domingo, 2 de agosto de 2009

LUIZ GONZAGA - REI DO BAIÃO


Luiz Gonzaga do Nascimento


era filho de Januário José Santos, lavrador e sanfoneiro, e de Ana Batista de Jesus, agricultora e dona de casa. Desde criança se interessou pela sanfona de oito baixos do pai, a quem ajudava tocando zabumba e cantando em festas religiosas, feiras e forrós.Saiu de casa em 1930 para servir o exército como voluntário, mas já era conhecido como sanfoneiro. Viajou pelo Brasil como corneteiro e, de vez em quando se apresentava em festas, tocando sanfona. Deu baixa em 1939 e foi morar no Rio de Janeiro, levando sua primeira sanfona nova.Passou a tocar nos mangues, no cais, em bares, nos cabarés da Lapa, além de se apresentar nas ruas, passando o chapéu para recolher dinheiro. Começou a participar de programas de calouros, inicialmente sem êxitos, até que, no programa de Ary Barroso, na Rádio Nacional, solou uma música sua, "Vira e mexe", e ficou em primeiro lugar. A partir de então, começou a participar de vários programas radiofônicos, inclusive gravando discos, como sanfoneiro, para outros artistas, até ser convidado para gravar como solista, em 1941.Prosseguiu fazendo programas de rádios, que estavam no auge e tinham artistas contratados. Trabalhou na Rádio Clube do Brasil e na Rádio Tamoio, e prosseguia gravando seus mais de 50 solos de sanfona. Em 1943, já na Rádio Nacional, passou a se vestir como vaqueiro nordestino e começou a parceria com Miguel Lima, que colocou letra em "Vira e mexe", transformando-a em "Chamego", com bastante sucesso. Nessa época, recebeu de Paulo Gracindo o apelido de Lua.Sua pareceria com Miguel Lima decolou e várias músicas fizeram sucesso: "Dança, Mariquinha" e "Cortando Pano", "Penerô Xerém" e "Dezessete e Setecentos", agora gravadas pelo sanfoneiro e, também cantor, Luiz Lua Gonzaga. No mesmo ano, tornou-se parceiro do cearense Humberto Teixeira, com quem sedimentou o ritmo do baião, com músicas que tematizavam a cultura e os costumes nordestinos. Seus sucessos eram quase anuais: "Baião" e "Meu Pé de Serra" (1946), "Asa Branca" (1947), "Juazeiro" e "Mangaratiba" (1948) e "Paraíba" e "Baião de Dois" (1950). Em 1945, assumiu a paternidade de Gonzaguinha, seu filho com a cantora e dançarina Odaléia. E, em 1948, casou-se com Helena das Neves. Dois anos depois, conheceu Zé Dantas, seu novo parceiro, pois Teixeira cumpria mandato de deputado estadual, afastando-se da música. Já em 1950, fizeram sucesso com "Cintura Fina" e "A Volta da Asa Branca". Nessa década, a música nordestina viveu sua fase áurea e Luiz Gonzaga virou o Rei do Baião. Outros ritmos, como a bossa-nova, subiram ao palco, e o Rei do Baião voltou a fazer shows pelo interior, sem perder a popularidade. Zé Dantas faleceu em 1962 e o rei fez parcerias com Hervê Cordovil, João Silva e outros. "Triste Partida" (1964), de Patativa do Assaré, foi também um grande sucesso. Suas músicas começaram a ser regravadas pelos jovens cantores: Geraldo Vandré, Gilberto Gil, Caetano Veloso, que o citavam como uma das influências. Durante os anos 70, fez shows no Teatro Municipal, de São Paulo e no Tereza Raquel, do Rio de Janeiro. Nos anos 80, sua carreira tomou novo impulso. Gravou com Raimundo Fagner, Dominguinhos, Elba Ramalho, Milton Nascimento etc. Sua dupla com Gonzaguinha deu certo. Fizeram shows por todo o país com "A Vida de Viajante", passando a ser chamado de Gonzagão. Em 84, recebeu o primeiro disco de ouro com "Danado de Bom". Por esta época apresentou-se duas vezes na Europa; e começaram a surgir os livros sobre o homem simples e, por vezes, até ingênuo, que gravou 56 discos e compôs mais de 500 canções.


veja ... retirado da revista caros amigos...


