segunda-feira, 23 de agosto de 2010

EXERCENDO O OUVINDO CRÍTICO

MÍDIA RADIOFÔNICA
Exercendo o ouvido crítico
Por Francisco Djacyr Silva de Souza em 17/8/2010
O poder da crítica é essencial no mundo das comunicações, pois somente cidadãos críticos e conscientes têm nas mãos a poderosa força de analisar o que se passa nos meios de comunicação e podem questionar os meios de comunicação para exigir qualidade nos programas, na emissão e no relacionamento com os usuários. No rádio, o ouvido crítico é essencial, pois o ouvinte deve ser extremamente exigente com os programas, verificando sua interatividade, o nível de respeitabilidade e a forma como os cidadãos têm sido tratados nos programas e na programação em geral.
Exercendo o caráter de criticidade, o ouvinte pode discutir o melhor programa e garantir que estes programas continuem fazendo parte das programações para o bem do rádio e das comunicações em geral. Temos programas que hoje castram o direito de participação do ouvinte ou limitam suas falas num atentado forte ao processo de interatividade e de melhoria da comunicação crítica e questionadora. Há programas de rádio que agridem os ouvintes com palavrões, brincadeiras de mau gosto e jocosidades que não levam a nada. Por que não questionar estes programas? Por que não se abrem canais para que o ouvinte possa dizer o que pensa do rádio? Por que não se cria a figura do ouvidor das emissoras para que o ouvinte possa externar sua opinião sobre programas e condução da rádio e maneira geral?
A rádio precisa de organização dos ouvintes em busca de sua melhora e de sua mudança como um todo, pois hoje este meio tem problemas sérios que acabam promovendo ruídos na comunicação e destruindo firmemente o caráter de interatividade que sempre este meio vai necessitar para o bem da comunicação e para valorização da informação verdadeira, crítica e voltada para os interesses das comunidades.
A criticidade é um dos valores que devem ser cultuados nos usuários da comunicação radiofônica, pois o rádio é um meio de comunicação dos mais antigos e que continua a fazer parte da vida de milhões de pessoas. Tem provado que, com sua versatilidade e facilidade de comunicação, é o meio mais adequado para dar aos usuários notícias de qualidade, imediatismo, verdade e comunicação em tempo real.
Ouvidos críticos e conscientesO rádio precisa urgentemente de pessoas que se organizem em busca de uma comunicação sadia, segura e voltada para os interesses do povo no sentido de poder questionar o que se passa neste meio e para dar o entendimento dos problemas da sociedade sem intromissões religiosas ou políticas que hoje povoam este meio de comunicação. A organização dos ouvintes para evitar a submissão do rádio a interesses políticos e religiosos é vital neste momento, pois o rádio vem sendo vítima de monopolizações que atentam claramente contra a pluralidade cultural de nosso povo.
O exercício do ouvido crítico para questionar os problemas do rádio é vital para uma comunicação sadia e verdadeira, que terá de mudar a partir dos questionamentos dos usuários da comunicação, o que será de bom alvitre para o rádio e para as comunicações de maneira geral. A rádio precisa de pessoas conscientes que pressionem as direções de rádio a abrir espaços para o questionamento da programação e da luta pela qualidade do meio, tanto técnica como em termos de mensagem. O rádio tem importância vital para uma comunicação salutar. Então, por que não mudar o perfil do ouvinte de rádio, que às vezes aceita passivamente ser chamado de "mala" ou permite que os radialistas profiram palavrões e até pede para que eles façam isso?
O rádio precisa que os ouvintes se eduquem para ouvir rádio e possam mudar sua visão de mundo acerca da sociedade e, a partir daí, promovam a necessidade de uma comunicação diferente para o bem de todos e para a melhoria das comunicações de maneira geral. Somente ouvidos críticos e conscientes poderão mudar o rádio e dar-lhe perspectivas de melhora, sem agressões, sem pornofonia e sem utilização política e religiosa, que são condições vitais para uma comunicação melhor e salutar para o bem de todos.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

