sexta-feira, 11 de setembro de 2009

OLHA AÍ , GENTE...

RÁDIO CAPITAL, SP
O rádio aos 87 anos, a má notícia

Por Luiz Carlos Ramos em 8/9/2009


A cada mês de setembro, quando do aniversário da chegada do rádio ao Brasil, busca-se uma notícia positiva, capaz de ressaltar que tal data pode ser comemorada com festa. Neste ano, porém, não há motivos para otimismo, apesar dos claros indicadores de recuperação da economia brasileira: o rádio, que já ganhara o apelido de "Primo Pobre" dos demais veículos da mídia, vem perdendo espaço a cada ano. E agora, exatamente em 7 de setembro, dia do 87º aniversário da transmissão pioneira de rádio no alto do Corcovado, no Rio de Janeiro, que daria origem a uma época lendária de grandes emissoras espalhadas pelo país, percebe-se que uma das principais rádios AM de São Paulo, a Capital, está com seu destino selado: algo indica que deixará de ser uma rádio de música, entretenimento, jornalismo e esportes para se tornar mais uma rádio de religião eletrônica, 24 horas por dia.

Este articulista define, desde já, que nada tem contra o uso do rádio e de outros veículos pelas religiões, sejam a católica, as evangélicas, a judaica, a budista ou a islâmica. Além disso, o Brasil deve ser laico, sem beneficiar esta ou aquela fé religiosa. Liberdade de culto, acima de tudo. Se possível, sem pressão na hora de cobrança do dízimo por meios eletrônicos.

Feita essa ressalva, ocorreu um fato jornalístico importante em pleno feriado da Independência: o diretor-geral da Rádio Capital, Francisco Paes de Barros, no cargo há quatro anos e meio, depois de ter dirigido outras rádios de peso, como Globo, Record, América e 9 de Julho, distribuiu um comunicado aos funcionários da emissora, à imprensa e à opinião pública, em que lança um apelo para que sejam afinal esclarecidos os rumos da emissora e, ao mesmo tempo, afirma acreditar na possibilidade de a Capital ir para as mãos de um grupo empresarial de tradição no rádio.

Segundo lugar

O texto de Francisco, reproduzido a seguir, tem como base o fato de nas últimas semanas terem crescido os comentários de que a Rádio Capital estaria sendo vendida ou arrendada para o pastor evangélico David Miranda, da Igreja Pentecostal Deus é Amor, que já controla outras emissoras no Brasil e em dezenas de outros países. O atual proprietário da Capital, Nelson Morizono, e seus procuradores não se manifestaram publicamente antes do comunicado de Francisco Paes de Barros.

A Rádio Capital, criada em 1978 pelo empresário Edvaldo Alves da Silva, dono das Faculdades Metropolitanas Unidas, ocupou inicialmente o antigo prefixo da Rádio Novo Mundo e, mais tarde, passou aos 1040 kHz que pertenciam à Tupi dos tempos de Assis Chateaubriand. Nos anos 1990, Edvaldo vendeu a Capital para Morizono, então dono do laboratório farmacêutico DM, conhecido por fabricar Vitasay, a "vitamina do Pelé", assim como Doril, Melhoral e outros produtos. A DM foi vendida para outro grupo empresarial há quase dois anos, mas Morizono conservou a rádio, em que os comunicadores Eli Corrêa, Paulo Lopes, Cinthia, José Carlos Gomes, Paulinho Boa Pessoa e Cícero Augusto são as principais atrações.

Com jornalismo e uma equipe de esportes, a Capital tem mantido o segundo lugar em audiência AM, com a média de 120 ouvintes por minuto, na Grande São Paulo, mas é captada também no interior e em outros estados e pode ser ouvida também pela internet.

Vale a pena ler o comunicado de Francisco Paes de Barros, a seguir.

***

A Rádio Capital foi vendida para o missionário David Miranda?

Na última sexta-feira, 4 de setembro, por volta das 18h30, recebi telefonema do engenheiro Tadeu, responsável pelo setor técnico da Rádio Capital, informando-me que representantes do missionário David Miranda telefonaram para o Jeová, técnico encarregado do sistema irradiante, em Diadema, participando que iriam avaliar o estado dos transmissores na segunda-feira, dia 7 de setembro.