VALE A PENA VER E REFLETIR




Está em cartaz no TEATRO SESC EMILIANO QUEIROZ A PEÇA EMBRIAGADA QUERO DESABAFAR UMA TRAGICOMÉDIA INSPIRADA NO OBRA DE CLARICE LISPECTOR E NAS MÚSICAS DA CONSAGRADA CANTORA NÚBIA LAFAYETE. A PEÇA VAI AO AR ÀS 20 HORAS E RECOMENDAMOS POIS SERVE DE REFLEXÃO E CONHECIMENTO SOBRE O UNIVERSO DA GRANDE ESCRITORA E DA MARAVILHOSA CANTORA.
O TEXTO , DIREÇÃO E ATUAÇÃO SÃO DO ATOR WELLINGTON RODRIGUES E É UMA PRODUÇÃO DA COMPANHIA TEATRAL MOREIRA CAMPOS.

sábado, 1 de agosto de 2009

LEIA ESTE TEXTO E COMENTE O ASSUNTO NO RÁDIO , SE DEIXAREM...

A Copa do Mundo é nossa. Ou ‘deles’?


Escrito por Gabriel Brito
13-Jul-2009

No último dia de maio, a FIFA anunciou em Zurique as 12 cidades brasileiras que sediarão a Copa do Mundo de 2014, oficializando quais localidades também receberão maiores injeções financeiras até a data da competição. Como se sabe, as nomeadas foram São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Porto Alegre, Belo Horizonte, Curitiba, Salvador, Recife, Fortaleza, Natal, Cuiabá e Manaus.

A lista por si só já traz graves injustiças e deixa claro o caráter ‘politiqueiro’, talvez único na história dos mundiais, das escolhas, excluindo cidades que de diversos pontos de vista, principalmente o esportivo, mereciam ser contempladas. Nunca se viu tantos políticos e agregados em reuniões da entidade máxima do futebol, a ponto até de constranger os altos executivos da FIFA.

Quanto ao orçamento do evento, pouco adianta agora tentarmos praticar exercícios de imaginação e precisar o montante a ser despendido. Sabe-se que a FIFA faz diversas exigências de garantias governamentais para assegurar a realização da Copa do Mundo, o que já foi acatado pelo nosso Planalto e significa que uma grande, gigantesca, sangria pode ser infligida aos cofres públicos.

Tal como sempre procede, a entidade presidida por Joseph Blatter (suíço, mas da mesma estirpe das velhas raposas que habitam os corredores do poder esportivo) não se limita a exigências somente no que tange as quatro linhas. Serviços de alto nível em transportes, hotelaria e comunicação são pontos dos quais não se abre mão e nos quais o Brasil se encontra em baixo, em alguns casos péssimo, estado de desenvolvimento.

Isso significa que teremos de investir bilhões na melhoria desses serviços, ou até mesmo na criação de alguns deles em determinadas praças. Dessa maneira, o orçamento do mundial brasileiro deverá superar de forma estratosférica seus antecessores, como a Alemanha-2006 (20 bilhões de dólares gastos, sendo 16 bi privados) e África do Sul-2010 (cerca de 4 bi ao todo).

Segundo informou o Diário Lance!, o custo geral do evento por aqui deve ficar na casa de 80 bilhões de reais, impressionante logo de saída e que assusta quando, reitero, lembramos da eficiência brasileira nas ciências contábeis, como se viu no Pan 2007. No entanto, apesar de aparentarem, e serem, valores absurdos, muitas das obras em infra-estrutura se fazem realmente necessárias no país, como é o caso do metrô em Porto Alegre.

