![]() | · Assista o clipe da música aqui! · Concorra a prêmios! · Participe da comunidade do Vaga-lume no Orkut · Acesse www.vagalume.com.br |
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
ENTREVISTA COM LIA CALABRE AUTORA DO LIVRO A ERA DO RÁDIO
Historicamente, o que representa a adoção de ferramentas digitais para o rádio como meio de comunicação?
É uma alteração considerável porque amplia uma das seduções do rádio, que é a proximidade com o ouvinte. A internet é comparada às ondas curtas dos anos 40, quando a transmissão podia ser captada em qualquer lugar do mundo dependendo da direção da antena. Só que na época, ele era o meio, único e principal. A internet retoma esse alcance, mas com uma pluralidade de meios. O que eu percebo é que, ao entrar na internet, o rádio vai estar mais segmentado, diferente daquele rádio mais geral que a gente tinha até então. É um grande aprendizado para todos.
A definição de rádio deverá ser repensada?
A convergência das mídias vai mexer com todas as definições. Quando você tem um aparelho com múltiplas funções, acessa todo tipo de conteúdo, mas eles continuam sendo conteúdos diferenciados. Mesmo o rádio transmitido por ondas atual é absolutamente distinto do rádio dos anos 40 em termos de linguagem. Vivemos hoje, com a internet, um processo parecido ao que houve com o rádio após o surgimento da TV. É possível que mais adiante aconteça uma redefinição de tudo. Mas acho que ainda estamos distantes porque são formas de comunicação específicas, mas que precisam se adequar aos novos tempos.
De que forma o ouvinte muda?
Essas mudanças também são segmentadas. O público mais jovem opta pela convergência de mídias. Ele tem um celular que filma, tem rádio e baixa MP3. Mas a minha geração, com 50 anos hoje, usa o iPod quando vai correr, quando vai fazer outra coisa que não possa usar o aparelho convencional. Então você pode determinar alguns perfis. Esse processo segmentado ainda vai levar uns 20 anos e sem dúvida o perfil dos ouvintes vai continuar variando. As pessoas ficarão cada vez mais exigentes. Algumas pessoas apostam que o rádio tradicional não vai desaparecer exatamente por conta das outras atividades que fazemos ao mesmo tempo em que ouvimos rádio, como no trânsito, na corrida matinal, na caminhada na praia.
Na internet poderemos reviver as rádios de abrangência nacional?
Acredito que sim. A tendência da internet é ser mais universalizada, menos local. Quando você estabelece um site, parte para um diálogo mais amplo. A tendência de suporte tende a direcionar a comunicação para a diversificação que é própria da ferramenta. As pessoas procuram notícias locais, mas para a emissora é complicado, numa ferramenta desse porte, produzir apenas localmente. Ela vai produzir talvez um jornalismo local, mas vai olhar outros nichos.
Entrevista: Nair Prata
"Ouvinte de radio online quer interferir na programação"
por Filipe Serrano
Nair Prata, autora do livro Webradio: Novos Gêneros, Novas Formas de Interação (Ed. Insular), trabalhou por 18 anos em emissoras de rádio e dedicou seu doutorado, que resultou no livro, a rádios que transmitem online, tanto emissoras convencionais quanto as que têm programação apenas via web.
O que diferencia os ouvintes de rádio tradicional de webrádio?
Existe um novo rádio hoje que transmite até imagem, um rádio focado na internet. Mas o ouvinte ainda é muito recente para traçar um perfil. A primera webrádio, a Totem, de São Paulo, é de 1998. O que dá para perceber é que esse novo ouvinte quer mudar a programação, conversar com o locutor, interferir na programação. Esse ouvinte é aquele sujeito que já nasceu no mundo digital.
Mas o ouvinte do rádio tradicional também é assim, não?
Sim. Os dois são ainda ligados e por isso há um processo de radiomorfose (sic). Há vários modelos convivendo, do rádio tradicional, do rádio que também tem página na internet e do que nasceu unicamente na internet.
Quem faz as webrádios? Por que quiseram ter um canal de áudio na internet?
