domingo, 13 de setembro de 2009

UMA HOMENAGEM A UMA ESCOLA REALMENTE DIFERENTE...

CAMINHOS DA ALEGRIA DE APRENDER


Todos os dias quando andamos em nossos carros pela avenida Treze de Maio verificamos um movimento pendular que talvez não tenha significado para os insensíveis ou para os que não compreendem os milagres da educação. No meio da viagem vemos adolescentes caminhando com alegria , com orgulho e muita satisfação de ir e voltar a uma Escola onde são bem atendidos e tratados como gente. Nesta premissa do grande Paulo Freire que nos ensinou que todos que fazem a Escola são gente sentimos um quê de alegria e ao mesmo tempo de tristeza por saber como a educação , os educadores e os alunos são tratados pela sociedade.
O que faz como que esses jovens de diversas idades, sonhos e esperanças façam esta caminhada de peregrinação em meio a uma calçada como tanta alegria e orgulho de ser da Escola Pública e mesmo sem apoio caminham em direção a sua Escola? Parece – nos que há algo nesta Instituição de ensino que atrai estes jovens e lhes dá alegria de ir até ela. O nome desta fórmula é simples de decifrar: uma pitada de compromisso de seus educadores , uma direção que acredita no que faz e mobiliza a todos que estão no ambiente escolar a fazer uma educação diferente e num só instante temos aí um ambiente de milagres que mistura a alegria de crescer intelectualmente e ter vida digna. O trabalho dos professores que acontece às vezes silenciosamente na Escola de Ensino Médio Governador Adauto Bezerra e de encher o coração dos que acreditam na educação de ânimo e alegria.
Resta aos que administram o Poder Público acreditar nesta Escola, valorizar seus educadores e dar a esses jovens condições mínimas que os façam acreditar na vida e ter certeza de que há compromisso com aqueles que querem que o mundo mudem e tem esperança no novo em meio a tantas incertezas e desencorajamento para que a Educação realmente aconteça. Por que não divulgam o lado bom da Escola Pública? Por que não dão a esses jovens condições de chegar á Escola? Sabemos que muitos às vezes deixam a Escola por não ter dinheiro para pagar o transporte para se educar?O problema da educação está com certeza na Sociedade que não quer que ela aconteça e deixa tiranos administrarem as políticas de Educação Pública sem pensar em qualidade, cidadania e respeito que os que fazem nossas escolas merecem e tem de ter para gerar trabalhos como este que sabemos que é feito às duras penas e com o mínimo reconhecimento. Parabéns ao ADAUTO BEZERRA um caso concreto de denodo e amor à causa da Educação. Parabéns a esses peregrinos que nas ruas da cidade estão mostrando que o jovem tem compromisso e quando respeitado produz coisas maravilhosas de forma silenciosa porém com mensagens fortes e que certamente precisam ser mostradas, analisadas e, sobretudo reconhecidas.

FRANCISCO DJACYR SILVA DE SOUZA
PROFESSOR

OUVINTES NA PRAÇA

No próximo dia 19 a ASSOCIAÇÃO DE OUVINTES DE RÁDIO estará realizando no Praça do Ferreira um dia especial onde procurará comemorar o DIA DO OUVINTE DE RÁDIO com prestação de serviços, exposição de rádios antigos e tribuna livre para dizermos o que pensamos do rádio. Participe você merece falar e comemorar seu dia como usuário de um meio de comunicação que merece respeito.

CONFERÊNCIA DE COMUNICAÇÃO

Acontece em Brasília, de 1º a 3 de dezembro, com o tema Comunicação: meios para a construção de direitos e de cidadania na era digital, a primeira Conferência Nacional de Comunicação (Confecom). Reúne delegados representantes da sociedade civil, eleitos em conferências estaduais e por representantes do poder público. Dizia Paulo Freire que toda comunicação é uma comunicação de algo, feita em favor ou na defesa, sutil ou explícita, de algum ideal, contra algo ou contra alguém nem sempre claramente referido. Hoje o grande desafio é uma comunicação dialógica, em que o agente principal da comunicação seja a transformação da sociedade com o seu meio. Portanto falar da conferência é falar da possibilidade de revermos conceitos, preceitos e preconceitos estabelecidos nesta sociedade midiática, consumista e excludente. Por isso é fundamental se inteirar e participar do debate. Veja também: www.proconferencia.com.br
retirado do site www.mundojovem.pucrs.br

sábado, 12 de setembro de 2009

PROFISSIONAIS COMPETENTES MERECEM NOSSO RESPEITO


Uma homenagem ao Claudio Teran. Não só pela forma de fazer programa , mas pelo respeito que ele tem pela opinião do ouvinte. Esse ouve o que dizemos e tem sempre o poder de comentar o que falamos no rádio. O nome disso é competência e cidadania. Parabéns Claudio!!!