Não autorizei a visita e, além disso, procurei imediatamente a Meire, procuradora do Nelson, dono da Rádio. Demonstrando surpresa, ela, em tom categórico, ratificou a minha decisão.

Os rumores a respeito do possível arrendamento com o compromisso de venda da Rádio Capital aumentaram bastante, depois desse fato do último fim de semana. Tenho recebido muitos telefonemas e indagações de funcionários. Eles querem saber se a Rádio foi mesmo vendida ao missionário David Miranda.

Como Diretor Geral da Rádio Capital, na qualidade de colega de trabalho de jornalistas, radialistas, publicitários e funcionários em geral e tendo em vista o interesse da imprensa e da opinião pública em saber o que está realmente acontecendo com a Rádio Capital (Rádio Novo Mundo Ltda.) – 1040 kHz – 200.000 watts de potência, tenho a dizer o seguinte:

A Rádio Capital AM prossegue com sua programação normal, que a levou ao segundo lugar em audiência entre as rádios AM na região metropolitana de São Paulo e à liderança no período da tarde.

Até o presente momento, porém, a procuradora do dono da Rádio não divulgou informação concreta aos diretores e funcionários sobre a possível venda ou arrendamento dessa emissora criada em 1978.

Os profissionais da emissora receberam com surpresa a notícia não confirmada de que a Rádio teria sido vendida ou arrendada.

Uma vez que a Rádio Capital passou por completa reestruturação nos últimos quatro anos, tornando-se lucrativa e ampliando seu prestígio junto aos ouvintes, esses profissionais torcem para que, no caso de ocorrer a confirmação da venda ou do arrendamento, a transferência do comando seja para um grupo de tradição no rádio paulista, capaz de manter o atual estilo de sucesso e de utilidade pública. Neste período, a Rádio Capital AM tem colocado em prática um estilo de rádio popular com responsabilidade social, valorizado por comunicadores e pelas equipes de jornalismo e de esportes. No campo da fé, a Capital é uma rádio ecumênica.

Importante notar um detalhe: a rentabilidade das emissoras de rádio que vivem do mercado publicitário não tem condições de competir com as vultosas importâncias oferecidas por pessoas estranhas ao meio radiofônico no momento da compra ou arrendamento de emissoras.

Centenas de emissoras de rádio e TV do País já estão nas mãos dessas pessoas ou abrem parte de sua programação para esses grupos. Com isso, emissoras de tradição são descaracterizadas. O verdadeiro rádio vai perdendo espaço. Pode ser a extinção das profissões de radialista e de jornalista do meio eletrônico, como rádio e TV.

Conheço o Nelson, dono da Rádio Capital, há quase 40 anos. Nosso relacionamento sempre foi profissional, inclusive nos últimos quatro anos e meio, período em que dirigi sua emissora. O tempo, o dinheiro, a fama e o poder não transformaram o caráter do Nelson. Ele é um homem simples, bom, sensível e muito humano. Era pobre quando começou a trabalhar; hoje é um dos maiores empresários do Brasil.

Empresário de espírito público, ele sabe que o avanço avassalador de pessoas estranhas ao meio radiofônico, ocupando espaços importantes nas emissoras de rádio e de televisão de quase todos os municípios do Brasil, ameaça o emprego de milhares de jornalistas, radialistas e publicitários.

E mais: Nelson sabe que o serviço de radiodifusão, "embora conduzido por particulares, na essência e na imanência, é público e de relevante interesse social".

Apesar dos fatos mais recentes, confio que o Nelson, pelo menos, mantenha a Rádio Capital em mãos de radiodifusores autênticos. Caso contrário, não só estarão ameaçados os empregos de 60 profissionais. São Paulo também sofrerá prejuízo: o rádio sairá perdendo grande parte de sua voz.

Francisco Paes de Barros

RETIRADO DO SITE www.observatoriodaimprensa.com.br


quinta-feira, 10 de setembro de 2009

UM PROGRAMA QUE VALE A PENA.


O PROGRAMA GONZAGANDO APRESENTADO PELO RADIALISTA GERARDO ANÉSIO É UMA BOA PEDIDA. ACONTECE NAS QUINTAS ÀS 8 HORAS NA FM ASSEMBLÉIA 96.7 FM. VALE CONFERIR...