Entretanto, sendo irreversível a loucura de entregar uma Copa do Mundo na mão de quem deveria estar preso, como é o caso de algumas cabeças dessa empreitada, a sociedade brasileira deverá ficar vigilante ao que se fará com seus rendimentos como nunca se acostumou a estar. Sabedores de seu compromisso assumido perante a FIFA de fiador do mundial, não será difícil ver o governo pressionado por comitês organizadores e políticos requisitando mais verba para seus projetos.

Prova de que o hiperbolismo pauta nossos ‘capitães da copa’ foi o encontro realizado em Brasília, entre o governo federal e os governadores e prefeitos das cidades e estados sedes. Na audiência, foram pedidos entre todas as cidades mais 20 bilhões de reais de aporte oficial nas obras de infra das respectivas cidades. E olha que o governo já havia direcionado R$ 7,7 bilhões do PAC especificamente voltados ao mundial, o que ficou conhecido como PAC da Copa.

Até o próprio ministro dos esportes, Orlando Silva Junior, íntimo da cartolagem nacional, tentou colocar um freio, pedindo aos distintos homens públicos que se concentrem apenas em projetos viáveis e que sejam capazes de deixar um legado à região. Pois é, foi preciso reforçar tal questão. E não sem razão, pois o prefeito de Cuiabá, Wilson Santos (PSDB), já havia dito que a cidade não estava preocupada em construir algo cuja utilidade pública fosse posteriormente garantida. Créditos a um dos grandes desmatadores do país, Blairo Maggi, com seu saco sem fundo de dinheiro proveniente de pedaços da Floresta Amazônica e do Cerrado que já não existem. Enquanto isso, a cidade e o estado seguem sem possuir um time sequer na terceira divisão nacional.

Posto isso, não fica difícil imaginar que os governantes terão uma boa margem de manobra para pressionar o governo, ainda mais em época de crise econômica sem fim previsto, o que também espanta a iniciativa privada de investir com convicção nos projetos – até porque já está acostumada com os mimos do governo e do BNDES no apoio a ela para o cumprimento de sua parte nas ‘parcerias’ que tanto já testemunhamos.

Por mais espetacular que seja abrigar uma Copa do Mundo, e por mais que tal ocasião seja um sonho para os fãs do futebol, não dá pra engolir que a graça tenha sido trazida pelas mesmas pessoas que infestam o Senado de podridão política e institucional, pelos mesmos que faliram o futebol nacional (quando não o roubaram diretamente) e outros ilustres, como Francisco Mussnich, do Comitê Organizador, cunhado e advogado do inefável Daniel Dantas – o próprio. Faz parte da mesma excrescência do projeto olímpico Rio 2016, sem falar do já ocorrido Pan de 2007, que por si só explica bastante nossos temores.

Como disse no início do texto, os tais 80 bilhões de orçamento devem ser encarados apenas como chute, uma mera previsão inicial, sujeita a todos os sabores dos lobbies políticos e justificativas escoradas na crise mundial, que, aposto, fará a iniciativa privada tirar o pé como ninguém ainda alerta. Mas, como diz o jargão futebolístico, dá pra dizer de antemão que esta costuma ‘pipocar’ feio quando a maré não está a favor.

Portanto, brasileiros, preparai vossos bolsos (parte 1543465).

Gabriel Brito é jornalista.




Comentários (3)

1 Irresponsabilidade futebolística
Escrito por Raymundo Araujo FilhoEste endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email , em 15-07-2009 13:58
Hoje teremos em BH o jogo da finalíssima da Libertadores da América, entre o Cruzeiro e o Boca Juniors da Argentina.

A Argentina, exatamente hoje, é o segundo país com mais mortes pela Gripe A (suína), em um padrão epidemiológico ainda crescente, a exemplo do que começa a suceder no Brasil, que corre sim, risco de grande epidemia. Não duvidem!