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

LEIA SOBRE A CRISE DO RÁDIO

Anônimo disse...
não fale senão a diretora da Rádio Clube proibe de seu nome ser dito na rádio. Esta previsão eu fiz há quase 6 meses atrás e ninguém acreditou ou fingiu ignorar. Infelizmente muitos dos que se insurgem contra este problema são desprezados pelos próprios membros das rádios. Teve radialista que me criticou quando escrevi isso no jornal o povo. E aí? o que aconteceu? Tudo que previ está se consolidando. O problema é que muitos radialistas só pensam em si. Cadê os que brigaram com relação à Dragão do Mar? Quando conseguiram lugar calaram - se. Por que ninguém disse nada em relação ao Caso do Narcélio. Sei que serei voz quase que única na luta pelo rádio, porém esta luta é praticamente inóqua. Sei que não faça eco. Ninguém quer saber do rádio e seu fim é provável. Cadê nossas rádios. O que restou? Desculpe Nonato, mas há muita responsabilidade de vocês radialistas que criticam o Sindicato , mas alguém já procurou buscar as ações do Sindicato? Já se engajou? Por que a maioria de vocês não respeita a Associação de Ouvintes e em alguns casos até critica ? Outro dia um grande radialista no programa de grande audiência falou como tinha coletado material para inseminação artificial. E daí? Muitos acharam lindo, tem radialista que adora as coisas de radialistas que mandama ver na pornografia e ainda acham bonito... Tem notícia no Jornal sobre o rádio?Por que nossos jornalistas desprezam o rádio? Aliás tem jornalista no rádio que nem chega aos pés de alguns radialistas que hoje estão fora do rádio... O problema é de organização...porém sei que isso nunca vai acontecer... Vocês de rádio são responsáveis, vistam a carapuça e promovam alguma ação... Sei que o digo são palavras vazias... e com certeza talvez nem serão aprovadas... Hoje estou deixando de ouvir rádio que por sinal está uma verdadeira pândega... Até o espaço da Adísia Sá estão limitando.. que pena...porém é assim que eles querem...
PROFESSOR DJACYR DE SOUZA

10 de Setembro de 2009 16:53

Paulo disse...
O rádio cearense,infelizmente,está se acabando, a partir daqueles que deveriam preservá-lo.Porém,o interesse financeiro sempre fala mais alto,"prás cucuias" o fato de se ter uma rádio com a identidade local.

10 de Setembro de 2009 17:19

Marcos - Maranguape disse...
A crise no rádio AM é geral.Li no rádiobase que uma das mais importantes emissoras paulista vai ser vendida para um certo religioso.Aqui no Ceará não poderia ser diferente.Agora sou bem sincero em dizer que se a audiência tivesse boa, dono de rádio nenhum iria arrendar ou entrar com programação de rádio paulista.Boa parte da programação local ainda é feita como há 30 anos.Não houve renovação no formato da maioria das emissoras.Programa com horoscopo,receita de bolo e simpatia não dá mais, o FM já faz alguma coisa parecida.O que a gente espera do AM é jornalismo de credibilidade,debate sério sobre os problemas da cidade e muita opinião, ou seja, queremos mais conteúdo e, lógico, montar uma estrutra prá atender esses requisitos custa muita grana e ninguém tem coragem de apostar nessa renovação, acho até que o público ainda não tem a maturidade suficiente para esse tipo de progamação.E a tendência é que o rádio vai perder cada vez mais ouvintes, pois, essa geração mp3 que programa o que quer ouvir,que não quer interrupção na sua música dificilmente vai se acostumar com a programação do rádio como temos hoje, nem de FM e muito menos do AM com aquele som horrível.Como professor convivo diariamente com centenas de jovens e nenhum deles ouve rádio em seus celulares.Será que eles vão ouvir no futuro?

POR QUE?


11 de Setembro uma data para não esquecermos e questionarmos o mundo em que vivemos... Uma chaga nas relações mundiais... Por que?
ENTREVISTA / MARCOS DANTAS
"Rever política de concessões é prioridade na Confecom"

Por Patrícia Cornils em 8/9/2009

Reproduzido da revista ARede, 4/9/2009, apud Observatório do Direito à Comunicação; título original "Confecom: os novos paradigmas"

A Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), que será realizada em dezembro, tem uma importância histórica porque o Brasil jamais fez um debate público sobre sua política de comunicação. Os diferentes segmentos da sociedade e mesmo os partidos políticos demoraram muito a dar a merecida importância a este tema, embora os meios de comunicação social tenham fundamental importância na vida do país e no desenvolvimento da democracia. De outro lado, os empresários da comunicação, os donos de jornais, revistas, rádios e TVs sempre se opuseram a este debate, temerosos de que a definição de uma política de comunicação social venha interferir nos seus negócios e na "liberdade de imprensa".