Há todo tipo de rádio, ligadas a igrejas, universidades. Em geral, tem sido uma saída importante para quem não consegue a concessão de frequências. Além de ser fácil, tem alcance mundial. E há webrádios ligadas a grupos também. Por exemplo, a mais acessada do País é a Estação Pop, ligada ao portal Pop, do sul do Brasil. A característica importante é que elas são segmentadas. Aquela figura da rádio que fala para todas as pessoas está acabando porque o rádio fala cada vez mais para públicos específicos.
Escrito por Magaly Prado às 11h08
[ (0) Comentários dos radioamantes ] [ envie esta mensagem ]
AM na INTERNET - DIREITOS AUTORAIS e MÚSICAS DE GRAÇA NA REDE
Emissoras tradicionais se voltam para a internet
Sites facilitam a participação do ouvinte, que cada vez mais ouve rádio em outros aparelhos; estações AM se livram do áudio ruim ao trasmitir via web
Do Estadão - Link - por Filipe Serrano e Tatiana de Mello Dias
Legítimas representantes da velha mídia, as rádios tradicionais estão rebolando para chegar ao novo público – aquele que já não fica sentado esperando a informação chegar. Não tem jeito: a internet é um caminho sem volta. E, para chegar às pessoas hoje, é preciso mergulhar na rede.
A Rádio Cultura AM, de São Paulo, passou por uma grande mudança na semana passada. Seu site simples de uma só página deu lugar a um novo, cheio de conteúdo e com a transmissão ao vivo dos estúdios. “Nossa ideia é conquistar novos públicos. Transmitindo só em AM, ficamos longe dos jovens. Eles vão direto à FM, às vezes nem isso”, disse ao Link Gioconda Bordon, diretora de rádio da Cultura.
O investimento no campo digital passou pelo rebatismo da rádio – que agora se chama Cultura Brasil – e pela mudança na programação, profundamente influenciada pela interatividade do Radar Cultura, programa em que o público escolhe a programação.
O programa era circunscrito a três horas diárias na programação da rádio, mas caiu no gosto do público: com 14 mil cadastrados e 2.500 acessos diários, os ouvintes (ou internautas) opinam, votam e até enviam programas para tocar no rádio. E grande parte deles ouve a rádio pela internet, bem longe de aparelhos que captam ondas AM.
A rádio pretende, no futuro, desenvolver aplicativos para celular. A última moda das emissoras, aliás, é criar aplicativos do iPhone para que elas possam ser sintonizadas no celular da Apple que, curiosamente, não tem antena de rádio. A transmissão é feita pela internet, usando a rede de dados da operadora ou uma conexão Wi-Fi.
A verdade é que o rádio está sendo o melhor exemplo de integração completa da velha mídia, analógica, com a nova, digital. E as emissoras estão muito contentes com isso, esperando encontrar um novo público, mais amplo, e desenvolver novas ferramentas integradas com a web e o celular.
Por estes motivos, nesta semana o Grupo de Profissionais de Rádio (GPR) promove um seminário em São Paulo para discutir o rádio na internet (mais informações pelo site http://www.gpradio.com.br/). “A internet ampliou a cobertura do rádio e conquistou uma audiência que nunca teve. As pessoas, mesmo no trabalho, continuam ouvindo a programação durante o dia, o que antes era impossível. Comercialmente muda muito. O desafio agora é saber como medir essa audiência nova”, disse Mariangela Ribeiro, uma das diretoras do GPR e organizadora do seminário. Não há números consolidados, mas um estudo do Comitê Gestor da Internet aponta que 42% dos internautas ouvem rádio na web.
O mesmo dado é verificado em outra pesquisa, patrocinada pela Deloitte, chamada O Futuro da Mídia. De acordo com ela, os brasileiros gastam, em média, 2,3 horas por semana ouvindo rádio na web. Sobre o método favorito de ouvir música, 14% disseram preferir ouvir emissoras AM/FM; 12%, em rádios na internet; e 10% usam o telefone celular.
De acordo com o Ibope/Netratings cerca de 2,5 milhões de pessoas visitaram sites de rádios em agosto, 6,6% dos internautas ativos no mês, no trabalho e ou em casa.
Segundo Miriam Chaves, diretora executiva da Rádio Eldorado, 40% dos ouvintes da emissora também costuma ouvir a programação pela internet. “Mesmo quem ouve música no iPod quer descobrir novas músicas ou saber quais são as notícias do momento. E eles buscam isso no rádio. Está se criando uma nova cultura de audiência, daquelas pessoas que começam a ouvir fora dos horários convencionais, no trabalho ou até de madrugada. Isso obriga a repensar a programação”, afirma.
