segunda-feira, 10 de agosto de 2009

LEIA - ASSUNTO INTERESSANTE

GRIPE SUÍNA
O apocalipse, a pandemídia

Por Gabriel Perissé em 28/7/2009

Algo semelhante aconteceu por ocasião do surto/susto da febre amarela, sobre o qual escrevi um artigo neste Observatório da Imprensa. Um ano e meio se passou e nos encontramos novamente envolvidos em clima apocalíptico, apavorados agora com tosses e espirros, embalados por notícias e informações que podem confundir e apavorar mais do que esclarecer.

Virou motivo de piada a explicação que o governador José Serra deu sobre a origem e transmissão da iminente "tragédia", no YouTube. Mas não fizeram melhor papel outras instâncias. Há dois meses, vários meios de comunicação divulgaram que "pandemia de gripe suína poderia infectar 2 bilhões", em que o uso do futuro do pretérito ("poderia"), indicando que tudo depende de certas condições, não consegue (nem conseguiria...) aplacar-nos o medo de estar entre esses 2 bilhões de infelizes!

No dia 19 de julho, outra chamada alarmista – "Gripe pode afetar até 67 milhões no Brasil em até oito semanas" –, na Folha de S.Paulo e na Folha Online, o que provocou a reação do ombudsman da Folha no domingo seguinte, criticando a irresponsabilidade dessa reportagem assinada por Hélio Schwartsman.

Mortes no trânsito e por automedicação

Já no dia 25 de julho, a própria Folha lembrou que "gripe comum mata 17 por dia em São Paulo", baseando-se em dados segundo os quais, só na cidade de São Paulo, morreram 6.324 pessoas ao longo de 2008 em decorrência de males provocados pela gripe nossa de cada ano. Na revista Época desta semana (nº 584), o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, explica (seria seu papel fazê-lo com mais contundência e mais rapidez) que esta gripe não é pior do que a sazonal.

Pandemias outras são esquecidas. Forçando o sentido da palavra, mas em sintonia com a sua origem etimológica, toda a desgraça que atinge o "povo inteiro" é pandêmica.

Só o trânsito no Brasil matou cerca de 7 mil pessoas em 2007 e, graças à Lei Seca, um pouco menos em 2008: algo em torno de 5 mil e quinhentas pessoas. Fazendo as contas, podemos admitir que a cada mês morrem muito mais brasileiros em acidentes automobilísticos do que morreram até agora com a famosa gripe suína.

A Associação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Abifarma) divulgou recentemente que, no Brasil, 50 pessoas morrem por dia por complicações causadas pela automedicação!

Outras pandemias: a das drogas, a do ensino deficiente, e a do pânico induzido pela mídia...

LEIA...

OUVINDO RÁDIO


leia este texto sobre rádio

INCENTIVAR CANAIS DEMOCRÁTICOS NO RÁDIO

Ainda existem no rádio cearenses programas que tem espaço democrático reservado ao ouvinte que devem valorizar cada um deles para o bem da comunicação e da democracia participativa que o rádio merece e tem que lutar para concretização. Devemos deixar de participar de programas que censuram o ouvinte ou reduzem a sua participação. Nossa recomendação é não participar só aí eles vão saber a falta que o ouvinte faz .

domingo, 9 de agosto de 2009

NOSSOS CUMPRIMENTOS AOS PAIS DE TODO BRASIL E DO CEARÁ


AOS OUVINTES QUE SÃO PAIS


RÁDIO É CIDADANIA

SE OS QUE COMANDAM O RÁDIO SOUBESSEM DA IMPORTÂNCIA DESTE MEIO DE COMUNICAÇÃO PARA SEUS USUÁRIOS CERTAMENTE NÃO O DEIXARIA À MERCÊ DE OUTROS INTERESSES FAZENDO COM QUE O MESMO SEJA TROCADO, VILIPENDIADO E DESRESEPEITADO EM MEIO A PROGRAMAS COM LINGUAGEM CHULA E TOTALMENTE DESRESPEITOSA. POR FAVOR RECONHEÇAM O VALOR DO RÁDIO E FAÇAM DELE UM INSTRUMENTO DE CIDADANIA E ÉTICA COMUNICATIVA.

sábado, 8 de agosto de 2009

UMA BOA COBERTURA NO ESPORTE


A Rádio AM DO POVO/ CBN vem realizando uma boa cobertura do futebol na série B do Campeonato Brasileiro. Mesmo sendo repórter do Fortaleza MIGUEL JÚNIOR consegue passar o que acontece no jogo de forma imparcial sem deixar transparecer paixão clubística numa ação profissonal que merece nosso aplauso. Parabéns ao repórter MIGUEL JÚNIOR.

VEJA QUE TEXTO MARAVILHOSO...


Pelada de Subúrbio
Armando Nogueira

Nova Iguaçu, quatro horas da tarde, sábado de sol. Dois times suam a alma numa pelada barulhenta; o campo em que correm os dois times abre-se como um clarão de barro vermelho cercado por uma ponte velha, um matagal e uma chácara silenciosa, de muros altos.A bola, das brancas, é nova e rola como um presente a encher o grande vazio de vidas tão humildes que, formalmente divididas, na verdade, juntam-se para conquistar a liberdade na abstração de uma vitória.Um chute errado manda a bola, pelos ares, lá nos limites da chácara, de onde é devolvida, sem demora, por um arremesso misterioso. Alguns minutos mais tarde, outra vez a bola foi cair nos terrenos da chácara, de onde voltou lançada com as duas mãos por um velhinho com jeito de caseiro.Na terceira, a bola ficou por lá; ou melhor, veio mas, cinco minutos depois, embaixo do braço de um homem gordo, cabeludo, vestido numa calça de pijama e nu da cintura para cima. Era o dono da chácara.A rapaziada, meio assustada, ficou na defensiva, olhando: ele entrou, foi andando para o centro do campo, pôs a bola no chão e, quando os dois times ameaçavam agradecer, com palmas e risos, o gesto do vizinho generoso, o homem tirou da cintura um revólver e disparou seis tiros na bola.No campo, invadido pela sombra da morte, só ficou a bola, murcha.


Armando Nogueira é um estilista, na medida em que escreve sobre futebol a partir de uma consciência artesanal que envolve suas crônicas de um grau de literaridade tal, que elas, hoje, constituem páginas realmente literárias com toda a força imagística, poética, carga épica e dramática, que costumam envolver tais criações. Tem dois livros lançados, "Bola na rede", e "A chama que não se apaga", sobre as cinco olimpíadas que cobriu como jornalista. Hoje colabora com diversos jornais, que publicam