O movimento pela democratização da comunicação existe pelo menos desde a Constituinte de 1988. Depois da Constituinte, e até como resultado dela, alguns segmentos organizaram o Fórum Nacional da Democratização da Comunicação (FNDC). A partir daí se estabeleceu um debate sobre o tema. Mas, como lembra o jornalista Marcos Dantas, professor do Departamento de Comunicação Social da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, trata-se de um debate difícil. Mesmo nos meios acadêmicos, ele praticamente não existe. Há, em todo o país, professores e pesquisadores que debatem essa questão isoladamente, sem uma institucionalidade.

Durante muito tempo, a discussão ficou restrita a sindicatos de jornalistas e algumas entidades da área. Além disso, os meios de comunicação não pautam essa discussão, e tudo o que se discute na sociedade é pautado por eles. Daí a importância de o governo ter convocado a Confecom, cuja organização tem envolvido muita polêmica. Nesta entrevista, Dantas, um estudioso do papel dos meios de comunicação e de sua influência social, traça um panorama histórico da comunicação no Brasil e discute como será o futuro.

***

Como se chegou à convocação da Conferência?

Marcos Dantas – Há três ou quatro anos, começou a crescer no Brasil o movimento pela convocação da Conferência, por meio das comissões pró-conferência. Organizou-se uma comissão nacional, que funcionava em Brasília, e começaram a se formar as comissões estaduais. Em alguns estados funcionou melhor, em outros pior. Essa comissão nacional conseguiu uma articulação no Congresso Nacional, pela ação de deputados ligados aos partidos de esquerda (PT, PSOL, PSB, PCdoB). Com isso, foi possível construir uma massa crítica, adensar o processo para arrancar a Conferência, que tinha de ser convocada pelo Executivo. Agora existe uma comissão organizadora formalmente nomeada pelo presidente da República e integrada por representantes do governo, das empresas e da sociedade civil não-empresarial. Essa estrutura deve se repetir, na medida do possível, nos estados e municípios.

E já há uma disputa na comissão organizadora...

M.D. – Há um enorme impasse. A comissão organizadora precisa baixar um regimento estabelecendo como a Conferência será realizada. Os interesses opostos são muito fortes. O segmento de radiodifusão queria que o regimento definisse a agenda, a pauta da conferência, e queria que isso se resumisse à discussão de regulamentação da internet. O setor social quer discutir um enorme contencioso do campo da comunicação social, que tem a ver com política de concessão, com regulamentação do conteúdo de rádio e TV nos termos da Constituição brasileira, que nunca foi regulamentado.

Que contencioso é esse?

M.D. – A Constituição de 1988 tem um capítulo sobre Comunicação Social. Esse capítulo define a missão da comunicação social e, sobretudo, a missão da radiodifusão. Porque a radiodifusão é um instrumento fundamental de cultura, educação, informação. A televisão está presente em 99% dos lares e a grande maioria da população se informa e se forma pela televisão, quando não pelo rádio. Desde que o rádio, o primeiro instrumento de comunicação eletrônica de massa, começou a se organizar economicamente e socialmente, nos anos 1920, foi visto como um instrumento de política de Estado. Na maioria dos países, o Estado monopolizou o rádio, entendendo sua capacidade – e depois a da televisão – para formar mentes e mobilizar opiniões.

No Brasil, até os anos 1960, não havia lei muito clara em relação ao rádio. Havia uma rádio estatal forte, a Rádio Nacional, que foi muito importante na formação da mentalidade brasileira ao longo dos anos 1940 e 1950. Havia rádios comerciais, mas não regras claras de concessão, cassação, regulamentação, nada disso. Em 1962, o então presidente Jânio Quadros cassou uma rádio e deflagrou-se uma mobilização no sentido de que era preciso organizar juridicamente esse cenário. Naquele ano, foi redigido o Código Brasileiro de Telemunicações. Uma das questões mais importantes definidas pelo Código foi que só a União, em nome da federação, pode conceder frequências de rádio e de TV. O Código estabeleceu isso em um plano muito técnico. A única questão política ali, que depois nossa Constituição abrigou, era a necessidade de que o concessionário fosse brasileiro nato ou naturalizado. Que fosse uma pessoa física. Isso, na verdade, é uma herança dos tempos em que o rádio era visto como uma questão de segurança nacional.

