"Nunca a natureza é tão aviltada como quando a ignorância supersticiosa tem a arma do poder."
Voltaire
Voltaire
| Paulo Henrique Amorim na Faculdade de Direito | | |
| 10-Feb-2011 | |
| "Mídia: Regulação e Democracia" é o tema da palestra que o jornalista Paulo Henrique Amorim fará no próximo dia 18, às 19h, na Faculdade de Direito da UFC, numa parceria com o Instituto Nordeste Vinte e Um. A palestra faz parte do XXI Ciclo de Debates Nordeste Vinte Um. A entrada é grátis e não é preciso fazer inscrição prévia. Na ocasião, o jornalista Altamiro Borges (responsável pela recente entrevista do então Presidente Luiz Inácio Lula da Silva a blogueiros de todo o País) fará apresentação sobre o Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé. Paulo Henrique Amorim nasceu no Rio de Janeiro em 1942. É formado em Sociologia e Política pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Tem atuação destacada na imprensa brasileira, tendo participado também de grandes cober-turas internacionais como o escândalo de Watergate, a queda do Muro de Berlim e os conflitos de Kosovo e Sarajevo. Foi repórter e apresentador da Rede Globo e também colaborador da revista Veja. Entre os anos de 1997 e 1999, esteve na TV Bandeirantes, apresentando o "Jornal da Band" e o programa "Fogo Cruzado". Entre 2001 e 2003, esteve na TV Cultura, onde apresentou o "Conversa Afiada". Em 2003 mudou-se para a TV Record, onde apresentou "Edição de Notícias" e "Tudo a Ver". Desde fevereiro de 2006, apresenta na mesma emissora "Domingo Espetacular". É autor do livro “Plim Plim - A Peleja de Brizola Contra a Fraude Eleitoral” e co-autor de “A Mídia nas Eleições de 2006”. Mais informações: Faculdade de Direito da UFC - (fone: 85 3366 7843 e Lucílio Lessa, editor da revista "Nordeste Vinte e Um" - (fone: 85 8601 2944 / 9928 3029) |
| BIG BROTHER BRASIL A pedagogia do grande irmão platinado Por Elaine Tavares em 1/2/2011 | |
| Outro dia li um artigo de alguém criticando o que chamava de pseudo-esquerda que fica falando mal do BBB, mas que também dá sua espiadinha. E também li outras coisas de pessoas falando sobre o quanto há de baixaria no "show de realidade" da Globo. Fiquei por aí a matutar. E fui observar um pouco deste zoológico humano que a platinada oferece nas suas noites. Agora é importante salientar que a gente nem precisa assistir para saber tudo o que se passa. É só estar vivo para saber. As notícias estão no jornal, no ônibus, no elevador, em todos os lugares. Então, esse papo de que quem critica é hipócrita porque também vê não tem qualquer sentido. As coisas da indústria cultural nos são impostas de forma quase totalitária. É praticamente impossível fugir destes saberes. Mesmo no terminal, esperando o ônibus, lá está o anúncio luminoso onde buscamos o horário do busão, dando as "notícias" dos broders. É invasivo e feroz. Mas enfim, sou um bicho televisivo e gosto de ficar feito uma couve em frente ao aparelho de TV analisando o que é que anda engravidando as gentes deste grande país que se alfabetiza por esta janelinha. Lá fiquei acompanhando alguns episódios do triste programa. Deveras, me causa espécie. Mas não falo pelo quê de promíscuo ou imoral que possa ter o "show", já que coisas do tipo das que se veem ali também são possíveis de ver na novela, nos filmes etc... O que me apavora é capacidade de ser tão perverso e desestruturador de consciências. Está bem, as pessoas estão ali porque querem, elas mandam vídeos, se oferecem, morrem até para estar naquela casa em busca do que pensam ser seu lugar ao sol. Mas, ainda assim, é perverso demais o que os "inventores" fazem com aquelas tristes criaturas. A promessa de seduçãoSempre pensei que a coisa nunca poderia ficar pior. Mas fica. Cada ano a violência fica maior. E o que me espanta é que não há gente a gritar contra