Desde ontem, BH está sendo ocupada por milhares de argentinos, que não são culpados pela gripe, mas provêm de um país em grave e ascendente quadro contaminante.

As imagens dos jornais televisivos de ontem e hoje me deixaram apreensivos. Nenhum cuidado especial na chegada destes egressos de um país em alto risco, nenhum cuidado nos hotéis (instrução para os funcionários e áreas mais ou menos monitoradas, etc e tal. Afinal, seria muito difícil segregar como párias os festivos torcedores que, repito, não são culpados. Mas que podem trazer um grande foco de contaminação para cá, lá isso podem.

Porque será que o ministro Temporal, digo Temporão, em tempo hábil, não fez um Decreto de Emergência Epidemiológica, PROIBINDO este jogo com torcidas a campo (pois seria injustiça só permitir a cruzeirense), além de uma triagem rigorosa nos jogadores quando aqui chegassem, além de exigência que saíssem de lá com CERTIFICASDO SANITÁRIO OFICIAL, de isenção de sintomas e com exames de sangue que não mostrem alterações da série branca (linfocitose), que poderiam trazer suspeição de infecção viral.

Nada fizeram e depois vão chorar pelo leite derramado e pelas ineses mortas.

Que nossa sorte não permita que isso aconteça.

E que nós não permitamos que esta incompetência governamental perdure, ao menos sewm graves e radicais protestos populares.

Senão óóóó!

Senão óóóó!

GONZAGÃO NA UNIVERSITÁRIA FM

Atenção - A Rádio Universitária FM estará com programação especial sobre GONZAGÃO em homenagem aos 20 anos de sua ausência. Excelente pedida. Será neste domingo dia 2 de AGOSTO. Vale a pena conferir.
VEJA A PROGRAMAÇÃO
7 horas – Sempre aos Domingos – Xotes, xaxados, marchas e baiões cantados por Luiz Gonzaga em gravações das décadas de 40, 50 e 60.
10 horas – Brasileirinho – valsas e choros instrumentais tocados por Luiz Gonzaga na sanfona e seu regional ao longo de sua carreira
14 horas – Memória 107 – Show “Volta prá Curtir” feito no Teatro Tereza Raquel no Rio de Janeiro em 1972 com Luiz Gonzaga cantando e contando um pouco da sua história e acompanhado por Dominguinhos (acordeon), Ivanildo Leite (zabumba), Maria Helena (voz e triângulo), Porfírio Costa (baixo elétrico), Raimundinho ( reco-reco), Renato Piau (guitarra) e Toinho ( triângulo).
No repertório, entre outras:1. Boiadeiro/Cigarro de Paia2. Moda Da Mula Preta / Lorota Boa 3. Siri Jogando Bola / Macapá 4. Qui Nem Jiló / Oiá Eu Aqui de Novo 5. Asa Branca / a Volta Da Asa Branca 6. Assum Preto / Ana Rosa 7. Hora do Adeus 8. Estrada de Canindé / Respeita Januário 9. Numa Sala de Reboco / o Cheiro Da Carolina / o Xote Das Meninas
P.S. Nos 3 programas nenhuma música interpretada ( cantada ou tocada na sanfona ) por Luiz Gonzaga será repetida".

sexta-feira, 31 de julho de 2009

VEJA ESTA CURIOSIDADE

Retirado do site ranking brasil

Alguém bate esse recorde? O programa mais antigo do rádio brasileiro...

... com o mesmo apresentador.

É o Programa Alma Cabocla apresentado há 52 anos pela Rádio Clube de Lages – SC, de 1957 á 2009, entre às 5h e 8 horas da manhã, pelo mesmo radialista Manoel Corrêa, conhecido como Maneca.