A transformação do rádio com as tecnologias digitais passa também pelas ferramentas que promovem a participação dos ouvintes.
O que antes era feito por meio de cartas e telefonemas, agora ocorre via celular ou computador: emissoras permitem que as pessoas enviem mensagens de texto, e-mail e até tweets com comentários, perguntas, sugestões – e com muito mais agilidade. A participação do público serve de apoio para o próprio programa.
Além disso, os sites das rádios começam a explorar os recursos digitais. Muitas emissoras já transmitem ao vivo a gravação em vídeo dos estúdios, colocam playlists de músicas dividas por gênero e algumas até permitem que o usuário vote na programação das músicas.
A internet também abriu uma nova oportunidade para rádios AM, antes sujeitas a um áudio de baixa qualidade. “A web é uma forma de ampliar e popularizar nosso canal. Mas acredito que outros formatos continuarão. O ouvinte tem a necessidade de ser um pouco conduzido”, diz Alceu Maynard, produtor do Radar Cultura.
Depois de investir na web, Eldorado vai para o celular
Uma da principais ferramentas do Território Eldorado, o site da Rádio Eldorado, é o Mural dos jogos de futebol que vai ao ar sempre que começa uma transmissão na rádio, no endereço www.territorioeldorado/futebolaovivo. Ao mesmo tempo em que se ouve a narração do jogo, é possível acompanhar no Mural todo o conteúdo do site ligado ao futebol, como o chat com os internautas, comentários para os narradores e ver o resumo do jogo, lance a lance, feito pelo por tal Estadao.com.br.
Desde que inaugurou a nova plataforma online, o site da Rádio Eldorado aumentou as visitas em 300%, de acordo com a diretora executiva Miriam Chaves. Para ouvintes que procuram música, há playlists de artistas e gêneros específicos. No site ou por meio de um aplicativo instalado no computador (conhecido como ‘widget’) é possível acompanhar a programação ao vivo da rádio, tanto AM quanto FM.
Os shows de programas como Sala do Professor Buchanas e Grandes Encontros também têm transmissão ao vivo, em vídeo, pela internet.
Em alguns modelos de celulares da Nokia, que vem com o programa para ouvir rádio pela internet, também é possível sintonizar a Eldorado. Mas o telefone móvel ainda ganhará mais novidades neste semestre. Serão lançados um aplicativo para o iPhone e um canal de comunicação pelo celular, para que os ouvintes enviem mensagens de texto ou deixem recados de voz discando pará um número da rádio. “Como a AM é difícil de ouvir, com a internet valorizamos o jornalismo e a produção de futebol feita pela Eldorado. A web é a salvação da AM”, disse Miriam Chaves.
No Brasil, pagar ao Ecad é obrigatório
por Tatiana de Mello Dias
No Brasil, não há regulamentação específica para autorizar o funcionamento de uma rádio web. Mas quem toca música precisa pagar para o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad).
“Para que haja a utilização de músicas em sites na internet deve haver o pagamento dos direitos autorais, pois neste caso ocorre a execução pública de músicas”, explica Márcio Fernandes, gerente executivo de arrecadação do Ecad. Na web, vale o que diz a Lei de Direitos Autorais (9.610/98).
Qualquer rádio precisa pagar, mesmo se tiver fins educativos ou comunitários. Os valores, porém, variam de acordo com a finalidade e a proposta da rádio. Quem quiser transmitir uma música precisa procurar o Ecad, que envia um contrato e faz a cobrança através de boleto bancário. O órgão desenvolveu um software que automatiza a cobrança.
A regra vale para podcasts. Os valores para cobrança foram definidos pelo órgão junto da Associação Brasileira de Podcasting (ABPod). “A Lei de Direitos Autorais é uma das mais modernas e completas leis do mundo e previu a proteção autoral para utilização de obras musicais em qualquer modalidade”, diz Fernandes.
As rádios web reclamam. “Eu acho que a cobrança é abusiva, porque acho que o artista tem que ganhar dinheiro fazendo show. A rádio serve como divulgação”, diz Fernando Telles, da Rádio Rox. Ele foi procurado pelo órgão e precisou firmar um contrato para pagamento dos direitos – a verba, segundo ele, compromete boa parte do orçamento das rádios.