isso. Agora inventaram a figura de um sabotador. Pois já não bastava colocar a possibilidade concreta de alguém (o espectador) eliminar outro (o broder?), o que obviamente inaugura uma possibilidade por demais perversa de se apertar um botão e destruir o sonho de alguém, com requintes de crueldade. Uma coisa de uma maldade abissal. Então, o tal do sabotador é uma pessoa, do grupo, que precisa sabotar os seus companheiros para poder se safar. Inaugura-se assim mais uma instância da estúpida violência, a qual é parte intrínseca do "show". Vi a cara do rapazinho. Estava em completo desespero. Precisava sabotar seus amigos. E o fez. Em nome do milhão. Depois, um outro, ao atender ao telefone que sempre ordena uma sequência de maldades, obrigou-se a mandar sua colega para uma solitária, coisa que, nas cadeias, é motivo de grandes lutas dos grupos de direitos humanos. O garoto disse o nome da sentenciada e seu rosto se cobriu de desespero. No dia em que ela saiu do castigo, enquanto os demais a abraçavam, ele se deixava cair, escorregando pela parede, chorando. Sabia, é claro, que aquela ação o colocava na mira da outra e na condição de um desgraçado que entrega seus colegas. E assim vai o "grande irmão" propondo maldades e violências aos pobres sujeitos que ali entram em busca de um espaço na grande vitrine da vida. Confesso que a mim pouco se me dá se são homossexuais, trans, bi, héteros tarados, loucas, putas ou santas. Cada uma daquelas criaturas que ali está quebrando todas as regras da ética do bem viver é um pobre ser humano, perdido num mundo que exige da juventude bunda, músculo, peito e cabeça vazia. Não são eles os "imorais". São vítimas. Querem mais do que as migalhas do banquete. Querem pegar com as unhas a promessa que o sistema capitalista traz na sua pedagogia da sedução: "Qualquer um pode neste mundo livre". Violência explícita, sinistra e miserávelTampouco me surpreende que um jornalista como Pedro Bial, dono de um texto refinado, esteja cumprindo o triste papel de fomentar a perda de todo o sentido ético que um ser humano pode ter. Ele, também buscando vencer nesse mundo que o capitalismo aponta como o melhor possível, fez a sua escolha. Optou por ser um sacerdote destes tempos vis. Um sacerdote muito bem pago. O que me entristece é saber que essa pedagogia capitalista seguirá se fazendo todos os dias nas casas das gentes, que muitas vezes assistem ao programa porque simplesmente não têm outra opção. O melhor sinal é o da platinada. Pega em qualquer lugar deste grande país. Há os que veem e nem gostam, mas ocorre que estas "lições" em que se eliminam pessoas, em que se traem os amigos, em que vale tudo, passam meio que por osmose. É a lavagem cerebral. É a violência extrema sendo praticada entre risos e apupos de "meus heróis". Tudo pela plata. Enquanto isso, como bem já levantaram alguns blogueiros, a Globo, junto com as companhias telefônicas, lucra rios de dinheiro com as ligações que as pessoas fazem para eliminar os "irmãos". É galera, brother quer dizer irmão em inglês. E olha só o que se faz com um irmão? Essa é a "ética". Os empresários globais lambem seus bigodes. Então, fazer a crítica a esse perverso programa não é coisa de pseudo-esquerda. Deve ser obrigação de qualquer um que pensa o país. A questão do "grande irmão" não é moral. É ética. Trata-se da consolidação, via repetição, de uma pedagogia, típica do capitalismo, que pretender cristalizar como verdade que, para que um seja feliz, outro tenha que ser "eliminado". O show da Globo é uma violência explícita, cruel, nefanda, sinistra e miserável. É coisa ruim, malcheirosa. Penso que há outras formas de a gente se divertir, sem que para isso alguém tenha de se ferrar! Até mesmo os mais importantes cientistas mundiais já alardearam a verdade inconteste: vence quem coopera. Onde as pessoas, juntas, buscam o bem viver, ele vem... | |