O Programa Alma Cabocla estreou na emissora no dia 15 de fevereiro de 1957, e desde então é apresentado pelo mesmo radialista, ao todo foram 16 mil programas, sendo seis por semanas, com uma média de 50 semanas por ano, totalizando 49 mil horas no ar, o que corresponde a 2000 dias, ou cinco anos de trabalho ininterruptos.

No “Alma Cabocla”, a cada poucos minutos Maneca dispara sua inconfundível frase “Olha a hora, olha a hora...”, lembrando quem está em casa que é hora de acordar e, se for o caso, dirigir-se ao trabalho. Foi o apresentador, que há 49 anos sugeriu ao dono da rádio a instalação de uma sirene para ser acionada nos horários das 8h, 12h e 18h, a idéia foi uma forma de aproximar a rádio do comércio local.

Nestes 52 anos de programa, o radialista faz sucesso e é a alegria de um grande número de ouvintes, desde donas de casas, homens do campo, garis, profissionais liberais, trabalhadores que acordam cedo e vão mais tarde ao trabalho, enfim pessoas de todos os tipos e dedicações.

Manoel Corrêa já foi eleito vereador por Lages e presidente da Câmara, mas nunca deixou de trabalhar no que mais lhe da satisfação e prazer, ser locutor de rádio. O RankBrasil parabeniza o Programa Alma Cabocla e o esforço desse incrível profissional, o Maneca, que aproxima o público do rádio, conquistando todos os dias seus ouvintes.

NOTÍCIA IMPORTANTE

Conferência "Juventude e Comunicação" discute monopólio das empresas de mídia Imprimir E-mail
Em documento final do encontro, jovens apresentam propostas que afirmam a comunicação como direito, e buscam intervir nos seguintes temas: Mídia e Educação, Comunicação e diversidade, Internet e novas tecnologias, Imagem do jovem na mídia e Participação popular e controle social dos meios.




** Informações da Cobertura Especial Revista Viração

A Conferência Nacional Livre Juventude e Comunicação, realizada no dia 25 de julho, iniciou com uma mesa de debate, onde foi discutida a importância da participação jovem na sociedade e outros aspectos da comunicação. Paulo Lima, diretor-executivo da Revista Viração, fez a abertura do evento e passou a palavra a Danilo Fraga, da Escola Estadual Carlos Maximiliano, que contou um pouco da história do lugar.

Nilton Lopes, do Virajovem Salvador, foi quem mediou o debate, que contou com a participação de Ísis Soares, da Rede Cala Boca já Morreu; Bia Barbosa, do Intervozes e Eugênio Bucci, ex-diretor da Agência Brasil e professor da Universidade de São Paulo (USP). Eugênio começou falando das relações da comunicação com a política brasileira; "o Estado precisa organizar e promover a comunicação, mas sem deter o poder sobre a informação", disse.

Bia Barbosa, por sua vez, discursou sobre a democratização da informação e criticou os grandes veículos de comunicação: "A nossa cultura, de forma geral, não aparece nos meios de comunicação. A diversidade do Brasil é fundamental", e completou falando da importância da comunicação para a formação da sociedade. A conferência tem o objetivo de decidir propostas para serem enviadas à Conferência Nacional de Comunicação, a ser realizada do dia 1 e 3 de dezembro, em Brasília.

A maioria dos brasileiros não tem acesso à internet e se informa por meio de televisão ou rádio e a única alternativa para quem não possui TV a cabo é aceitar a programação da rede aberta. Para mudar esta situação, é necessário criar regras e Políticas Públicas a fim de incentivar que todos produzam informação, e não sejam só receptores de conteúdo.

Isis Soares, que falou por último antes das perguntas, contou sobre o movimento de Comunicação Comunitária: "Esse movimento quer ouvir e mostrar o que as pessoas têm a dizer, o que eles veem e sentem. A programação é diferenciada e garante espaço para que os pequenos comerciantes sejam divulgados, além de garantir lugar para a opinião de diferentes pessoas".