O pessoal da Dada Radio optou por tocar músicas licenciadas em copyleft. “No começo a gente usava mais musica proprietária, mas com o tempo passamos a buscar conteúdo livre”, diz Amadeu Cardoso. Hoje, 90% do que eles tocam é copyleft. Além disso, a rádio divulga artistas iniciantes, que autorizam a execução. “Muitas vezes, as pessoas ficam até agradecidas”, diz Amadeu.
Além disso, a Dada é hospedada fora do Brasil. “O Ecad só faz a arrecadação e distribuição de músicas executadas publicamente em solo brasileiro”, explica Fernandes. Ele orienta, porém, o dono da rádio a checar a legislação vigente no País antes de transmitir qualquer música por aí.
Retirado do blog da Magaly Prado.
POR QUE HOJE É O DIA DO RÁDIO
No dia 25 de setembro, data do nascimento de Roquete Pinto - o "Pai do Rádio Brasileiro" -, comemora-se o Dia do Rádio. Em 1923, Roquete fundou a primeira emissora do país, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Era uma fase experimental do veículo, sem grandes avanços tecnológicos.
A primeira transmissão radiofônica em terras brasileiras, no entanto, já havia ocorrido no ano anterior, mais precisamente em 7 de setembro de 1922, na comemoração do centenário da independência brasileira. Na ocasião, uma estação de rádio foi instalada no Corcovado, no Rio de Janeiro, para a veiculação de músicas e do discurso do então presidente Epitácio Pessoa.
De lá para cá, muita coisa mudou: das interferências e ruídos dos primeiros aparelhos de rádio (pesados, enormes e à válvula) aos pequenos, leves e modernos rádios de transistores. A década de 1950 foi marcada pela consolidação do veículo como meio de comunicação. Em 1968, surgiram as primeiras emissoras de freqüência modulada (FM).
O inventor do rádio foi o italiano Guglielmo Marconi, que criou o seu "telégrafo sem fio", um modelo inicial que se desenvolveu até o sistema que conhecemos hoje. Em 1896, Marconi demonstrou a eficiência de seu aparelho numa transmissão na Inglaterra, do terraço do English Telegraphy Office para a colina de Salisbury. Ganhou do governo da Itália uma patente pela sua criação.
A história também cogita que um padre brasileiro, Roberto Landell de Moura, tivesse sido o inventor do rádio. Em 1894, Roberto havia desenvolvido aparelho semelhante e efetuado a emissão e recepção de sinais a uma distância de oito quilômetros, do bairro de Santana para os altos da avenida Paulista, em São Paulo.
Fanáticos religiosos, contudo, cientes de que o padre brasileiro tinha pactos com o demônio, destruíram seu aparelho e suas anotações, o que atrasou o reconhecimento de sua criação pelas autoridades científicas. Só em 1900 Roberto conseguiu fazer uma demonstração pública de seu invento.
Retirado do site www.aticaeducacional.com.br
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
PARA LER E COMENTAR
O novo rádio
No livro O Presidente Negro, de 1926, Monteiro Lobato se deixava levar pela grande novidade da época, o rádio, e dizia que as “ondas de radiação” seriam usadas para enviar mensagens, para trabalhar de casa e até mesmo para computar os votos de uma eleição. A primeira transmissão de rádio no Brasil havia sido feita quatro anos antes, no dia 7 de setembro de 1922.
Nos 87 anos seguintes, o título de tecnologia promissora foi para outros meios, como a TV e a internet. Mas há algo de diferente acontecendo com o rádio. Sem muito alarde, ele se tornou a primeira mídia multiplataforma de fato, justamente por causa das novas tecnologias.
O rádio está em qualquer lugar. Hoje ouvimos não apenas em casa ou no carro , mas no celular, na televisão e, principalmente, pela internet, em qualquer aparelho em que a conexão esteja disponível. Podemos sintonizar qualquer emissora do mundo. E dá até para fazer o download dos programas de rádio favoritos para ouvir no tocador de MP3, sem depender da transmissão ao vivo.