| FOLKCOMUNICAÇÃO Instrumento para a educação cidadã Por Cleonice Evellyn Oliveira Lima em 1/2/2011 | |
| A comunicação é algo inerente a todos os indivíduos que se constituem como um ser social, pois a sociabilidade apenas se adquire por meio de processos comunicativos. A comunicação social se apresenta de forma legítima como a área do conhecimento que se volta para as questões que envolvem este processo. Por ser uma área abrangente do conhecimento, ela permite divisões por ramos de estudos, sendo uma delas a comunicação comunitária. Realizar e fazer acontecer a comunicação comunitária somente é possível se todas as preocupações olharem em direção à comunidade, compreendendo as suas necessidades, as suas características, a sua cultura. Nesse contexto, para ampliar o universo de estudos nessa direção, em 1967, o pesquisador Luiz Beltrão, defendeu a tese da Folckcomunicação, que poderia ser entendida como o estudo da difusão das manifestações da comunicação popular, nas suas excentricidades, e do folclore nos meios de comunicação de massa. Em todos os segmentos comunitários é possível observar manifestações que refletem fielmente os seus valores, os seus costumes, a as crenças de determinado grupo social, que por meio das expressões populares procura preservar o que forma e garante a sua identidade social. A mídia, portanto, tem o papel primordial de valorizar e privilegiar em suas pautas aquilo que é produção do povo, pois esse mesmo povo, é o seu público principal. É necessário mostrar para eles, o que é deles. Trazer para a mídia, os protagonistas sociais, pois assim, o processo de identificação com os meios de comunicação é facilitado. Manifestações culturais Enquanto se buscar fugir dessa perspectiva de evidenciar o local, os seus protagonistas sociais e a sua produção, o futuro de alguns meios de comunicação, como o jornal impresso, só será provável se os agentes da comunicação começarem a compreender, aceitar e incorporar nos seus processos de produção redacionais o conceito de jornalismo de proximidade,onde os acontecimentos e a realidade que tocam mais diretamente a localidade natal do jornal é privilegiado em suas páginas. Beltrão valoriza/supervaloriza o princípio do "bem comum", tratado por várias vezes em sua obra Introdução à filosofia da comunicação (1960). Aplicar à pratica do jornalismo e à sua rotina de produção nas redações, a política do "bem comum", colocando os assuntos comunitários e os protagonistas da comunidade em pauta nos jornais impressos, é uma forma de dar ao jornal um ar de preocupação com o bem da comunidade e valorizar de forma séria e responsável os assuntos que permeiam o universo comunitário, e com isso, atrair os olhares de volta à leitura do jornal feito de tinta e papel. Os meios de comunicação exercem além de um papel informativo/provocador, uma função educomunicativa, onde é possível por meio desses canais,como por exemplo, o radialismo comunitário, possibilitar aos indivíduos o exercício da sua cidadania e despertar-los para o valor da educação. Estudar e trabalhar a valorização da identidade popular e cultural de um povo, trazendo as suas pautas para a mídia, é uma forma de educar para cidadania, pois os sujeitos cientes dos seus direitos e deveres, e com uma carga satisfatória de conteúdos úteis em seu dia a dia é possível vislumbrar mudanças positivas em suas comunidades e iniciar processos de preservação cultural. É notório, portanto, que quando trabalhadas em um contexto educomunicativo, ou mesmo fora deles, as manifestações culturais são instrumentos válidos na formação educacional de um povo, pois as pessoas são levadas a pensar em outras perspectivas, como a cultural, através da qual o futuro pode ser sonhado e é algo palpável. | |