Confira toda a cobertura realizada pela Viração



Carta Aberta da I Conferência Nacional Livre “Juventude e Comunicação”


As/Os jovens e adolescentes do Brasil, participantes da I Conferência Nacional Livre “Juventude e Comunicação”, que aconteceu em São Paulo, no dia 25 de julho de 2009, vêm socializar suas recomendações, propostas e suas considerações para a I Conferência Nacional de Comunicação.
Integrantes de redes, grupos e movimentos sociais, que atuam pela participação de jovens na construção da cidadania e garantia dos direitos humanos à comunicação, acreditamos que a conferência é um passo importante para a revolução da comunicação, no sentido não apenas de consumir, mas também de produzir, interagindo e formando alianças e parcerias.
Queremos que as juventudes não sejam meras espectadoras, mas participantes em todo o processo de construção dessa Conferência Nacional de Comunicação, tanto no âmbito local quanto no âmbito nacional, considerando que a população jovem representa 48 milhões. É importante salientar que boa parte dos produtos de comunicação são dedicados à faixa etária 12 a 29 anos, seja na programação da TV, seja pelo repertório de rádio, cinema, internet. Isso caracteriza a(o) adolescente e a(o) jovem como o maior público dos meios de comunicação brasileiros. Vale ainda ressaltar que os veículos de comunicação têm papel importante na formação desse público, influenciando diretamente padrões de comportamento e atitudes.
Na crença de que é preciso promover o acesso aos meios de produção, propiciar estímulo e fortalecer o potencial criativo dos jovens brasileiros e o conceito da comunicação como um direito inalienável, apresentamos a seguintes propostas:

1. Imagem do jovem na mídia
1.1. Incremento da programação para crianças e adolescentes na grande mídia, com a intenção de trazer temas políticos, sociais e/ou culturais.
1.2. Usar os meios de comunicação como ferramenta de aprendizado para adolescentes e jovens.
1.2. Incentivar as(os) comunicadoras(es) adolescentes e jovens (juvenis) a propagar os meios de comunicação alternativos entre as(os) jovens que não têm contato com os mesmos como forma driblar os estereótipos exibidos na grande mídia.
1.3. Propor pautas à mídia tradicional que contemplem a realidade da juventude brasileira.
1.4. Articular parceria com o CONJUVE – Conselho Nacional da Juventude – de modo a pressionar o Governo Brasileiro para dar mais representatividade às(aos) jovens em eventos voltados para comunicação.

2. Participação popular e controle social dos meios;

2.1. Construção de um marco legal (ex: estatuto) da comunicação elaborado pela sociedade civil com o poder público;
2.2. Financiamento público para mídias comunitárias e redirecionamento de parte da verba pública destinada a propaganda para veiculação em mídias comunitárias e alternativas.
2.3. Gestão compartilhada por meio de conselhos de comunicação que já existem e criação de conselhos estaduais e municipais.
2.4. Criar políticas públicas de disseminação do conceito da comunicação como um direito humano, em especial para adolescentes e jovens. Exemplos: Revista Viração, educom.radio, diálogos setoriais e outras iniciativas da área.

3. Internet e novas tecnologias

3.1. Transformar o acesso de alta velocidade à Internet em um direito, estabelecendo em todo o território nacional redes públicas de difusão do sinal de banda larga.
3.2. Estabelecer, no sistema público de ensino, um programa de formação em linguagens, técnicas, tecnologias, ética, princípios de compartilhamento da comunicação livre.
3.3. Maior clareza, transparência e debate popular em ações que visem à regulamentação e normatização do acesso e uso da Internet.
3. 4 Qualificar o uso das “lan houses”, oferecendo aos usuários e proprietários estímulos fiscais e tarifários e de crédito para que disponibilizem, em contrapartida, serviços de formação como os descritos no tópico anterior.