Isso tudo sem falar que qualquer um pode criar sua estação na internet para quem quiser escutar e que a rede oferece um território muito mais amplo de transmissão do que o espectro de radiofrequência regulado pela Anatel. “A rádio tradicional é pontual: transmitiu, acabou. Na internet, o conteúdo perpetua-se”, diz Ricardo Tacioli, da Cultura Brasil, versão online da antiga Cultura AM, uma das muitas rádios tradicionais que estão aprendendo a se reinventar com a internet.
Uma saída inteligente, se compararmos com setores como a indústria fonográfica, que preferiu brigar contra a internet a aprender a sobreviver no século 21.(Filipe Serrado e Tatiana de Mello Dias, do O Estado de S. Paulo).
retirado do site www.carosouvintes.org.br
UMA LEITURA INTERESSANTE...
Sem-Fio e Telecom - Criação
O brasileiro que inventou o rádio
25/07/2006 17:15Por: Fábio Fernandes
Livro conta a história do padre brasileiro cientista genial que acreditava na comunicação sem fio.
Em que momento cai um mito? Quando, exatamente, deixamos de acreditar no que nos dizem os livros oficiais de história e mergulhamos a fundo nos fatos históricos, nos acontecimentos? Quando, para ficarmos apenas num exemplo, Tiradentes deixa de ser simplesmente “o mártir da independência” que lemos nos livros escolares para ser o conspirador revolucionário que foi envolvido numa trama complexa (também semi-ignorada pelos livros escolares, que chamam simplesmente a conspiração de “Inconfidência Mineira” e estamos conversados) e condenado à morte e à infâmia?
Nos últimos anos, uma série de ótimos livros têm colaborado para erradicar de uma vez por todas a idéia de que o brasileiro não tem memória. Ao que parece, essa idéia nunca passou de um mito, pois sempre há quem nos lembre de que somos muito mais do que o infame senso comum nos tenta fazer acreditar (quanto à questão de quem ajuda a disseminar esse senso comum, ou seja, de quem é o interesse que não tenhamos memória, isso será assunto para outro dia).
Que os leitores mais jovens do Webinsider não se espantem com esta diatribe inicial. Ela é conseqüência direta da educação de primeiro grau recebida pela geração que hoje está na casa dos quarenta (na qual acabei de entrar) e que pouco fez além de entupir as cabecinhas (que por isso mesmo ficaram um tanto cabeçudas) com dados e cognomes, bem à moda da historiografia positivista, cuja única preocupação era elaborar listas de fatos, sem lhes dar a devida análise e contextualização. E quantos nomes, por questões políticas, entre outras, não ficaram de fora dessas listas?
Um dos nomes esquecidos por décadas foi o do padre gaúcho Roberto Landell de Moura. E um livro que está ajudando a resgatar o nome desse inventor é Padre Landell de Moura – Um Herói sem Glória (Record). Escrito pelo jornalista Hamilton Almeida, Padre Landell de Moura… conta a história de um padre que não se contentou com o púlpito e a pregação religiosa. Seu rebanho era outro: a ciência.
Landell era antes de tudo um cientista. Na adolescência, como a maioria dos jovens de sua geração, era curioso pelos fenômenos não só biológicos como também elétricos – afinal, a eletricidade ainda era novidade no Brasil do final do século dezenove (Landell nascera em 1861). O tamanho de sua curiosidade e a amplitude das áreas do conhecimento que gostava de investigar podem ser aferidos por um simples fragmento de manuscrito: “…fiz algumas composições químicas, tais como a para extrair a cárie dos dentes. Construí um telefone. Fiz a autópsia de um gato, e estudei a influência que podia ter sobre ele a eletricidade atmosférica.” E arremata, só para humilhar: “Tinha, então, 16 anos.”
Um herói sem glória – até agora
Façam os cálculos. Landell nasceu em 1861. Seu telefone fora inventado, portanto, em 1877. A primeira experiência de Graham Bell com seu invento data de 1876, e o Imperador D. Pedro II (o primeiro brasileiro a possuir oficialmente um aparelho telefônico) só teria o seu telefone no ano seguinte. Praticamente ao mesmo tempo, portanto, que o jovem gaúcho de Porto Alegre, que, escusado dizer, não pertencia à nobreza nem tinha qualquer contato com Bell e muito menos com o imperador.
Perdoe-me a igreja católica, mas padre Landell era o diabo. Pintava e bordava – ou, seria melhor dizer, soldava e montava? Fosse como fosse, Landell acreditava piamente na comunicação a distância sem a necessidade de fios, e lutou durante anos para construir aparelhos que pudessem transmitir a voz humana e aperfeiçoar o sistema já existente de telefonia.