DEU NO BLOG GENTE DE MÍDIA... ADEUS RÁDIO CEARENSE...

2010: ainda menos espaço para o rádio local


Um passarinho me contou que há [ enorme ] preocupação entre profissionais da antiga Ceará Rádio Clube com relação a restrição de espaços locais.

Ano que vem, segundo esse passarinho [ contador ], toda a programação da querida PRE-9 será cedida à Rede Club Brasil, restando apenas uma janela de meia hora do esporte e as transmissões esportivas.

Por conta disso já tem profissional perguntando onde tem vaga para se transferir.

P.S.: o 'passarinho' tem identidade, CPF, residência fixa e trabalho. Ademais, é sério.
O rádio cearense com certeza já deu o que tinha de dar.
Cadê nossos programas genuinamente cearenses?
Cadê os locutores comprometidos com os ouvintes?
Cadê a interatividade?
Adeus rádio cearense...uma pena que acabe assim....

UM POUCO DE HISTÓRIA DO AMIGO RÁDIO

87 anos de radiodifusão no Brasil. E agora?

Por Cláudia Figueiredo Modesto em 8/9/2009


O rádio, este senhor que completa 87 anos, teve sua primeira transmissão oficial nas comemorações do centenário da Independência do Brasil, em 1922, no Rio de Janeiro. Em 20 de abril de 1923, Edgard Roquette-Pinto, considerado o "pai do rádio brasileiro", inaugurou a primeira emissora oficial de rádio no país, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, atual Rádio MEC, com o objetivo de difundir a cultura e a educação no Brasil. Ele foi o primeiro a perceber a importância do rádio como a forma de comunicação popular e democracia cultural em nosso país. Roquette-Pinto imaginou uma programação de rádio educativa, dedicada a finalidades científicas e sociais. E, com o lema "Pela cultura dos que vivem em nossa terra, pelo progresso do Brasil", a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro iniciou suas transmissões no dia 1° de maio do mesmo ano.

Muitos dos que assistiram aquela transmissão de 7 de setembro se tornaram entusiastas do veículo e fundaram outras emissoras pelo país. E assim, as emissoras de rádio foram proliferando pelo Brasil afora, chegando aos lugares mais remotos, onde as pessoas nunca tinham ouvido falar daquela "caixinha mágica".

Na década de 20, as emissoras eram mantidas por sócios, através de mensalidades. Por isso, muitas receberam os nomes de Rádio Sociedade ou Rádio Clube. O ano de 1925 marca o início do caminho da educação ligada ao rádio. "Começaram as transmissões de aulas de geografia, história do Brasil, higiene, aulas de português, francês, história natural, física e química. Estava implantado o embrião do que, no futuro, viria a se transformar no Projeto Minerva" (Rádio MEC).

A chegada da televisão

Somente na década de 30, as rádios passam a ter caráter comercial, através de um decreto assinado pelo então presidente Getúlio Vargas. E foi a partir daí que a arrecadação financeira dos associados foi substituída pela contribuição financeira dos anunciantes. Vieram então os programas de auditório e o rádio iniciava sua fase espetacular, com programas de auditório e, mais tarde, de radionovelas e esportes.

As décadas de 40 e 50 são consideradas a "época de ouro do rádio", com grandes apresentações de orquestras, radioteatro, concursos de calouros e de cantores, além dos programas de auditório. Em 1941, é veiculada a primeira radionovela, Em Busca da Felicidade, pela Rádio Nacional. No mesmo ano, também na Rádio Nacional, surge o Repórter Esso, principal veículo de informação sobre os fatos internacionais, sobretudo a Segunda Guerra Mundial.

Na década de 60, o rádio perde seu elenco para a televisão. Apesar de inaugurada em 1950, a TV só passa a fazer frente ao rádio a partir dos anos 60. Desde então, o rádio se reinventa para sobreviver. O rádio AM assume as características atuais. No lugar dos programas de auditório, aparecem programas de variedades comandados por locutores de boa voz e excelente estilo comunicativo. Também nos anos 60, o rádio FM (cuja primeira transmissão experimental foi em 1955) ganha força em regiões mais desenvolvidas (Sul e Sudeste), seguindo o formato musical. No repertório se encontravam a chamada música ambiente (orquestrada, mas sem compromissos eruditos), música romântica e música clássica.