4. Comunicação e diversidade

4.1. Garantir a inclusão e o respeito à diversidade étnica/racial, de gênero e identidade de gênero, de orientação sexual religiosa e política.
4.2. Ampliar a circulação dos produtos culturais, em especial de produção independente, garantindo a consolidação de espaços de liberdade de expressão.
4.3. Que seja garantida participação (não apenas nas campanhas de saúde) nas campanhas publicitárias institucionais à representação dos grupos étnicos-raciais, de gênero e de identidade de gênero, religiosa e de orientação sexual.
4.4. Garantir políticas públicas de fomento à implementação dos pontos de mídia livre e independente.
4.5. Garantir, por meio de políticas públicas, concessões de veículos comunitários por plebiscito popular para rádios em todo Brasil.
4.6. Garantir, por meio de políticas públicas, a paridade de investimento por Estado.
4.7. Estabelecer que o Conselho Nacional de Comunicação fiscalize os veículos de comunicação quanto às terminologias usadas em suas publicações, principalmente àquelas relacionadas aos direitos da criança e da(o) adolescente e juventude.

Propostas Mídia e Educação:
4.8. Que seja garantido, por meio de políticas públicas, em todas as escolas públicas de ensino fundamental, médio e universidade, núcleos de comunicação gerenciados pelos estudantes.
4.9. Educação para mídia nas escolas estaduais por meio de educadores preparados para discutir e trabalhar o tema.
4.10. Produção e veiculação de conteúdos juvenis – concessão e concentração dos veículos de comunicação.
4.11. Criar centrais públicas de produção e formação em comunicação, com disponibilização de equipamentos para interessados em construir seus próprios produtos;
4.12. Ampliar fundos públicos permanentes e com volume significativo de recursos para produção e veiculação de conteúdo realizado pela juventude;
4.13. Criar um Conselho Nacional de Comunicação com ampla participação da sociedade civil, inclusive da juventude, para regulação dos meios de comunicação e das concessões, com mecanismos para evitar a predominância de interesses particulares no interior desse conselho;
4.14. Garantir que a comunicação seja pautada nos espaços de educação formal;
4.15. Democratizar a gestão das emissoras públicas e comunitárias com o fortalecimento da produção coletiva e compartilhada;
4.16. Estabelecer medidas anti-concentração horizontal, vertical e cruzada dos meios de comunicação, com a regulamentação do artigo 220 da Constituição Federal;
4.17. Garantir instrumentos de defesa contra violação dos Direitos Humanos nos meios de comunicação, especialmente dos direitos das crianças e dos adolescentes;
4.18. Regulamentar tempo mínimo de veiculação de produção comunitária e independente nas TVs abertas e na TV por assinatura;
4.19. Reservar espectro para emissoras públicas e comunitárias no rádio e na televisão.

Queremos convocar a todas e todos a unir esforços para que nossas recomendações sejam consideradas. Reiteramos que unir forças significa lutar junto à mídia para levarmos cultura, entretenimento e educação de boa qualidade para toda a população. E que nós jovens, sejamos construtores do presente, vislumbrando um futuro mais justo e igualitário para todos e todas.

Saudações
Adolescentes e jovens do Brasil

Assinam essas propostas:

