terça-feira, 26 de outubro de 2010
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
opiniões sobre o conselho de comunicação do Ceará - BLOG DE PLÍNIO BORTOLLOTI
Amanda Nogueira 24.10.10 | 23:43
Olá Plínio,
Que bom que a nota da deputada Rachel Marques também foi publicada neste espaço. Precisamos ser plurais no debate sempre!
Quanto ao art. 224, ele abre precedentes…
O artigo não proíbe a ligação do Conselho ao executivo. Apenas cita que, no caso do Conselho Nacional de Comunicação Social, ele será ligado a um órgão legislativo. Somente.
Abraços,
Que bom que a nota da deputada Rachel Marques também foi publicada neste espaço. Precisamos ser plurais no debate sempre!
Quanto ao art. 224, ele abre precedentes…
O artigo não proíbe a ligação do Conselho ao executivo. Apenas cita que, no caso do Conselho Nacional de Comunicação Social, ele será ligado a um órgão legislativo. Somente.
Abraços,
Francisco Hélio Rôla 25.10.10 | 07:47
Arte Mordaça
Nossa história mostra que o poder, à direita ou à esquerda, quando lhe interessa, logo cassa, cala ou exila, ou mesmo mata, quem pensa, escreve ou fala. E, se “necessário” e em decorrência de sua ideologia, ele proíbe que os artistas pintem o mundo em suas próprias cores vivas…Inaceitável a medida mordaça à livre expressão, infeliz idéia da Deputada Raquel Marques (PT) que foi aprovada por unanimidade, não me surpreendo, pelos deputados do Ceará…Salvação?
Agora só falta o Governador se pronunciar e eu, data venia, lhe pergunto: Governador, cada povo merece a mordaça que lhe cala? Saudações
da pARTE do Hélio Rôla
Nossa história mostra que o poder, à direita ou à esquerda, quando lhe interessa, logo cassa, cala ou exila, ou mesmo mata, quem pensa, escreve ou fala. E, se “necessário” e em decorrência de sua ideologia, ele proíbe que os artistas pintem o mundo em suas próprias cores vivas…Inaceitável a medida mordaça à livre expressão, infeliz idéia da Deputada Raquel Marques (PT) que foi aprovada por unanimidade, não me surpreendo, pelos deputados do Ceará…Salvação?
Agora só falta o Governador se pronunciar e eu, data venia, lhe pergunto: Governador, cada povo merece a mordaça que lhe cala? Saudações
da pARTE do Hélio Rôla
É uma completa desinformação relacionar o Conselho de Comunicação com censura, restrinção ou mordaça. O órgão é uma forma de democratizar as discussões sobre as políticas do Governo Estadual na área. O papel de fiscalização ou monitoramento (=acompanhamento) é verificar alguma irregularidade nas mídias e levá-la para o Ministério Público Federal e o poder judiciário a quem cabe julgá-la. Por que os grandes conglomerados midiáticos temem essa fiscalização? Só quem pode controlar a mídia são os empresários? Os oligopólios da comunicação e o monopólio da fala não censuram ou restringem o conteúdo publica na mídia? Por que os jornais não estão dando espaço para os movimentos sociais e ongs (Intervozes, Abraço, Sindjorce, Catavento) que defendem o projeto se pronunciar? Sobre os procedimentos do jornal O Povo para contactar a deputada Rachel Marques, só faltou procurar a assessoria de imprensa da parlamentar. O que é básico e não foi feito. Será preconceito contra os assessores de imprensa?
Alexandrina Mesquita Mota Brito 25.10.10 | 12:20
A dep. Rachel Marques não foge do debate. Infelizmente está com problemas de saúde justamente nesse momento de discussão sobre o Conselho de Comunicação. Cabe aos meios de comunicação procurar a assessoria de imprensa como tão bem colocou o jornalista Ismar Capistrano e não sair “queimando” a deputada como estão fazendo.
dignidade que fica
DIGNIDADE NO FUTEBOL
Os jogadores de futebol muitas vezes tem sido criticados por algumas atitudes que acabam destruindo a arte do futebol muitas vezes provocadas pela falta de preparação, problemas familiares e às vezes pela própria formação nos times a que pertencem. No entanto alguns promovem momentos de rara emoção que certamente não deixarão de emocionar as pessoas e provocar respeito e admiração. Essas atitudes provam que talvez esteja no berço e na formação familiar o futuro de quem adquire êxito como atleta.
