou no ar. No último dia 7, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal aprovou parecer que considera ilícita a aprovação de outorgas de radiodifusão a concessionários que possuam deputados e senadores entre seus proprietários, controladores ou diretores. O parecer, dado pelo senador Pedro Simon (PMDB-RS), respondeu a um requerimento de interpretação do Art. 54 da Constituição Federal feito pelos senadores Eduardo Suplicy (PT-SP), Tião Viana (PT-AC) e Heloísa Helena (PSOL-AL) em 5 de julho de 2006. O requerimento, segundo o senador Eduardo Suplicy, foi motivado por matérias publicadas pelos jornais O Globo e Folha de São Paulo daquela semana. As reportagens repercutiram, respectivamente, os dados de pesquisa sobre parlamentares radiodifusores realizada pelo Instituto Projor (entidade mantenedora do site Observatório da Imprensa) e coordenada pelo professor Venício A. Lima, em 2005, e o pedido do governo federal ao Congresso Nacional de devolução de 225 processos de renovação de concessões de rádio e televisão que se encontravam sob ameaça de não renovação.O requerimento apresentado pelos senadores baseou-se em uma suposta brecha no Artigo 54, que permite interpretações ambíguas quanto à relação entre os parlamentares e as concessões de emissoras de rádio e TV. O parágrafo 2º estabelece que os deputados e senadores não poderão, a partir da posse, “ser proprietários, controladores ou diretores de empresa que goze de favor decorrente de contrato com pessoa jurídica de direito público, ou nela exercer função remunerada.”A falta de clareza nesta redação permitiu que durante anos as concessões não fossem vistas como “favor” decorrente do contrato. Os parlamentares continuavam, portanto, sendo concessionários ou acionistas de emissoras e de grupos de mídia, afastando-se tão somente da qualidade de diretor ou gestor das empresas para que não houvesse a configuração de função remunerada.Na visão do senador autor do parecer, Pedro Simon, mesmo com as imperfeições, fica claro que “as concessões de rádio e televisão gozam de favor do poder público, pois elas são isentas de impostos e de uma série de outras coisas.” Logo, completa o senador, seriam enquadradas na proibição prevista no Artigo 54 da Carta Magna.Para o senador Eduardo Suplicy, um dos proponentes do requerimento, a interpretação anteriormente dada ao texto constitucional não parecia ser a do espírito da elaboração do Artigo. “Acredito que o espírito desse artigo seja de evitar que sócios, proprietários ou controladores de empresas públicas ou concessionárias possam exercer função no Congresso Nacional. As emissoras de rádio e televisão não são enquadradas nessa definição? Têm essa relação ou não? Acredito que sim. Então, me parece que seria próprio que aqueles que são concessionários não sejam parlamentares”, argumenta Suplicy. ReaçãoO requerimento feito há quase três anos entrou na pauta da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no dia 1o de abril, sendo apreciado e votado na continuidade da reunião, no dia 07 [
veja trajetória do requerimento em artigo do professor Venício Lima ]. Ainda segundo o senador Pedro Simon, esta era uma matéria por vezes presente na pauta da Comissão, mas que terminava nunca sendo votada. A aprovação em reunião esvaziada da CCJ gerou desconforto por parte de alguns parlamentares, como o senador Antônio Carlos Magalhães Júnior (DEM-BA). Ao saber do resultado da aprovação do parecer, segundo publicado pelo jornalista Ilmar Franco (O Globo), Magalhães Júnior foi tomar satisfações com o seu companheiro de partido e presidente da CCJ, Demóstenes Torres (DEM-GO).“O senador ACM Júnior (DEM-BA) deu um ataque ontem com o presidente da CCJ, senador Demóstenes Torres (DEM-GO), devido à aprovação, na sua ausência, de parecer dizendo que `não é lícito´ parlamentares serem diretores ou controladores de empresas de rádio e televisão. `Como você coloca um projeto desse em votação? Você disse na reunião de líderes que não colocaria nada polêmico´, cobrou ACM Júnior. Irritado, arrematou: `Ele contraria interesses meus, do Tasso [Jereissati], do [José] Sarney, do [José] Agripino e do Wellington Salgado, que é vice-presidente dessa comissão´", contou Franco em sua coluna no O Globo. Eduardo Suplicy diz não ver problemas na aprovação da proposta com poucos senadores na reunião. “É fato que [o parecer] foi apreciado no momento em que alguns interessados não estavam presentes, mas foi aprovado. Quem quisesse acompanhar, poderia ter visto a matéria entrar em pauta, pois estava tudo sendo transmitido pela TV Senado. Os assessores poderiam tê-los alertado”, afirma o senador. Pedro Simon considera normal que outros senadores tenham divergido do parecer, mas que esta é uma interpretação de um artigo da Constituição que proíbe qualquer parlamentar de usufruir desse tipo de concessão.Difícil batalhaAprovado na CCJ, o parecer será agora votado no plenário do Senado. Pedro Simon avalia que a aprovação não será fácil e pode ser ameaçada a depender da capacidade de articulação da bancada dos donos de meios de comunicação. Opeso desta bancada sugere um quadro nada animador para os defensores da medida. Segundo dados da pesquisa realizada pelo Projor e coordenada por Venício A. Lima (a mesma que deu origem a matéria de O Globo de 2006), 25% dos senadores e 10% dos deputados são concessionários de rádio e TV. Contudo, esse número pode ser muito maior na realidade, pois, muitas concessões de rádio e TV são outorgadas para parentes diretos de parlamentares.Levantamento do Laboratório de Políticas de Comunicação da Universidade de Brasília (Lapcom) publicado pelo Observatório do Direito à Comunicação mostrou que na atual legislatura há 14 senadores concessionários de radiodifusão apenas na Comissão de Ciência e Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) [veja aqui ]. Apesar das poucas chances, Simon deixa claro que o parecer já está em vigor para todos os parlamentares do Congresso Nacional, deputados e senadores, e que a aprovação no plenário da casa pode reafirmar ou derrubar a decisão.Outras tentativasNo final de 2008, indicação parecida foi aprovada na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara dos Deputados. A Subcomissão de Outorgas de Radiodifusão da CCTCI produziu relatório sobre alterações necessárias nas regras sobre concessão de serviços de rádio e TV.Um dos itens analisados foi o Artigo 54 da Constituição Federal, para o qual o documento final da Subcomissão propôs uma emenda que seria acrescentada ao Capítulo da Comunicação Social (artigos 220 à 224) com a seguinte redação: “Não poderá ser proprietário, controlador, gerente ou diretor de empresa de radiodifusão sonora e de sons e imagens quem esteja investido em cargo público ou no gozo de imunidade parlamentar ou de foro especial.”Dessa forma, a relação entre parlamentares e outorgas de radiodifusão deixaria de ser disciplinada pela confusa redação do Artigo 54 e teria definição clara e própria. Contudo, mesmo que essa emenda constitucional não seja levada a cabo, até que o parecer dado pelo senador Pedro Simon seja derrubado, a proibição vigora para as duas casas.Para João Brant, do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, uma decisão como essa, ainda que em caráter precário (pois pode ser derrubada no plenário), é importante e chega tarde no Brasil. “Uma democracia não pode prescindir da separação entre poderes. Os meios de comunicação são hoje, de fato, um espaço de exercício de poder. Nessa lógica, nenhum parlamentar poderia gozar do direito de ser concessionário. São comuns exemplos de emissoras usadas para manipular informação e beneficiar determinados grupos políticos, basta ver o último escândalo envolvendo a TV de Sarney no Maranhão”, defende.Segundo Brant, o Intervozes defende a aprovação imediata do parecer do Senador Pedro Simon em plenário do Senado, bem como da proposta de emenda constitucional feita pelo relatório da Subcomissão de Outorgas da CCTCI da Câmara dos Deputados, aprovado no final de 2008. “Entendemos que a proibição a este tipo de prática deve ser explícita na Constituição e nas demais leis que regulamentam o setor. Deve haver a previsão de penas rigorosas para parlamentares que se mantiverem nessa prática. Não podemos continuar admitindo que no mínimo 10% dos deputados e 25% dos senadores sejam concessionários de meios de comunicação e façam uso político das suas concessões.”
retirado do site www.direitoacomunicação.org.br