Primeira emissora all news

Já nos anos 70, com o avanço das emissoras musicais FMs, o rádio AM passa a ser considerado "brega". Durante esta década, o rádio FM começa a adotar diferentes perfis através da segmentação musical.

Na década de 80 esta segmentação se torna mais contundente, através de estilos musicais diferentes: rock, light, MPB, pop e jazz. O rádio AM seguia com programas de utilidade pública e prestação de serviços à comunidade, mas as primeiras comparações entre o som estéreo do FM e o áudio mono do AM começam a pipocar.

Na década de 90, as emissoras de rádio AM começam a ser compradas por grupos religiosos dos mais diversos, desde a Igreja Católica e diversas Igrejas Evangélicas, até algumas que investem numa programação do tipo "sai capeta". Em 1° de outubro de 1991, surge a primeira emissora all news, a CBN. Também nesta década, o movimento das rádios comunitárias se mostra uma alternativa à tendência de formação de grandes redes nacionais, que concentram a produção radiofônica nos grandes centros e a reproduz para as afiliadas da rede por todo o país, perdendo o caráter local do rádio e dando lugar ao global, sem levar em conta diversidades, regionalismos e a multicultura.

Uma "mina abandonada"

Nos primeiros anos do século 20, surgem as primeiras emissoras de rádio transmitidas pela internet. E uma nova tecnologia é discutida a favor do rádio: a transmissão digital, que ainda não saiu do papel. Com esta tecnologia, o som do rádio AM será tão bom quanto o do FM e poderá dar um novo fôlego ao veículo.

Apesar de sua morte ter sido anunciada várias vezes durante esses anos, o rádio continua provocando encantamento para quem o escuta. Ainda hoje, o rádio continua sendo um dos principais veículos de informação e credibilidade da população, além de ser, para muitos, o companheiro fiel de todas as horas. Porém, é um instrumento de cidadania subutilizado.

Atualmente, pouco ou nada se faz pela educação através das ondas do rádio, propósito pelo qual foi idealizado. Nem mesmo todas as rádios educativas se prestam a este papel. Muitas estão mascaradas pelo rótulo de educativas, mas operam como emissoras comerciais. Falta fiscalização. Falta comprometimento.

Falar das emissões contemporâneas é assunto não desejado entre aqueles que acompanharam as gloriosas histórias do rádio no Brasil. Há uma unanimidade em proclamar a decadência das programações, muitas vezes, atribuídas aos donos das emissoras que não querem investir e que, na maioria das vezes, são leigos em rádio.

Quando o cineasta Peter Bogdanovich, numa entrevista que fez com o também cineasta Orson Welles (aquele da famosa irradiação de Guerra dos Mundos), lhe pergunta: "E o rádio de hoje?", Welles responde: "O rádio de hoje é uma mina abandonada." Orson Welles tem razão (BARBOSA, 2004, p. 137).


Referência bibliográfica

BARBOSA, Fernando Antônio Mansur. "Rádio – um veículo sub-utilizado? Conversando sobre aspectos da comunicação radiofônica no Rio de Janeiro". Tese de doutorado em Comunicação e Cultura. Escola de Comunicação – UFRJ. Rio de Janeiro. 2004. 315p.

RÁDIO MEC. "Uma história de ética e pioneirismo". Disponível em http://www.radiomec.com.br/70anos/intro.htm Acesso em 25/03/2009.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

ELVIS MARLON - UM GRANDE PROFISSIONAL


O Rádio tem grandes profissionais. Citamos ELVIS MARLON um nome do rádio que merece muita valorização. Veja um momento deste profissional com a ouvinte.

Seu programa na Verdinha MOMENTO DO REI na madrugada de sábado para domingo é muito interativo e ressalta a boa música do rei Roberto Carlos. Recomendamos...

VEJA ESTA REFLEXÃO

Estivemos no orkut e captamos esta frase no Orkut do Radialista Gerardo Anésio.

O microfone é um instrumento poderozíssimo, é por isso que o utilizo à prática do bem!!!
Se todos radialistas pensassem assim nosso rádio seria bem melhor, não???