O goleiro do São Paulo Futebol Clube Rogério Ceni é um exemplo que há bons corações no mundo e que algumas vezes o futebol tem um conteúdo de educação para a vida que deve ser enaltecido e valorizado. No jogo contra o Ceará no Estádio do Castelão o jogador entrou em campo levando nas costas um jovem deficiente que certamente já o admirava e que agora o admirará cada vez mais e jamais esquecerá aquele momento de sua vida. Rogério Cenio o levou até a trave e bateu um pênalti para o adolescente que jamais esquecerá desta alegria. Ao final do jogo o atleta demonstrou respeito, consideração e ternura por aqueles que queriam autógrafos ou bater fotos com o jogador que sabe a importância de um gesto de carinho para algum fã.
Atitudes como estas certamente são notáveis e servem de exemplo para alguns que esquecem que fama é passageira e que o que fica na história são gestos , atos e palavras que exalem humildade, consideração e respeito. Muitos poderiam se espelhar nestas atitudes do jogador sãopaulino e utilizar sua fama para o bem , assumindo posições em busca da dignidade , da vida e do respeito aos seres humanos em todos os setores da vida moderna. Parabéns Rogério Ceni, que seu ato seja objeto de imitações por muiitos que pensam que fama, dinheiro e poder são as coisas mais importantes da vida.
Os jogadores de futebol muitas vezes tem sido criticados por algumas atitudes que acabam destruindo a arte do futebol muitas vezes provocadas pela falta de preparação, problemas familiares e às vezes pela própria formação nos times a que pertencem. No entanto alguns promovem momentos de rara emoção que certamente não deixarão de emocionar as pessoas e provocar respeito e admiração. Essas atitudes provam que talvez esteja no berço e na formação familiar o futuro de quem adquire êxito como atleta.
O goleiro do São Paulo Futebol Clube Rogério Ceni é um exemplo que há bons corações no mundo e que algumas vezes o futebol tem um conteúdo de educação para a vida que deve ser enaltecido e valorizado. No jogo contra o Ceará no Estádio do Castelão o jogador entrou em campo levando nas costas um jovem deficiente que certamente já o admirava e que agora o admirará cada vez mais e jamais esquecerá aquele momento de sua vida. Rogério Cenio o levou até a trave e bateu um pênalti para o adolescente que jamais esquecerá desta alegria. Ao final do jogo o atleta demonstrou respeito, consideração e ternura por aqueles que queriam autógrafos ou bater fotos com o jogador que sabe a importância de um gesto de carinho para algum fã.
Atitudes como estas certamente são notáveis e servem de exemplo para alguns que esquecem que fama é passageira e que o que fica na história são gestos , atos e palavras que exalem humildade, consideração e respeito. Muitos poderiam se espelhar nestas atitudes do jogador sãopaulino e utilizar sua fama para o bem , assumindo posições em busca da dignidade , da vida e do respeito aos seres humanos em todos os setores da vida moderna. Parabéns Rogério Ceni, que seu ato seja objeto de imitações por muiitos que pensam que fama, dinheiro e poder são as coisas mais importantes da vida.
VEJAM ESTA DECLARAÇÃO DO FNDC
Em defesa da democracia e do controle público sobre a mídia
2) A substituição da luta política democrática pelo ódio de classe e a disseminação de boatos e inverdades revela a face autoritária desses concessionários de emissoras de rádio e de televisão e de proprietários dos meios impressos.
3) Tais concessionários e proprietários de jornais ou revistas demonstram, deste modo, do que são capazes para tentar manter seus propósitos de dirigir a nação brasileira, conforme seus interesses privados.
4) A mais recente manifestação unilateral está muito viva na memória nacional, quando os principais meios de comunicação eletrônicos e impressos conspiraram contra a democracia, contribuindo na preparação do golpe militar de 1964, através de um apoio político decisivo.
5) Confiamos que a democracia brasileira resistirá aos seus inimigos.
Já os vimos. Sabemos quem são. E sabemos que a democracia não se consolidará sem o desenvolvimento de políticas públicas que levem à democratização dos meios de comunicação.
6) Por isso o FNDC apela aos homens e mulheres do Brasil que lutem contra o perigo totalitário que se ergue. Que lutem em suas comunidades, locais de trabalho, entidades e em todos os ambientes possíveis, denunciando o arbítrio e a desfaçatez dos concessionários de emissoras de rádio e de televisão e dos proprietários de jornais e revistas que se v alem dessa condição para defender seus interesses pessoais, em detrimento do interesse público.