Em 1964, houve o golpe e tudo o que o Código organizou foi executado pelos militares. Que, diga-se de passagem, efetivamente modernizaram as comunicações deste país. Houve uma revolução nas comunicações brasileiras no período que vai de 1965, com a criação da Embratel, até 1985. Depois surgiram novas questões. Não apenas porque começou o período democrático, mas porque nos anos 1960 o celular não existia, a TV por assinatura não existia, a internet não existia, a TV digital não existia. O satélite estava nascendo naquele momento.

O que mudou com a Constituição de 1988?

M.D. – A Constituição estabeleceu, no artigo 221, uma novidade fundamental em relação ao Código. Estabeleceu princípios de uma política de conteúdos. A finalidade cultural e educativa da radiodifusão. Definiu a radiodifusão como um serviço público, que pode ser concedido a agentes privados, mas tem obrigações públicas a cumprir: cultura, educação, informação de alto nível e regionalização da programação, para valorizar outros setores culturais do país. Mas uma coisa é estabelecer isso em uma Constituição, outra é colocar em prática. Precisa haver uma lei para dizer como esses aspectos vão ser executados. E essa lei nunca existiu. O Brasil não tem uma lei de comunicação. Temos a Lei do Cabo e a Lei Geral das Telecomunicações, que tratam do serviço de transporte de comunicação. Mas isso também mudou. Aparentemente, a Claro ou a TIM são operadoras de telecomunicação. Operar telecomunicação é transportar voz, dados. Mas hoje dá para ver TV no celular, entrar na internet pelo celular, baixar música. Isso não é mais telecomunicação. Hoje, essas operadoras também são provedoras de conteúdo.

E quais são os interesses em disputa?

M.D. – Quem controla a comunicação, controla o poder político e o poder econômico. Nessa questão não há acordo, na sociedade brasileira. E é esse o problema que atravanca a comissão organizadora da Confecom. O que nos mostra a experiência internacional, principalmente na Europa, é uma tendência de se considerar a convergência e romper com a divisão entre radiodifusão e telecomunicações, que não tem mais sentido, e considerar uma nova divisão, que seria entre conteúdo e infraestrutura. Existe uma infraestrutura para levar conteúdos e existe a produção de conteúdo. E você passa a regulamentar esses dois blocos, em vez de regulamentar por segmentos verticalizados, que estão sendo ultrapassados pela evolução tecnológica.

Sempre cito, como exemplo, a regulamentação inglesa. Poucas pessoas sabem, mas a BBC não é uma emissora de televisão. É uma programadora de televisão. As frequências usadas para chegar na casa do espectador são operadas por uma empresa chamada Crown Castle. Então, tem uma programadora de TV que não detém mais a frequência VHF, assim como a Fox não detém o cabo da NET nem a frequência do satélite Sky. Ela chega nas casas por outros distribuidores, de outras empresas.

A separação democratiza a produção e o acesso à informação. Se você define os elementos da cadeia produtiva (quem produz, quem programa, quem empacota, quem distribui), passa a ter poder (e isso é papel do Estado) de criar regras que impeçam acordos, dentro da cadeia, que gerem monopólios ou que obriguem os diferentes segmentos da cadeia a abrir espaço para outros fornecedores – que não sejam necessariamente comerciais, comandados apenas pela audiência. E isso tem como consequência democratizar e pluralizar o acesso e a produção. A TV por assinatura funciona assim: se a revista ARede criar um canal de TV, não entra na Net se a Globosat (que é do mesmo grupo econômico da Net) não concordar. Existe um acordo contratual de que qualquer proposta para transmitir um canal na rede da Net tem de receber a concordância da Globosat. Então, tem canal que não entra na Net. Agora, se você identifica esses elementos da cadeia, se cria um órgão regulador para intervir nessas coisas, começa a abrir espaço. Se estabelece, como a Lei do Cabo estabeleceu, que é obrigatório ter um canal do Senado, um canal do Judiciário, que tem de ter espaço para canal comunitário, tem que transmitir os canais abertos... tudo isso é o Estado quem decide, por lei.

Qual é a maior demanda da sociedade civil em relação à política de comunicação?

