quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Luiz Gonzaga - O Rei do Baião - Homenagem

Narcélio Limaverde fala do grande Aderbal Bezerra...

  1. Aderbal Bezerra, hoje em dia, é cerimonialista da Assembleia Legislativa.Sempre me encontro com ele por lá. E, de vez em quando, conversamos sobre a época em que trabalhamos juntos no Sistema Verdes Mares. Uma fase interessante para os dias de hoje, foi quando iamos ao Recife, buscar o tape do jogo do Fortaleza, no Campeonato Brasileiro. Eu trazia o primeiro tempo, ele ficava lá e trazia o segundo. Antes da Embratel era assim. Ele também edita um jornalzinho com notícias sobre a Cidade dos Funcionários. Aderbal é mais um que o rádio abandonou depois que algumas emissoras, não todas, cobram para o radialista atuar.
    Comentário no Blog do Eliomar.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

uma reflexão sobre a imprensa jornalística

LEITURAS DE O POVO

A prefeita articulista

Por Francisco Djacyr Silva de Souza em 31/10/2011 na edição 666
Juro/ exercer a função de jornalista/ assumindo o compromisso/ com a verdade e a informação./ Atuarei dentro dos princípios universais/ de justiça e democracia,/ garantindo principalmente/ o direito do cidadão à informação./ Buscarei o aprimoramento/ das relações humanas e sociais,/ através da crítica e análise da sociedade,/ visando um futuro/ mais digno e mais justo/ para todos os cidadãos brasileiros/ (Juramento do Jornalista, no site www.unic.br)
Todas as terças-feiras, a prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins, escreve artigo com espaço a ela destinado de forma “desinteressada” pelo jornal O Povo, de grande circulação no estado do Ceará. Sem querer entrar no mérito do espaço destinado e reconhecendo que todo cidadão tem direito a se manifestar livremente e ter espaço para dizer o que pensa, acho sinceramente que o jornal deveria ter uma preocupação maior com a verdade dos fatos, pois o que geralmente tem sido escrito no jornal não reflete a realidade geral da cidade, que hoje sofre com educação sem qualidade e comprovadamente deficiente nos exames gerais da educação e várias denúncias de supostos problemas com contas, com uso da Guarda Municipal de forma indevida e com completa transformação dos órgãos públicos em paraíso da terceirização e do domínio de vereadores que ditam as normas das escolas nomeando seus gestores e até funcionários das empresas que prestam serviço à prefeitura. O jornalismo deveria dar direito ao contraditório e, por incrível que pareça, a partir do momento que a prefeita se tornou articulista as críticas à administração passaram a ser boicotadas pelo setor de opinião do referido jornal.
É extremamente difícil ser oposição em um país como o Brasil, onde geralmente os meios de comunicação, em função da verba publicitária, acabam negando sua posição crítica e passam a fazer o jogo dos que estão no poder. É triste ver nossa imprensa rebaixando a cabeça aos que estão temporariamente no poder sem entendimento de que este é efêmero e passa sem que a gente perceba. O jornal O Povo, de tradição de mais de oitenta anos, infelizmente está em mãos erradas, pois os que o dirigem não veem a importância do caráter imparcial da imprensa e muitos que não concordam com o estado de coisas não têm oportunidade de falar o que pensam, pois os setores de ressonância com o povo, como o de opinião, torcem piamente pelos governantes e esquecem os interesses da comunidade. Alguns ainda tentam falar, mas não conseguem, pois o setor de ouvidoria do jornal não é ouvido por seus jornalistas, que até respondem aos reclamantes com escárnio e desprezam o papel do ouvidor, não respeitando a reclamação dos que buscam a verdade dos fatos.
E os interesses dos leitores?
É triste ver a imprensa sem autocrítica e alguns jornalistas se portarem como semideuses que acabam desenvolvendo um noticiário ao seu bel-prazer e seu interesse de classe ou de preferência ideológica sem se preocupar com o que preconiza o Código de Ética do jornalismo. A crítica não é bem aceita no jornal que, em momentos como a greve de professores, tentou colocar a população contra os educadores, que acabaram sendo transformados em baderneiros, invasores e desocupados. Esta mesma mídia não dá espaços para o contraditório, filtra os assuntos e coloca no jornal aquilo que não desagrada os que estão no poder.
A sinceridade, a ética e a construção de valores devem ser ensinados nos cursos de comunicação, mas pouco aprendidas pelos que se formam e no momento da formatura fazem um juramento que às vezes não é colocado em prática no processo de atuação profissional. Vale ressaltar que os próprios jornalistas desconhecem o caráter da luta de classes, a importância da cidadania ativa e os princípios éticos que norteiam a sociedade como um todo. Não podemos admitir que um jornal se torne feudo político da prefeita ou de qualquer outro governante do momento, pois o jornalismo não é feito para isso.
Temos que exigir explicações sobre o que se passa neste suposto interesse da prefeita de Fortaleza em se tornar articulista de uma hora para a outra visto que a mesma sequer compareceu aos encontros de sua classe e pouco se envolveu nas conferências de comunicação como jornalista que é. É preciso que se investigue como são distribuídas as verbas publicitárias para verificar se há alguma relação entre o perfil de articulista da prefeita e o papel do jornal neste momento. Não seríamos loucos de proibir que a prefeita escreva no jornal, mas seria ou não seria ética jornalística que os “pobres mortais” também tivessem espaço para o contraditório? Seria ou não seria justo? Ah, só lembrando, que tal uma Associação para defender os interesses dos leitores?
***
[Francisco Djacyr Silva de Souza é vice-presidente da Associação de Ouvintes de Rádio do Ceará, Fortaleza, CE]

PERGUNTAS SEM RESPOSTAS ....