Ação Educativa – São Paulo (SP)
Adolescentes Comunicadores da Plataforma dos Centros Urbanos – São Paulo
Alice – Agência de Notícias dos Direitos dos Adolescentes - Porto Alegre (RS)
Aracati
Arroz, Feijão Cinema e Vídeo
Artigo 19
Associação Cidade Escola Aprendiz – São Paulo (SP)
Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo
Associação dos Geógrafos Brasileiros
Associação Eremim
Associação Frida Kahlo
Associação Imagem Comunitária - Belo Horizonte (MG)
Associação Jovem do Monte Líbano
Associação Marly Cury
Bemfam – Recife (PE)
Cala-boca já morreu – São Paulo (SP)
Casa da Juventude Padre Burnier – Goiânia (GO)
Catavento Comunicação e Educação Ambiental – Fortaleza (CE)
Cenpec
Centro Acadêmico da Universidade Federal de Alagoas – Maceió (AL)
Centro Acadêmico da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – Natal (RN)
Centro Cultural Bájò Ayò – João Pessoa (PB)
Centro Cultural Escrava Anastácia – Florianópolis (SC)
Centro de Referência da Juventude – Vitória (ES)
Centro Paula Souza
Cidade Escola Aprendiz
Cine Anônimo
Cipó Comunicação Interativa – Salvador (BA)
Ciranda - Central de Notícias dos Direitos da Infância e Adolescência – Curitiba (PR)
CNSA – Comunidade Nosa Senhora dos Artistas
Coletivo de Jovens Feministas de Pernambuco
Coletivo de Vídeo Popular
Comissão Paulista ProConferência – São Paulo (SP)
Conselho Estadual da Juventude da Bahia
Conselho Municipal da Juventude
CPI – Comunidade Periférica Informada
Creca Tatuapé – Casa Dom Luciano
Cria - Centro de Referência Integral de adolescentes – Salvador (BA)
Cufa – Cuiabá (MT)
Federação das Mulheres Paulistas
FELCO – Festival Latinoamericano de La Clase Obrera
Formare
Fórum de Defesa da Criança e do Adolescente - São Mateus
Fundação Athos Bulcão – Brasília (DF)
Fundação Friedrich Ebert/ C3 e UNICEF
Fundação Iochpe
Funzine Catraca: Pede Passagem
Girassolidário - Agência em Defesa da Infância e Adolescência – Campo Grande (MS)
Grupo Cultural Interfaces - Belo Horizonte (MG)
Grupo Escoteiro Quarupe
Grupo Jovens Projeto Saúde e Prevenção nas Escolas – Porto Velho (RO)
Grupo Jovens Projeto Saúde e Prevenção nas Escolas – Teresina (PI)
Grupo Okun de Cultura Afro-Brasileira
Instituto Alana – Projeto Criança e Consumo
Instituto Internacional para o Desenvolvimento da Cidadania – Anápolis (GO)
Instituto Paulista da Juventude – São Paulo (SP)
Instituto Paulo Freire – São Paulo (SP)
Intervozes – São Paulo (SP)
Instituto Pólis / Coletivo Griots
Jornal Brasil de Fato
Jornal Cidadão – Rio de Janeiro (RJ)
Kizomba
Matraca - Agência de Notícias dos Direitos da Criança e do Adolescente - São Luís (MA)
Movimento Sou + Jovem
Nossa Tela
Oficina de Imagem - Belo Horizonte (MG)
Oficina Escola de Lutheria da Amazônia – Manaus (AM)
Ohana – Peace Child Brasileira
ONG Plugados na Educação
Organização da Juventude – Coral Cades
Pastoral da Juventude
Patchol's Família
Plataforma dos Centros Urbanos
Programa Municipal de DST/Aids de Campinas
Projeto Meninos e Meninas de Rua
Quarto Mundo
Rádio Interna da Escola e Jornal da Comunidade Onde Moro
Rede de Jovens Comunicadores da Baixada Maranhense – São Luís (MA)
Rede Interferência
Rede MAB – Movimento das (os) Adolescentes do Brasil
Rede Nacional de Jovens e Adolescentes Vivendo com HIV/Aids
Rede Nacional de Jovens e Adolescentes Vivendo com HIV/Aids
Rede Sou de Atitude - São Luís (MA)
Revista Viração – São Paulo (SP)
Saúde e Prevenção nas Escolas
Sem Placas – Sem Fronteiras
SENAC – São Paulo
SIM – Comissão Permanente do Fórum Sobre a Violência
Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo – Regional Vale do Paraíba e Litoral Norte
Skate Solidário