Não estava sozinho. Outros cientistas, como Nikola Tesla e Guglielmo Marconi, pensavam o mesmo. Tesla é o criador da corrente alternada, e trabalhou com Thomas Edison em uma série de projetos que envolviam emissão de ondas sem fio. Marconi não ficou atrás: obteve o apoio dos governos italiano e norte-americano (além de financistas britânicos) para a construção de antenas e transmissores.
Landell tinha uma coisa em comum com Tesla e Marconi, além da perserverança: assim como eles, também foi para os Estados Unidos, certo de que a famosa Terra das Oportunidades seria o lugar ideal para mostrar seus inventos. Conseguiu patentear uma série deles, mas não conseguiu expô-los.
Em 1900, no alto de Santana
Seria pior no Brasil. Embora, em 1900, uma experiência bem-sucedida de transmissão de som tivesse acontecido no alto de Santana, na cidade de São Paulo (noticiada inclusive pelo Jornal do Commercio), os aparelhos de padre Landell não foram levados a sério em seu próprio país. Por isso passou o ano de 1904 nos EUA para patentear seus principais inventos: o “Wireless Telegraph” (telégrafo sem fio), o “Wireless Telephone” (telefone sem fio), e o “Wave Transmitter” (transmissor de ondas). As patentes foram obtidas, mas a duração delas era limitada (17 anos), e ninguém manifestou interesse em comercializá-las. Cientistas como Marconi não acreditavam na viabilidade dos sistemas utilizados por Landell. Um deles? A transmissão por ondas de luz.
Hoje considerado (mais um clichê positivista) “um homem à frente de seu tempo”, Landell não foi tratado como deveria. Embora não tivesse conseguido apoio nem dos governos nem da própria igreja, padre Landell continuou vivendo dentro dos cânones católicos. Chegou a se tornar monsenhor um ano antes de morrer, em 1928.
Patentes venceram e foram usadas
E ainda tomou conhecimento de que suas invenções, findo o prazo de duração das patentes, foram apropriadas pelos americanos. Em entrevista a um jornal brasileiro, declarou que não era menos feliz por isso. “Eu vi sempre nas minhas descobertas uma dádiva de Deus”, acrescentando que sempre trabalhara pelo bem da humanidade. Padre Landell não queria dinheiro: queria apenas o merecido reconhecimento por ter feito parte da história das telecomunicações.
O livro de Hamilton Almeida contém relatos detalhados e excertos dos manuscritos de Landell. É uma excelente fonte de informação para cientistas, coleguinhas da imprensa e todo e qualquer brasileiro que (sem nacionalismos exacerbados, por favor) deseje conhecer algo mais a respeito de um homem que deu a vida pela ciência num país que está pouco se lixando para seus gênios.
Sobre o Autor
Fábio Fernandes (zeroabsoluto@gmail.com) é jornalista, escritor e tradutor.
Url original: http://webinsider.uol.com.br/index.php/2006/07/25/o-brasileiro-que-inventou-o-radio/
Publicada em: 25/07/2006 17:15
Impresso em: 22/09/2009
vtardin@webinsider.com.br
.embed.gif)
Há algum tempo meu avô e um primo meu que estava de férias em Barbalha(Ce), escutavam um programa de forró aos sábados na rádio Educadora do Crato. O programa era apresentado por Eloi Teles. E ele fazia um teatro. Era como se os ouvintes dele cativos estavam numa festa e "Seu" Eloi falava:
-Seu fulano de Tal como está? Já dançou muito?
Mais ou menos assim.
Meu primo vindo de São Paulo, pergunta pro meu avô:
-Tio, esse forró é bom demais. Sábado que vem vou lá!
Meu avô respondeu:
-Homem, isso é invenção do repórter! Ele tá falando da rádio.
É só conversa!
Com essa historinha, só queria dizer da grande magia que é o rádio
e da sua importância nas nossas vidas. Nós ouvintes ficamos imaginando como é o locutor ou locutora. Na narração de um jogo de futebol fazemos um filme de como é as jogadas.
Parabéns aos radialistas, ouvintes e ao rádio!
25 de Setembro de 2009 00:47 - ARIMATÉIA