Por que Paulo Oliveira em seu programa dá o número do telefone para os ouvinte ligarem e participarem e nunca abre espaços para isso?

Por que os locutores da Rádio Cidade AM adoram chamar ouvintes de mala?

Quem souber as respostas mandem para nós...

LEIA E REFLITA

Observatório da Imprensa - 15 Anos Apoio: Fundação Ford

EDUCAÇÃO  VIOLÊNCIA

A TV anda ensinando o quê?

Por Deonísio da Silva em 26/09/2011 na edição 661
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Os brasileiros vivem um grande dilema na educação. De algum modo todos educamos uns aos outros, mas pais, professores e profissionais da mídia de maneira muito especial influenciam mais na formação do semelhante.
Por motivos óbvios, a televisão, assim como o rádio e o cinema, não seria o que hoje é, não fosse a Segunda Guerra Mundial. Ainda durante aquele conflito, e muito mais depois, o Brasil recebeu enxurrada de investimentos norte-americanos e com eles veio o modo de viver dominante nos EUA. Nelson Rockfeller cunhou expressão memorável: onde entrarem nossos filmes, entrarão também nossos produtos. E foi o que aconteceu, não apenas com os filmes.
Naturalmente, também a Europa, com exceção do Leste, foi invadida de outros modos pelos EUA. Mas se a Europa tinha defesas contra esta outra invasão e o Brasil, não.
Exemplificando. Uma pessoa bem formada assiste a um desses enlatados da televisão, hoje digitalizados, e percebe que a solução para os conflitos apresentados é sempre o braço armado. É raro que haja outro tipo de desfecho. Depois é que entram o Direito, o fórum, os promotores, os advogados, os juízes, a cadeia, a punição. Mais raro ainda é um tratamento preventivo.
Editores desatentos
Em encontros com juízes em nossa universidade perguntamos a eles por que absolvem ou condenam, como fazem isso e por que agem do modo como agem. Eles precisam da sociedade e nós deles, para prevenir, para educar, de tal modo que a punição seja, não o primeiro, mas o último recurso.
O cidadão bem educado é capaz de discernir que muitas vezes a TV está entortando o modo de viver, mas os indefesos, não. Para eles, a TV é a única escola que têm. E o que aprendem? Que o bandido, faça o que faça, ganha espaço na mídia. Mas para aquele que escreve um livro, grava um cedê, faz um filme, destaca-se na música, na pintura, no teatro ou em outras manifestações artísticas, o espaço dedicado é um cantinho na mídia, quando ela se digna a dar esse cantinho, porque em geral não dá nada ou dá pouco.
E poucos se queixam disso. E por quê? Porque somos poucos os que damos atenção a isso. Sai um livro ou uma publicação importante em qualquer área, quem fica sabendo, quem dá atenção? Poucos. Somos poucos.
Faz tempo que os tiros deixaram a TV e agora se multiplicam, não mais no espaço imaginário da telinha, mas na rua, na escola, dentro de casa, e com a velha roupagem que ali vestira: a solução para os conflitos passou a ter o braço armado como ferramenta quase exclusiva ou pelo menos dominante.
Toda semana sabemos de mais uma tragédia. Em todo o Brasil, proliferam os exemplos tomados, consciente ou inconscientemente, das lições ministradas pela televisão. Todo mundo vê TV. É preciso levar em conta, sem censura, o que ela anda ensinando, talvez sem que seus editores percebam ou sem que levem em conta a situação daqueles aos quais se dirige.
O cenário inteiro
Em resumo, outra vez a solução passa por uma educação diferente, não mais exclusiva da escola, onde os alunos, aliás, passam muito pouco tempo.
Talvez sem querer, muitos programas de televisão ensinam e proclamam que é melhor ser jogador badaleiro, prostituta disfarçada e o que se entende vagamente por celebridade, sem esquecer que político corrupto é também uma boa escolha, pela quase absoluta falta de punição, do que ser um profissional qualificado e pessoa de bem.
Vejamos o que se paga a uns, o que se paga a outros, a atenção que a mídia dá a uns e outros – e temos o quadro completo.
***
[Deonísio da Silva é escritor, doutor em Letras pela Universidade de São Paulo, professor e um dos vice-reitores da Universidade Estácio de Sá, do Rio de Janeiro; autor de A Placenta e o Caixão, Avante, Soldados: Para Trás e Contos Reunidos (Editora LeYa)]

UMA REFLEXÃO