7) Por fim, o FNDC reafirma o seu compromisso democrático e sua luta pela criação e consolidação de meios de controle público sobre a comunicação, com a participação do Estado e da sociedade civil organizada.
8) O FNDC considera que o controle público sobre a comunicação é condição indispensável para que a nação brasileira nunca mais volte a sofrer os constrangimentos ora impostos pelos donos da mídia.
9) É hora de cobrar um compromisso, por parte de todos os candidatos a cargos públicos nesta eleição, com a defesa da democratização da comunicação, a partir de regras transparentes, que não deixem a população refém de alguns poucos detentores de veículos que se apresentam como representantes do interesse público.
Assinam este Manifesto a Coordenação Executiva do Fórum e outras entidades, representando as mais de cem organizações nacionais e regionais que integram o FNDC (www.fndc.org.br).
Brasília, 29 de setembro de 2010.
ABRAÇO - Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária
ANEATE - Associação Nacional das Entidades de Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões
CFP - Conselho Federal de Psicologia
CUT - Central Única dos Trabalhadores
FENAJ - Federação Nacional dos Jornalistas
FITERT - Federação Interestadual dos Trabalhadores em Radiodifusão e Televisão
ARPUB - Associação das Rádios Públicas do Brasil
CTB - Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil
FENADADOS - Federação Nacional dos Empregados em Empresas e Órgãos Públicos e Privados de Processamento de Dados
FENAJUFE - Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário Federal e Ministério Público da União
FNPJ - Fórum Nacional de Professores de Jornalismo.
Deputada Rachel Marques - CRUCIFICADA PELA MÍDIA
veja nota publicada pela deputada Rachel Marques sobre o Projeto da criação do CONSELHO DE COMUNICAÇÃO DO CEARÁ
Rachel Marques reafirma importância do Conselho de Comunicação em nota a imprensa
Como comunicado à imprensa, que nos últimos dias vem solicitando depoimentos e entrevistas para os seus veículos, encontro-me atualmente em licença médica. A publicação de que estou me distanciando do debate, é falsa e leviana. Solicito que seja, por isso, divulgado sobre meu estado de saúde. O departamento legislativo da Assembleia recebeu atestado que comprova essa situação.Venho a público reafirmar a importância do projeto de indicação Nº 72/2010, que prevê a criação do Conselho Estadual de Comunicação Social do Ceará. A proposta de Conselho de Comunicação não é um ataque a liberdade de expressão e um mecanismo de censura. Longe disso, os conselhos são mecanismos democráticos, que integram os interesses de determinado setor, a exemplo dos conselhos de educação, saúde e assistência social, que têm como finalidade principal servir de instrumento para garantir a participação popular na construção das políticas e dos serviços públicos, envolvendo o planejamento e o acompanhamento da execução, no caso específico, uma política pública estadual de comunicação.
O projeto foi uma das propostas aprovadas na Conferência Nacional de Comunicação, realizada em 2009, com a participação de empresários, como a ABRA - Associação Brasileira de Radiodifusão, capitaneada pela TV Bandeirantes e a Rede TV e a TELEBRASIL - Associação Brasileira de Telecomunicações e redigido em conjunto com a Rede Cearense pela Comunicação (RedCom), organização composta por 30 entidades estaduais que publicaram manifesto de apoio ao projeto aprovado pela Assembleia.
O Conselho de Comunicação é uma demanda antiga das organizações sociais, movimentos sociais, jornalistas e empresários, para promover a participação social na comunicação no Brasil. Inclusive há a previsão de tal órgão na Constituição, no Artigo 224, que diz "Para os efeitos do disposto neste capítulo, o Congresso Nacional instituirá, como seu órgão auxiliar, o Conselho de Comunicação Social, na forma da lei", com direito a constituição de organismos similares nos estados.
Rachel Marques
Deputada Estadual - PT
O projeto foi uma das propostas aprovadas na Conferência Nacional de Comunicação, realizada em 2009, com a participação de empresários, como a ABRA - Associação Brasileira de Radiodifusão, capitaneada pela TV Bandeirantes e a Rede TV e a TELEBRASIL - Associação Brasileira de Telecomunicações e redigido em conjunto com a Rede Cearense pela Comunicação (RedCom), organização composta por 30 entidades estaduais que publicaram manifesto de apoio ao projeto aprovado pela Assembleia.