ICMS E RÁDIO



No Ceará, deputado defende isenção de ICMS para rádios e TVs
Redação - Diário do Nordeste 16.02.2009

O deputado Edson Silva (DEM) quer isenção do ICMS para a compra de eletro-eletrônico para as emissoras de e rádio e televisão. O parlamentar chegou a cogitar apresentar um projeto de lei na Assembléia Legislativa determinando a isenção do imposto para a radiodifusão. Porém ele reconhece que o projeto seria barrado nas comissões por ser inconstitucional, já que sobre matérias tributárias a prerrogativa da iniciativa legislativa é exclusiva do Poder Executivo.Segundo o parlamentar, o intuito de apresentar o projeto é abrir a discussão sobre o fato de que as emissoras de TV e rádio muitas vezes não têm condições de manterem seus programas pelo alto preço desses equipamentos e acabam fechando as portas. O parlamentar afirma que a carga tributária incidente nos produtos é muito alta e acaba contribuindo para a sonegação, pois muitas empresas não têm condições financeiras de arcar com tantos tributos. Por isso assegura que a isenção do ICMS sobre produtos essenciais para televisão e rádio iria contribuir para o melhor funcionamento dessas emissoras. VermelhoEdson Silva diz que vai propor a sua idéia através de emenda. “Muitas rádios comunitárias vivem no vermelho, muitas dessas emissoras trabalham no prejuízo, não têm faturamento suficiente e lucro nem pensar. A mesma coisa acontece com as emissora de televisão no Ceará”, informa, acrescentando que a saída, para algumas emissoras, é o arrendamento de horário, “o que prejudica muito os profissionais de imprensa preparados para o exercício da profissão de radialista”. Ele argumenta que existe isenção de carga tributária para os jornais, as revistas, periódicos e livros.

UM DEBATE NECESSÁRIO


Veja a entrevista abaixo em relação ao controle público das emissoras de rádio