M.D. – Rever, por exemplo, a política de concessão, sobretudo porque ao longo desses anos, desde o Código de 1962, já não se sabe direito quem tem concessão para quê. Sem falar que muitos parlamentares têm concessões ilegalmente, por meio de laranjas. Isso, sem dúvida, precisa ser revisto. Mas você poderia abrir espaço para rádios e tevês comunitárias. Esse é um aspecto que o pessoal está querendo: um espaço maior para a manifestação da sociedade não comercial. Também se reivindica a regulamentação. A lei brasileira estabelece, por exemplo, que o concessionário está obrigado a ocupar aquela concessão com programação. Ou devolvê-la. Mas não existe regra sobre como se ocupar o espectro. Então, uma porção de gente ocupa com leilão de gado, venda de tapete, igrejas. E não é ilegal, porque não existe regra. Essas coisas têm de ser regulamentadas.

Por que os radiodifusores consideram prioritário regulamentar a internet?

M.D. – Confesso que ainda não entendi o movimento dos radiodifusores. Não sei se não perceberam o mundo, não entenderam direito o que vem por aí. A TV brasileira aberta, comercial, ainda é o grande veículo de comunicação no Brasil. TV a cabo e internet são para 10%. Pode ser, também, que estejam fazendo uma cortina de fumaça, tentando confundir. Quando eles propõem regulamentar a internet, uma coisa tão difícil de regulamentar e que ao mesmo tempo gera uma grande reação, criam uma polêmica em um campo que não afeta seus interesses comerciais e causa grande confusão. A tendência é a população consumidora no Brasil daqui a cinco, dez anos, estar na TV paga, no celular, na internet. Não mais na TV aberta. Em países como Estados Unidos, Japão, Holanda, Itália, Inglaterra, França, a TV aberta está desaparecendo: 90% das residências americanas têm TV por assinatura e uns 60% têm banda larga em casa.

Quais as questões fundamentais para o futuro?

M.D. – Duas coisas são importantes e têm que vir unidas. Uma é a universalização da banda larga. Precisamos de uma política que faça com que, em um prazo exequível, digamos, dez anos, a banda larga seja tão disseminada no Brasil quanto é a TV hoje. É óbvio que isso demanda uma política pesada de Estado; senão, não vai acontecer. Outra é ter uma política de conteúdo. Assegurar que, por meio dessa infraestrutura, se garanta aos mais variados produtores de mídia a capacidade de se expressar, de produzir, de fazer com que sua informação, seu produto, sua ideia, sua mensagem esteja ali, da maneira que você queira colocar. Pode ser uma página de internet, um canal de rádio comunitária, de TV comunitária... É preciso assegurar o espaço, pois não há capacidade infinita de transporte, há um número limitado de canais de TV, de áudio, de TV sob demanda, de canais interativos.

Por que as discussões sobre comunicação social não mobilizam outros setores?

M.D. – Falta, na sociedade brasileira, uma visão clara sobre comunicação. O problema da comunicação fica restrito aos comunicólogos. O do petróleo, aos petroleiros; o de saúde, ao pessoal da saúde. Não se discute isso em um sentido sistêmico, em um projeto de país. Faltam educadores, falta a turma de saúde nesse debate. Faltam também os cineastas. Todos os que criam conteúdo têm de estar nessa discussão, porque política de comunicação social é também política de conteúdo. E a política de conteúdo deve assegurar não apenas os conteúdos comerciais, mas um espaço amplo para a produção não comercial, a produção social, a produção cultural. Isso implica não só espaço para transmitir, mas apoio do Estado, fomento para produções. Uma questão que me preocupa muito é a do conteúdo nacional, inclusive no espaço comercial. Nada justifica que você não tenha cotas para produção nacional até mesmo nos canais estrangeiros. Esse é um princípio aceito internacionalmente. Os países têm direito a proteger sua cultura. Na Europa, os países da comunidade são obrigados a implantar uma política de cotas para a produção europeia. Cada país tem sua política de cotas da produção nacional.

Como definir uma política diante de posições tão divergentes?

M.D. – É preciso desarmar os espíritos e construir consensos. Em toda discussão tem de haver concessão, a democracia passa por aí. Não dá para querer tudo e não perder nada. Os noticiários, por exemplo, têm de ser mais neutros, é preciso abrir espaços para vozes divergentes nos meios de comunicação. Na TV brasileira há absolutos consensos, não há espaço para o debate, para a veiculação de posições efetivamente antagônicas. Tem que fazer concessões, entender que temos uma sociedade plural. O papel do governo seria construir esse consenso.

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Marcos Dantas é professor do Departamento de Comunicação Social da PUC-RJ. Foi Secretário de Educação à Distância do MEC, secretário de Planejamento e Orçamento do Ministério das Comunicações, representante do Poder Executivo no Conselho Consultivo da Anatel, representante do MEC no Conselho Deliberativo e no Comitê Gestor do Programa TV Digital, representante do governo no Comitê Gestor da Internet-Brasil.