O Conselho de Comunicação é uma demanda antiga das organizações sociais, movimentos sociais, jornalistas e empresários, para promover a participação social na comunicação no Brasil. Inclusive há a previsão de tal órgão na Constituição, no Artigo 224, que diz "Para os efeitos do disposto neste capítulo, o Congresso Nacional instituirá, como seu órgão auxiliar, o Conselho de Comunicação Social, na forma da lei", com direito a constituição de organismos similares nos estados.
Rachel Marques
Deputada Estadual - PT
domingo, 24 de outubro de 2010
deu na coluna do abidoral - JORNAL O POVO
FALA POVÃO
A Associação Cearense de Emissoras de Rádio e Televisão (Acert) promoverá dia 1º de dezembro o evento Fala Nordeste, congresso regional do setor. Na ocasião, homenageará os radialistas Paulo Oliveira (AM 810) como “Melhor Radialista da Capital”, e Rosálio Daniel (Educadora de Limoeiro do Norte) como “Melhor Radialista do Interior”.
A Associação Cearense de Emissoras de Rádio e Televisão (Acert) promoverá dia 1º de dezembro o evento Fala Nordeste, congresso regional do setor. Na ocasião, homenageará os radialistas Paulo Oliveira (AM 810) como “Melhor Radialista da Capital”, e Rosálio Daniel (Educadora de Limoeiro do Norte) como “Melhor Radialista do Interior”.
sábado, 23 de outubro de 2010
isso é história
| MÍDIA RADIOFÔNICA A idade de ouro do rádio Por Ethevaldo Siqueira em 22/10/2010 | |
| A era de ouro do rádio brasileiro vai dos anos 1930 ao final dos anos 1950. Nesse período, a radiodifusão no Brasil é feita com muito idealismo, paixão e participação na vida brasileira. O rádio trouxe grandes benefícios culturais, sociais e políticos ao País. Fortaleceu o sentido de nação e consolidou a própria língua portuguesa falada no Brasil, dando-lhe mais homogeneidade na pronúncia, sem lhe destruir as peculiaridades regionais. Apesar das numerosas dificuldades econômicas enfrentadas pela maioria das emissoras de rádio, naquele período, a comunicação radiofônica cobriu todo o vasto território nacional, contribuindo significativamente para a integração cultural, a formação e uma nova consciência democrática e para o amadurecimento político. Foi nessas três décadas – dos anos 1930, 1940 e 1950 –que surgiram no Brasil comunicadores como Roquete-Pinto, Cesar Ladeira, Almirante, Ary Barroso, Ademar Casé, Renato Murce, Saint-Clair Lopes, Eneas Machado de Assis, Carlos Schermann, Paulo Machado de Carvalho, Fernando Tude de Souza, Roberto Cancelier, Roberto Marinho, Edgar Proença, Vitoriano Borges, Alvaro Freire, Carlos Lacombe, Carlos Prado Mendonça, Gagliano Neto ou Cândido Fontoura. Alguns dos mais famosos compositores, humoristas e cantores de nossa música popular começaram naquele rádio heroico dos anos 1930 e criaram um novo mundo para a comunicação no Brasil: Noel Rosa, Francisco Alves, Lamartine Babo, Orestes Barbosa, Grande Otelo, Celso Guimarães, Paulo Gracindo, Radamés Gnatalli e Mario Lago. A música, a informação, o entretenimento, a cultura geral, o sentimento nacional e a própria unidade linguística do Brasil devem muito a esses homens e tantos outros. As grandes emissoras Emissoras pioneiras como as que se multiplicaram no final da década de 1920 ou durante os anos 1930 consolidaram o papel que estava reservado à radiodifusão no País. O rádio-jornalismo, os programas humorísticos e musicais, as primeiras novelas e as transmissões esportivas (algumas delas feitas, a princípio, com arrojo, pelos pioneiros, numa época em que as condições técnicas das comunicações nacionais eram as mais precárias possíveis) deram à radiodifusão sonora uma posição de destaque crescente na vida brasileira até seu auge no final dos anos 1940 e primeiros da década dos 1950. Entre outras emissoras desse período áureo, as que mais se destacaram foram a Rádio Bandeirantes (São Paulo), Rádio Record (São Paulo), Rádio Tupi (de São Paulo), Rádio Mairink Veiga (Rio de Janeiro), Rádio Tamoio, Rádio Jornal do Comércio de