FECHARAM MAIS UMA COMUNITÁRIA

RÁDIOS COMUNITÁRIAS
Anatel fecha mais uma comunitária
Por Ubirajara de Oliveira Santana em 17/8/2010
Fecharam a 95FM. Isso mesmo, fim de um projeto sério e fiel ao ouvinte. Aconteceu na tarde de uma quinta-feira, dia 5 de agosto. De repente, um grupo com três homens, dois fiscais da Anatel e um agente da Polícia Federal, entrou na sede da emissora, localizada em Nilópolis (RJ) e "decretou" o fim. Confiscaram os equipamentos e deram voz de prisão ao diretor da ONG SOS Reviver, Pedro Paulo Pereira.
14 anos de existência e serviços prestados à região da Baixada Fluminense. 14 anos em que a população ouviu sua voz em FM. Vidas, não números em pesquisas, que participaram do processo social através dos debates, programas informativos e entrevistas com autoridades. 14 anos de serviço e amor que foram resumidos a uma frase dita pelo agente da PF, Cláudio: "Este é o Sistema!"
Assim é o Sistema, que alimenta o coronelismo informativo e mantém o poder com um pequeno grupo que escolhe o que pode ser visto, ouvido e vivido no Brasil. Sistema que também ignorou o pedido de legalização, que ficou parado numa mesa no Ministério das Comunicações, ainda que recebendo e veiculando informes do governo federal.
Se você não conheceu a 95FM, antiga Rádio Certa, talvez seja difícil entender o momento, mas para quem conheceu sabe que ficou uma lacuna no dia-a-dia. A emissora foi pauta de reportagens e temas, principalmente pelo trabalho jornalístico e social que realizava junto à população.
Quanto a nós, Pedro Paulo, Tarcísio, Alex, Grazy, Ubirajara e Márcio... Vamos seguir em frente com a certeza de que um dia o Sistema vai mudar.



sexta-feira, 13 de agosto de 2010

homenagem à Universitária FM

Artigo

Rádio Universitária ontem e hoje

13/08/2010 02:00
Confesso-lhes a emoção ao depor em vídeo, na Rádio Universitária, sobre seus primeiros momentos, quando, assessor de planejamento do reitor Paulo Elpídio, dávamos corpo aos anseios “de canais mais amplos na comunicação entre o mundo acadêmico e o povo”, expresso em seminário geral. Nascia aí a rádio, com estímulo do Ministro Eduardo Portella e da Rádio Jornal do Brasil.

Legava-nos sinal fraco o Dentel. Acalmava-nos, ao trio conceptor da emissora, já no ar, em caráter experimental, Rodger Rogério: “Esquenta não” convidando-nos, a Clóvis Catunda e a mim, para um filme científico.

Era a história de ponte que se derrubara com o simples soprar de uma brisa, na mesma frequência. Nos estúdios da emissora em experiência, adentra o professor Liberal de Castro, a expressar revolta contra as críticas à Universidade Federal do Ceará (UFC).

É que os intelectuais, em pesquisa recém feita, queriam um busto ao boticário Ferreira, mas o povão queria uma fonte. “Eureka, acordei. A água pode ser essa brisa”. E, de Alencar, ocorria-me: “Iracema saiu do banho,

o aljôfar da água ainda a roreja como a doce mangaba que corou em manhã de chuva”.


Na Rádio, em experimentação, a água passamos a jogá-la em borborinhos a se confundir por meio poemas, letras de música, em tudo. Ao final, o bordão: “Rádio Universitária,

valorizando e repensando o Nordeste”. Guilherme Neto nos traz papo com Edson Queiroz, que descobria ter a água mais valor que o gás...


Hoje, “grafifeiro” da Rádio Universitária, na expressão de Paulo Elpídio, sinto o desejo de todos os cearenses no sentido de que a UFC estenda-se para além do Polo Cultural do Benfica, em todo o Ceará, levando mais longe o ensino, a pesquisa e a extensão. A educação, estendendo-se como aljôfar da
água a rorejar-nos...


Marcondes Rosa de Sousa - Professor da UFC e da Uece
marcondesrosa@terra.com.br
JORNAL O POVO 

Adoniram Barbosa

ADONIRAM BARBOSA

quarta-feira, 11 de agosto de 2010