Recife. O maior sucesso dos anos 1940 e 1950, no entanto, foi, de longe, a Rádio Nacional do Rio de Janeiro Nesse período áureo do rádio brasileiro, nossos pais ou avós se entusiasmavam com a velocidade da informação dos jornais falados de longa duração e grande audiência, como o Grande Jornal Falado Tupi, de Corifeu de Azevedo Marques, na Rádio Tupi de São Paulo. Ou com a qualidade de programas da Rádio Nacional do Rio, como Calouros em Desfile, de Ary Barroso. Ou Nada Além de Dois Minutos, Um milhão de melodias, Papel Carbono, da versão pioneira e radiofônica de O Direito de Nascer. Em minha infância, me deliciava ao ouvir Francisco Alves cantando aos domingos, ao meio-dia. A locutora anunciava com pompa e emoção: "Quando os ponteiros se encontram na metade do dia, os ouvintes da Rádio Nacional se encontram com o Rei da voz"… Com sua voz poderosa e inconfundível, Francisco Alves lançava, então, o jovem compositor gaúcho, Lupicínio Rodrigues, autor consagrado de Quem Há de dizer, Esses Moços, Nervos de Aço e tantos outros sucessos. Orlando Silva (o Cantor das Multidões), Sílvio Caldas, Carlos Galhardo, Vicente Celestino, Ciro Monteiro, Carmen Miranda, Cândido das Neves, Augusto Calheiros, Nelson Gonçalves, Dircinha e Linda Batista, os conjuntos (de Anjos e Demônios, bandos, duplas e trios, Os Oito Batutas (com Pinxinguinha), dos nacionalistas aos Quitantinhas Serenaders, Carmélia Alves, Ivon Cury, Hervê Cordovil, Marcelo Tupinambá e muitos outros enriquecem dia a dia a música popular. Transistor dá nova vida Mesmo com a chegada da televisão, o rádio se reinventa, renasce como transístor, ganha as ruas, os estádios, os automóveis, o campo e o sertão. A mobilidade traz uma nova vida ao rádio. Mas, para cumprir sua missão, o rádio brasileiro tem muitas vezes pago um preço bastante elevado. Criticado pelos abusos de alguns radialistas, mas frequentemente injustiçado nos julgamentos oficiais, o rádio brasileiro chega ao século 21 com mais de 3 mil emissoras, emissoras espalhadas por todos os Estados e Territórios. Em pequenas empresas deficitárias ou sem qualquer rentabilidade para os investimentos exigidos pela radiodifusão, lançando-se com pertinácia e idealismo à causa pública com extrema dedicação, o homem de rádio – especialmente no interior do País – não pode ser esquecido em qualquer avaliação crítica do progresso nacional. A face boêmia Paulo Machado de Carvalho, em entrevisa que concedeu, para o Estadão (edição de 5 de maio de 1974), relembrava um pouco de seus 44 anos de atividade no rádio, até então, no rádio paulista. Aliás, a primeira emissora paulista nasceu em 1924. Era a Rádio Educadora Paulista, cujo presidente e fundador era Frederico Steidel. Ainda naquele ano, foi criada no Recife e Rádio Clube de Pernanmbuco. As gerações mais novas talvez não saibam ou não se lembrem de que Paulo Machado de Carvalho foi o Marechal da Vitória, ao dirigir a delegação brasileira e seleção brasileira de futebol, cujo técnico era Vicente Feola, aquela equipe extraordinária que ganhou, pela primeira vez, na Copa de Mundo, da Suécia, em 1958. Paulo Machado de Carvalho relembrou-nos o começo de seu trabalho profissional como radialista e radiodifusor: "Quando compramos a Radio Record, em 1931, por 25 contos de réis, a emissora era dirigida por boêmios. Dentro de um piano, que não tocava uma nota sequer, havia centenas de tampinhas de cerveja, impedindo o movimento das cordas. Microfones de carvão eram acionados aos berros. A parte técnica, com todos os seus equipamentos, tinha um espaço de 4 metros quadrados para a gente trabalhar." Um dos episódios mais interessantes ocorridos em 1932 é narrado por Paulo Machado de Carvalho: "Uma dia, pela primeira vez na história do rádio do País, um grupo de estudantes invadiu a emissora para transmitir uma mensagem subversiva: o pedido de adesão popular à Revolução de 1932, que havia iniciado praticamente em maio. Surge nesta época um dos maiores locutores que o Brasil já conheceu: César Ladeira. Seu boletim, das duas às quatro horas da manhã, diariamente, terminava com um apelo revolucionário dirigido a Getúlio Vargas: Que renuncie o ditador." A 30 de maio de 1932, nascia a Rádio Cruzeiro do Sul, (chamada depois, Rádio Piratininga), fundada por Alberto Byington Jr., e que foi fechada em 1974, simplesmente por criticar o governo militar. O Ministério das Comunicações simplesmente não lhe renovou a concessão. Fundada a 30 de maio, a Piratininga formou verdadeiros profissionais do rádio, que se tornaram nomes nacionais, como Emílio Carlos, Fauze Carlos e Blota Júnior. Nessa emissora, também trabalhou Cesar Ladeira. Instrumentalização política O rádio brasileiro tem sido utilizado exaustivamente como instrumento de ação política, quer por partidos, quer pelo governo ao longo dos últimos 87 anos. Em 1935, era criada a Hora do Brasil, programa de uma hora de duração que ia ao ar de segunda-feira a sábado das 20 às 21 horas, com noticiário oficial distribuído pelo famigerado Departamento de Imprensa e Propaganda, depois do golpe de Estado de 1937. Mesmo após a queda de Vargas, em 1945, o programa sobreviveu, passou a chamar-se A Voz do Brasil, sofreu diversas mudanças, mas não morreu. Redemocratizado o País em 1945, já com o nome de A Voz do Brasil, e, de lá para cá, com o golpe militar de 1964, entra governo, sai governo, com a queda da ditadura, o programa continua, sempre transmitido em rede obrigatória, hoje com mais de 3 mil emissoras em cadeia divulgando o noticiário chapa branca. Antes de mais nada, estamos diante de um imenso desperdício de energia elétrica. A Voz do Brasil que ainda ouvimos em 2010 é estatal, irritante, anacrônica, jurássica e inútil, sobrevive como o mais antigo lixo autoritário do rádio brasileiro. Programa de rádio típico dos regimes autoritários, irritante e anacrônico. O programa se perpetuou não apenas por interesse dos presidentes e de políticos oriundos dos grotões distantes, que passaram a utilizá-lo como canal de comunicação com suas bases. É o rádio que já foi usado como o "Alô, mamãe" – de parlamentares do baixo clero, seus defensores mais ferrenhos. Antigamente se dizia que a maior utilidade da Voz do Brasil era levar informações ao habitante da Amazônia, que só conseguia ouvir emissoras estrangeiras. Então, por que não restringir a obrigatoriedade do programa àquela região? E hoje por que não aproveitar as emissoras federais e estaduais e, em especial, a Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), criada por Lula? O rádio popular Mas a popularidade do rádio atingiu seu ponto máximo nos anos 50. Os programas de auditório evoluíram e foram responsáveis pela maior parcela desse prestígio. O primeiro deles de grande audiência foi produzido e dirigido por Casé (Ademar Casé), "sob o alto patrocínio" de um purgante do laborátorio Queiroz. Casé apresentou e contribuiu para a popularidade de artistas como Carmen Miranda, Mario Reis, Francisco Alves, Lamartine Babo, Almirante e Noel Rosa, entre tantos outros. Um jovem maestro foi "lançado" por Casé : Eleazar de Carvalho. O programa tinha uma variedade incrível (ficção, teatro, radiofonização de histórias reais ou contos policiais; dramatização de episódios históricos, humorismo, canto, paródias etc). E reuniu gente excepcional, como Orestes Barbosa, Luís Peixoto, Henrique Pongetti e Paulo Roberto. Chegou até a realizar o Teatro Imaginário, que, mais do que a novela, era a ópera do rádio, com sonorização de palmas, clima de teatro, vozes e tudo mais que lembrasse uma noite no Municipal. Foi no rádio que nasceram algumas figuras populares da televisão brasileira (o que explica a fórmula de sucesso e alguns vícios, como o de "fazer rádio com imagem na TV"): Abelardo Chacrinha Barbosa, Flavio Cavalcanti (lançado também por Casé), Silvio Santos, Hebe Camargo, J. Silvestre e outros. | |
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